Capítulo 14

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" Como quiser."

A Princesa Prometida.


Nas noites que se seguiram eu continuei a lutar contra a insônia. As coisas no escritório estavam tensas. O senhor Miccelli estava apresentando o pior de seu estado de humor, e o último projeto estava cada vez mais atrasado.

A conversa com a doutora Daniela tinha sido o ponto alto da semana. Nós conversamos sobre como eu conheci o Eric, e isso sempre me fazia sorrir. Conversamos também sobre perda e como ele ia querer que eu continuasse minha vida. Eu sai bem da consulta, e acreditava que aquilo estava ajudando. Se tudo permanecesse desse jeito, talvez eu conseguiria vencer a tristeza. Mas as coisas não funcionam assim. Dificuldades e obstáculos se impõe todos os dias.

Naquela sexta eu tinha ficado até um pouco mais tarde no escritório. O chefe estava estranhamente saindo cada dia mais cedo. Ninguém questionava e , inclusive, estavam adorando. Assim que ele saia, vários funcionários também se davam ao direito, e o trabalho atrasava cada vez mais. Estávamos sem liderança, essa era a verdade.

Fui para casa, tomei um banho e comi alguma coisa. Falei com a Carol ao telefone e ela me aconselhou a ver um filme que começaria mais tarde na TV.

- Um romance, Carol? Sério?

- Para de ser chata, Bel. O cara do filme é lindo. Você vai gostar, o filme é muito bom. Um dos melhores.

- Segundo quem?

- Euzinha, é claro.

Aquilo ficou na minha cabeça. Com certeza aquele não era um dos melhores filmes, mas quais seriam eles?

O horário era bom. Meia noite, umas duas horas de filme, mais duas horas acordada e então dormir por exaustão. Era a melhor programação que eu poderia esperar para aquela noite, mas não foi bem o que aconteceu.

As quinze para dez da noite meu celular tocou. Procurei por ele com pressa dentro da bolsa. Uma ligação assim tão tarde não podia ser coisa boa. Olhei a tela e o nome de João aparecia nela. Atendi o mais rápido possível.

- Alô.

De início não houve resposta, mas eu conseguia ouvir duas crianças chorando com toda a força de seus pulmões. Elas gritavam coisas sobre não querer ir para cama ou escovar os dentes.

- Alô, João. Você está ai?

- Eu não sei mais o que fazer, eles não param de chorar.

Sua voz fez parecer que estava a beira de um ataque de nervos. Ele estava desesperado.

- Eu estou indo ai. Chego em vinte minutos.

Desliguei.

No caminho, vacilei. E se ele não quisesse minha ajuda? Nem o deixei falar. Eu não sei nada sobre crianças, como poderia ajudar?

Mas, se ele não queria minha ajuda, por que me ligou? Isso reforçou minha convicção e em pouco tempo estava tocando a campainha da linda residência dos Miccelli.

João atendeu a porta rápido como se estivesse esperando atrás dela.

- Entre.

Ele abriu espaço e pude ver o caos instalado. Brinquedos, comida no chão e a TV trocando de canal sem parar. Quem comandava o controle remoto era o Pedro, vestindo apenas uma fralda. A aparência do pai das crianças era péssima. Não havia nenhum sinal do executivo elegante, vulgo meu chefe. Apenas um homem comum, estressado e exausto.

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