Capítulo 6

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"Tudo o que for pra acontecer, acontece. Cedo ou tarde."

Beleza Americana

- Alô.

- Isabel Mendes! Você está viva?

Essa era a Paula. Sempre exagerada.

- Sim, estou. - disse sorrindo.

- Você sabe que já faz quatro meses que não fala comigo? Eu sei que você não é muito de socializar, mas tudo tem limites.

- Desculpa, Paula. Eu ando bastante ocupada.

- Sei. E o Eric? Tudo bem com vocês?

- Sssim... tudo. - eu titubiei e isso ia custar caro.

- O que é, Bel? O que ele fez? Vai falando.

- Nada! Ele é maravilhoso. Tudo está muito bem. Bem demais, de um jeito que não parece nem real. - foi a primeira vez que me permiti dizer isso em voz alta.

- Bel, não me venha com seus pessimismos. Você merece ser feliz. Aproveite. E tira essas caramilholas dessa caixola.

Não aguentei e ri.

- Certo, Paula. Você tem razão.

- Vamos combinar alguma coisa! Me liga, tá bom? Beijocas, Bel.

- Beijos.

Coloquei o celular sobre a mesa para continuar o que estava fazendo. Eric acabara de sair do banho. Cheirava a sabonete.

- Quem era?

- A louca da Paula. Aí, que droga!

- O que foi?

- Queimei minha mão de novo com essa cola quente.

Ele se aproximou e beijou as pontas dos meus dedos.

- Mas está valendo a pena, Bel. Essa maquete está ficando perfeita.

- Você acha mesmo? Não acha a idéia meio ultrapassada?

- É lógico que não. Como alguém pode preferir uma digitalização ao invés disso? Olha só essas árvores em miniatura. São demais.

Ele pegou uma pequena árvore na mão.

- Olha! Me faz parecer um gigante.

- Um gigante lindo.

Ele me beijou.

- A maquete está ótima, Bel. Muito melhor que qualquer visualização tecnológica do Autocad. Todos vão adorar.

Todos? Até mesmo o senhor Miccelli? Ou será que eu levaria um sermão sobre o quão antiquado e improdutivo era aquilo, na frente de toda a equipe. Era bem possível.

Na manhã seguinte, Eric me deu uma carona até o trabalho. Desnecessário dizer que a maquete não caberia no meu carro. Tive que ir com o tanque do Eric.

Ao estacionarmos em frente ao escritório comecei a pensar no melhor jeito de carregá-la sem destruí-la no caminho,enquanto outro carro parava de trás do nosso.

O impecável engravatado saiu dele depois que um senhor de luvas e quepe abriu-lhe a porta.

- Ei! Joni! - Eric disse com um sorriso enorme enquanto o senhor Miccelli se aproximava dele.

- E ai, cara? - eles estalaram as mãos e se abraçaram.

Eu fiquei lá parada, com a enorme maquete nas mãos. Confesso que fiquei um pouco surpresa, era a primeira vez que via os dois juntos. Eles pareciam verdadeiramente felizes por terem se encontrado. Conversaram rapidamente. Eu estava alheia até que ouvi algo como:

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