" Existe uma explicação para isso, você sabe."
Alien: O Oitavo Passageiro.
– Olá, Isabel. Faz tempo que você não vem as consultas. - diz Daniela me repreendendo.
No começo as conversas com Daniela me incomodavam, mas com o passar de tempo passei a apreciá-las.
– Pois é, doutora Daniela. Eu lamento muito. Estive muito ocupada.
– Apenas Daniela, por favor. Mas estou curiosa. O que a fez encontrar algum tempo?
Não fiz rodeios.
– Há algumas semanas venho sentindo uma ansiedade. Uma angustia, as vezes um desanimo em relação a tudo. Tudo está indo bem. Bom, nada é sempre perfeito, mas não sei o que tanto me incomoda.
– Talvez a data do aniversário do acidente de vocês que se aproxima?
Click! Não é só esse aniversário que me incomoda.
– Pode ser. – digo.
– Eu questionei João sobre isso na última consulta – não sabia se ela falar tanto do João para mim era muito profissional mas não a impedi. – e ele ficou incomodado.
É claro. Quem não ficaria?
– O lembrei que depois desse ano ele deveria pensar em retomar a vida pessoal, conhecer alguém, refazer a família dele.
Que incherida, não é a toa que o João não gostou.
– O mesmo vale para você, Isabel. Um ano se passou. Outro ano vai passar, e ainda muitos outros. O tempo passa, temos que aproveitar as boas coisas e não as ruins, certo?
– Verdade.
– Então você não deve lamentar o dia três de março e sim festejar o dia quatro: seu aniversário.
Por que não enfia uma faca no meu peito de uma vez?
– Isabel, nós já não comemoramos ano passado!
– Talvez porque eu estivesse em coma, mãe.
– Não seja desagradável.
– Desculpe, mas você sabe que eu nunca gostei muito de fazer aniversário.
– Sei, sim. Você pode pelo menos jantar comigo e com seu pai?
– Claro que posso.
– Combinado então.
Era sexta-feira e fazia um ano desde aquela noite fatídica. No escritório ninguém comentou nada e eu não estava certa se era proposital ou aquelas pessoas nem se davam conta. Provavelmente não faziam idéia. Afinal, por que lembrariam disso? A equipe mesmo havia mudado muito. Acho que apenas Ângela estava na empresa na época do acidente.
João também não tocou no assunto, e não era eu a mudar isso. Estávamos revisando alguns papéis na sala dele quando ele perguntou:
– Qual filme veremos hoje?
Expirei profundamente sem conseguir esconder meu alívio em saber que não estaria sozinha naquela noite.
– A Lista de Schindler. – digo.
– Pesado. – ele responde.
– Muito. – concordo.
Durante o filme, mais tarde naquela noite, não consigo evitar pensar sobre o acidente. Aquela história real me fez pensar sobre a magnitude de certas tragédias. Vidas destruídas por tirania, vidas que se encerram por acidente.
" Haverão gerações graças ao que você fez." diz Itzhak Stern a Oscar Schindler.
No final do filme nos olhamos com pesar. Nenhum de nós disse nada mas sabíamos que aquele sentimento pesado não vinha só do filme. Meu rosto se contorceu e balancei a cabeça desolada e impotente. João se aproximou e me envolveu em seus braços. Um abraço de cumplicidade. Não havia nada além disso que se poderia fazer. A tragédia havia aniversariado e isso ainda iria acontecer por anos a fio.
– Você acha que poderia faltar a aula de canto amanhã? – pergunta João, após um longo tempo de silêncio. Enquanto ainda estamos abraçados.
Soltar-me dele incomoda, mas o faço finalmente.
– Só por um bom motivo – digo me esforçando para parecer animada e dissipar a névoa de pesar.
– Gostaria de ir comigo amanhã ao treino de rugby?
– Eu adoraria!
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Os Cem Melhores Filmes
RomanceIsabel é uma jovem independente e determinada que encontra seu verdadeiro amor. Porém, isso tudo é colocado em xeque quando ela perde Eric e precisa recuperar sua confiança e esperança com a ajuda de alguém que não contava. =========================...
