" Pelo menos eu estou com você."
Titanic
Estava na cozinha providenciando alguma coisa leve para que pudéssemos comer. Em um prato coloquei os comprimidos para dor, o antibiótico e um copo com água, caso ele não quisesse levantar.
Mas não foi o que aconteceu. Ele entrou devagar na cozinha. A camisa aberta e a calça social estavam amassadas, os pés descalços, mas o cabelo já tinha sido cuidadosamente arrumado.
– Você está bem?
– Estou. Obrigada por me trazer para cá e desculpe ter sido tão inconveniente. Eu não sei o que deu em mim. Os remédios e...
Ergui a mão e detive suas palavras.
– Não teve nada inconveniente. Foi engraçado. Sente-se aqui.
Puxei a cadeira alta que fica na minha bancada.
– Quer comer alguma coisa?
– Sim. Você me acompanha?
– Claro. Vou servir o jantar para nós.
– Que horas são?
– Dez horas.
– Nossa, eu desliguei mesmo.
– Parecia muito cansado. Esse ferimento devia estar te incomodando ha vários dias.
– Sim. Não tenho uma boa noite de sono por causa da dor há tempos.
– Por que não disse nada, João?
– Não queria incomodar. Você tem trabalhado tanto e... Eu achei que não era grande coisa mas foi piorando.
– Certo. Agora já foi. Tome os remédios, por favor.
– Sim, senhora.
Eu queria ter sido muita mais incisiva mas não consegui. Queria que ele entendesse de uma vez por todas o quanto é importante para mim mas não encontrei as palavras. Eu deveria ter conseguido dizer a ele o que sinto mas não o fiz.
Liguei para Antônio que trouxe roupas para que ele se trocasse. Quando o simpático motorista chegou João já estava adormecido novamente na minha cama.
– Obrigada, Antônio. Desculpe por chamá-lo tão tarde.
– Não tem problema. O senhor Micelli está bem? Eu sabia que ele estava machucado. Falei para procurar ajuda mas não me ouviu.
– Ele está bem. Só precisa descansar. Amanhã eu o levo para casa.
O senhor de feições doces pareceu hesitar.
– O que foi, Antônio? O que há de errado?
– Não acho que seria bom. Ele fica completamente só naquela casa. Dispensou todos os empregados e me disse que a partir do mês que vem não vai mais precisar de mim.
– Como assim? Ele não pode fazer isso? Vocês precisam trabalhar e...
– Não, senhorita Isabel. Ele já conseguiu novos empregos para cada um de nós. Ótimos serviços, por sinal. Eu não sei o que deu nele. Fico preocupado. Depois que ele perdeu as crianças tem estado muito estranho.
Eu troquei os curativos dele, peguei sua roupa limpa e a coloquei sobre a cama enquanto ele tomava banho. Flagrei a mim mesma admirando seu tórax nú varias vezes. Afinal o ferimento deveria ficar descoberto o maior tempo possível.
– Isabel! – João me chama saindo do banho com a toalha enrolada na cintura.
– O que foi, João? – corro preocupada e o encontro no corredor. O ferimento parece cada dia melhor.
– Agora eu sei por que você cheira a maçã- verde. – ele está se divertindo.
– Ah! – digo encabulada – é o meu xampoo. Eu posso comprar outro para você mais tarde e...
– Não precisa. – ele diz me interrompendo – Eu gosto de seu cheiro.
Ele quis ir para casa mas eu não permiti. Deveria tê-lo questionado sobe os empregados mas não o fiz. Estava evitando ao máximo contrariá-lo. Eu o levava para o escritório e o trazia para acasa no final do dia. Nós falávamos sobre os projetos do escritório quase o tempo todo. A Micelli e Associados ia de vento em popa. Tínhamos um trabalho atrás do outro e todos eram linda mente executados pela equipe me fazendo sentir orgulhosa por fazer parte dela. Eu conseguindo dormir a noite. No sofá, é verdade, mas estava dormindo.
O final de semana chegou e então trocamos a discussão dos projetos pelos filmes. Assistimo um atrás do outro. Eu o levei até a casa dos avós para que ele visse as crianças. As lembranças dos dias que ele passou em meu apartamento tornariam ainda mais difíceis os terríveis dias que se aproximavam.
E, então, o ferimento, antes aberto e secretivo já parecia seco e cicatrizado.
Visitamos novamente o médico que garantiu que ele não mais precisaria de curativos.
– Não há mais necessidade de importuná-la, Isabel.
– Fico feliz que tenha melhorado. – digo escondendo minha frustração.
– Nunca esteve tão ruim, não é mesmo? – diz ele me provocando.
– É! Não mesmo. Eu apenas usei como desculpa para tê-lo em cárcere privado.
Ele ri deliciosamente. Sua risada é envolvente como um doce creme quente.
– Certo. Antônio já chegou. Eu vou indo. Obrigada por tudo, Isabel. – diz enquanto guarda o celular em um dos bolsos de sua calça.
Eu queria abraçá-lo e pedir para que ele não fosse embora. Porém minha mente e minhas palavras mantém-se em desarmonia.
– Sempre às ordens, senhor Micelli.
Por que não consigo dizer o que quero dizer?
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Os Cem Melhores Filmes
RomanceIsabel é uma jovem independente e determinada que encontra seu verdadeiro amor. Porém, isso tudo é colocado em xeque quando ela perde Eric e precisa recuperar sua confiança e esperança com a ajuda de alguém que não contava. =========================...
