Capítulo 25

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" Apertem os cintos. Vai ser uma noite turbulenta!"

                                                                     A Malvada



– Isabel! – a secretária grita invadindo minha sala.

– Sim, Ângela.

– O senhor Micelli está chamando todos com urgência.

– Certo.

Era cedo, o expediente havia acabado de começar. Entro na sala de reuniões e vejo apenas João de pé, com os braços abertos apoiados na grande mesa, a cabeça abaixada e com os seus olhos fechados. Nós quase não nos falamos desde o último final de semana. As coisas entre nós andavam bem estranhas.

Pensei em dizer alguma coisa, mas outras pessoas começam a chegar então opto por apenas sentar-me em meu lugar.

Assim que os outros fizeram o mesmo, a tempestade começou.

– Vocês todos já devem saber o resultado do trabalho medíocre que fizeram, mas, mesmo assim, tenho que relatar oficialmente que perdemos o projeto por causa do atraso que as falhas acarretaram. Vou me poupar de dizer o que penso sobre esse tipo de serviço pífio. E é só isso. Estão dispensados.

E, enquanto todos saiam, seu olhar buscou a mim e capturou-me.

– Senhorita Mendes, minha sala. Agora!

Havia ira em suas palavras. Ele deixou a sala como uma rajada de vento e eu demorei um pouco para dar-me conta do que estava acontecendo. Tínhamos falhado e sido brutalmente ofendidos.

– Cuidado com ele, Isabel.

Sou alertada pelos colegas.

Cuidado? O que ele poderia fazer?

Bato na porta e a abro.

– Senhor Miccelli.

– Senhorita Mendes não vou fazer rodeios. Tem grande parte nesse fracasso. Isso me decepcionou profundamente e me pergunto: Foi ela descuidada e displicente por que sou amigo de seu namorado morto...

Eu não esperava palavras tão rudes e diretas, penso que até titubeie um pouco, mas elas não seriam as únicas. Tinha mais por vir.

– Ou seria ela apenas incompetente, e eu fui iludido por meu relacionamento com Eric?

Aquilo me fez paralisar, e ele ainda não havia terminado. O golpe final me atingiria como um tapa na cara.

– Está mais que óbvio, Isabel, que não está dando conta. Que não é capaz de separar sua tragédia pessoal do trabalho. Talvez esteja na hora de ponderar suas capacidades.

Levantei o rosto e nossos olhares se fixaram. Enquanto meu peito subia e descia acelerado sua expressão não mostrava qualquer remorso.

Ah, senhor Miccelli. Quem é você para me dizer do que eu sou ou não capaz? Não deveria ter tocado ai.

– Não vai dizer nada?

– O que espera que eu diga? Sim, senhor?- vocifero com toda insubordinação possível.

Continuamos nos encarando por um tempo maior do que o esperado. Minha mandíbula estava tão cerrada que minha cabeça já começava a latejar. Eu tinha que sair dali e como ele depois de despejar tudo aquilo parecia ter ficado mudo, eu tomei a palavra novamente.

– Estou despedida, senhor?

– Eu não disse isso.

– Então estou dispensada?

– Sim.

– Com licença, senhor. - agora com todo o sarcasmo do mundo em minha voz giro nos calcanhares.

Sai da sala com o ódio se expandindo em meu peito fazendo-o palpitar. Notei minhas mãos tremendo e isso só me fez ficar mais nervosa.

No meio da tarde, o senhor Micelli parecendo estar possuído, vociferou no meio do salão:

– Quero todos fora daqui. Estão todos dispensados, seus medíocres.

O espanto dos meus colegas rapidamente foi substituído pela satisfação de sair mais cedo do trabalho, e eu também não vacilei. Deixei o escritório pouco depois e João lá ficou , na adorável companhia do senhor Micelli, vulgo ele mesmo.

Ao chegar em casa minha ansiedade se expandiu. Eu estava me sentindo tão chateada, tão envergonhada, mas ele não precisava ter falado comigo daquele jeito.

Eu estava mais preocupada com a minha falha ou com o que o senhor Micelli pensava sobre o meu trabalho? Ou estava preocupada com a minha própria competência ou o que João pensava de mim? A opinião deles importa tanto? E por que o que esse homem pensa pode ser tão importante?

Meu Deus! Estou enlouquecendo.

A verdade é que eu estava muito decepcionada. Comigo, com meu trabalho e com meu chefe, e talvez com João. Haveria mesmo uma separação entre nossos diferentes relacionamentos?

Sem mesmo pensar comecei a remexer nas cópias dos projetos inacabados de Eric. Talvez na esperança de encontrar em seu trabalho alguma mensagem dele. Resolvi então consultar meus livros na estante: A Arte de Projetar em Arquitetura de Newfert , eu adorava esse livro e tinha acabado de comprar a nova edição. Tirei-o da prateleira e comecei a folhear, isso me levou a retirar outra obra: Materiais em Design de Interiores, escrito por duas ótimas autoras.

Em pouco tempo as cópias dos projetos incompletos já estavam tomando outras formas alteradas por meus traços e minhas canetas coloridas. Eu tinha aprendido em Paris uma técnica de pintura com canetas grifa texto, o que acrescentava profundidade e melhor noção espacial as croquis. Um tempo depois precisei de mais um livro, levantei-me e retirei o Sistemas Estruturais de Heino Engel da estante.

As coisas estavam rendendo. Minha mente estava completamente imersa naquela tarefa. Talvez eu não fosse assim tão incompetente. Enquanto estava perdida naquele pensamento fui surpreendida pelo toque do interfone.

– Isabel! – diz a voz animada do Zé – Você não sabe quem está subindo?

Então minha campainha toca.

– É o seu Alberto – diz meu protetor enquanto ainda estou com o fone em meu rosto.

– Obrigada, Zé.

Abro então a porta da minha casa para o meu pai.

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E aí, gente? O João exagerou? E o pai de Isabel? Como será esse reencontro?

Com capítulo extra! Espero que tenham gostado.

Beijinhos e até mais.

Ps: não esqueçam a minha estrelinha!

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