Capítulo 23

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 "Oh, Meu Deus! É Calvin Klein. Que sonho!"

                                                       De volta Para o Futuro


No dia seguinte, eu aguardava a chegada de João em um ponto marcado no parque. Tinha chegado com alguns minutos de antecedência, uma mania minha com horários. Aproveitei para começar um alongamento leve assim como um pequeno aquecimento.

Enquanto dava pulinhos e chacoalhava meus braços eu o vi se aproximar. Ele já vinha correndo, as mexas de seu cabelo se movimentavam com as passadas. Vestia uma camiseta de corrida azul, uma bermuda preta que com seu tênis também preto definiam um traje para exercícios discreto.

A atenção que ele recebia, no entanto, não era nada modesta. Algumas mulheres tentavam disfarçar outras nem isso, mas eu achei que a maioria iria quebrar o pescoço.

Ele parou na minha frente, tirou os fones das orelhas e disse:

– Oi, Isabel. Estou atrasado?

E, então os queixos de várias delas caíram no chão.

– Não, tudo bem.

– Vamos começar? – ele esticou o braço e apontou para a pista de corrida.

– Claro, estamos aqui para isso. – eu confirmo.

– Você se importa se eu usar os fones. – disse ele apontado os pequenos auriculares.

– Não.

– Você marca o ritmo então.

Lancei então meus passos no asfalto. O começo foi um pouco difícil. Era complicado manter a marcha, porque meu parceiro chamava muita atenção por onde passava. Algumas pessoas ameaçavam se aproximar mas como ele se mantinha alheio a todas as manifestações com seus fones auriculares, desistiam.

Depois de certo tempo alcancei um ritmo cadenciado até que meus pensamentos se calaram e a única coisa que eu ouvia era o barulho da minha respiração. A exaustão quase me vencia quando senti uma mão em meu braço.

– Eu preciso parar. – diz João muito ofegante.

– Certo.

Encostamos num bebedouro estrategicamente posicionado em baixo de uma grande árvore de copa muito frondosa. A sombra vinha a calhar, afinal estávamos no meio do verão e o sol brilhava forte.

Ele tomou alguns goles da fonte e a seguir foi minha vez.

– Você não se cansa, não?

– Claro que sim. Estou exausta mas não queria atrapalhar seu treino.

Ele sorriu.

– Eu teria parado a uns cinco quilômetros atrás.

– Sei. – digo provocando.

Percebo que ele está ensopado de suor. Então me dou conta que não devo estar nem um pouco melhor. Aliás, nada melhor. Não sou daquelas pessoas que sua com elegância. Eu fico vermelha e descabelada.

Enquanto estou perdida nos pensamentos em relação a minha aparência, ele tira a camiseta a puxando por trás da gola como faz todo homem. Então a torce e ela pinga. Algo que eu não esperava. Sopro dentro da minha camiseta de corrida suada e finjo indiferença ao vê-lo com o abdômen nu. Agora as outras mulheres no parque caem infartadas.

Há um grupo delas parado a nossa frente. Uma ensaia se aproximar mas João a desarma passando a mão pela minha cintura e me puxando para perto dele.

Eu acho graça.

– Sinto que estou sendo usada.

– Desculpe. – ele me solta. – Depois do acidente tenho sido muito abordado. Algumas delas eram conhecidas da Raquel. Eu dispenso esse tipo de atenção.

Pobre homem lindo. Blah!

– Ei, João ! – um homem, que a primeira vista me lembra um personagem dos quadrinhos, aproxima-se de nós. – Poxa, cara. Por que você não apareceu lá ontem?

– E ai, Marcão. Eu tinha outro compromisso. Essa é a Isabel.

– Muito prazer...

...Senhor Hulk – penso acenando com a cabeça.

– Oi, eu sou o Marcos. Prazer. Preciso ir. Vê se aparece na semana que vem, João. Eles vão fazer a manutenção do gramado hoje e no próximo sábado já podemos jogar.

– É claro. Ate lá.

Ele veste a camiseta previamente torcida e eu não seguro minha língua.

– Quem é esse seu amigo testosteronado?

O cara era gigantesco. Desses com as orelhas inchadas e o corpo parecendo um triângulo invertido. O pescoço pedindo socorro entre dois músculos hipertrofiados.

– É do time de hugby. – ele diz achando graça.

– Hugby?

– É o que eu faço aos Sábados. Meu hobbie. – Uau – fico sem palavras. – Você conhece o esporte?

– Estou familiarizada com o hugby, sim. Inclusive sou grande fã dos All Blacks diga-se de passagem. – a pergunta dele me ofende um pouco e não quero que ele perceba que estou surpresa. Mas estou. – Posso até fazer a Haka para você. – digo separando as pernas e me agachando um pouco, simulando a dança de guerra, enquanto ele ria.

– Que bom. Se você quiser está convidada para assistir um treino nosso.

– Qualquer dia vou aceitar. Estou louca para ver esse seu amigo, o incrível Hulk, quebrando o braço de alguém.

– Certo. Só não faça a dança de novo.

Ele deu um sorriso adorável e meia dúzia de mulheres quase entraram em combustão ao meu redor.

– Que tal jantar no Roberto's e um filme mais tarde?

– Por mim tudo bem. Não tenho nenhum compromisso essa noite. – digo tentando não parecer carente.

– Certo. Passo para te pegar as vinte horas. Pode ser?

– Combinado.

Olhei em volta. Lá ia eu andar de carro com motorista de novo. Eu definitivamente não me encaixava naquilo tudo.


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Esse capítulo no estilo literário Ultra Clichê é dedicado á richardnovel

João tem algumas atitudes estranhas, não acham?

 Espero que tenham gostado.


Deixei o vídeo com a Haka, a dança de guerra do povo Maori, e que é feita pelos jogadores da seleção da Nova Zelândia de hugby antes de cada partida.

Assustador, não?  

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