Capítulo 33

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" Você fica muito sexy quando está com raiva"

O Clube dos Cinco


– E os materiais? – pergunta Hans com seu forte sotaque. Estávamos trabalhando com um grupo de alemães.

– Mármore e alumínio – digo apontando o papel sobre a grande mesa de reuniões. Meus olhos, no entanto, escapam na direção de João.

Ele se contorce na cadeira giratória. Já se levantou e voltou a sentar-se mais vezes do que alguém consideraria adequado.

Hans pondera sobre os materiais e João volta a se levantar. Caminha pela sala. Suas testa tem pequenas gotas de suor e seu paletó está abandonado no encosto da cadeira. Algo também atípico.

– Então está satisfeito, Hans? – interroga e esfrega sua testa deixando transparecer certa irritação, o senhor Micceli.

Todos estão atentos ao projeto. A não ser eu. Dedico minha atenção para analisar seu estranho comportamento, vendo seu corpo balançar de um lado da sala para o outro, quando me dou conta de uma mancha em sua camisa branca. É sangue.

Nossos olhares se cruzam. Eu sinalizo com a cabeça e passo minha mão perto de minhas costelas. Ele rapidamente percebe a camisa ensanguentada, anda rapidamente até o paletó e o veste.

– Sim, estou satisfeito.

Todos se cumprimentam e saem da sala. Ficamos só os dois.

– O que foi isso, João? – digo estendendo o braço em direção ao seu corpo. Estou verdadeiramente preocupada.

– Não é nada. – ele grosseiramente se distancia de mim. O jeito que ele repele me ofende um pouco. – E só um pequeno corte. – diz amenizando a situação.

Ele tinha caído no rugby. Era isso, então. Já fazia quase uma semana.

– Deixe-me ver. – já estou me irritando e invisto para cima dele de novo.

Você não vai querer me ver irritada, Micelli.

– Pare com isso, Isabel. Estamos no escritório. Eu estou bem. Está tudo bem. – ele respira rápido demais e continua suando.

Eu explodo.

– É obvio que não está tudo bem. Não vai mostrar para mim? Ótimo. Estou te levando agora para um hospital. Vai ter que mostrar para um médico.

Ele esboça uma reação.

– Não me faça perder a paciência com você. Parece uma criança. Está sangrando na camisa e suando como se estivesse queimando em febre. Poupe-me de suas argumentações.

Bato os pés até minha sala, agarro a bolsa, volto para a sala de reuniões. Ele está congelado no mesmo lugar. Faço sinal com a cabeça.

– Vamos indo! Agora!

João caminha em silêncio atrás de mim.

Ele parece muito mal. Espero conseguir arrastá-lo até a ajuda. Fingi firmeza mas estou apavorada. Seu corpo está ferido e ele está com dor. Eu praticamente posso senti-la.

 Quando chegamos á garagem tenta escapar de novo.

– Isabel, eu...

– Não quero saber, João. Fica quieto e entra no carro.

Aperto os dedos no volante até que fiquem brancos. Minhas feições estão tão retesadas que minha cabeça começa a doer. Recuso-me a olhar para ele.

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