Isabel é uma jovem independente e determinada que encontra seu verdadeiro amor. Porém, isso tudo é colocado em xeque quando ela perde Eric e precisa recuperar sua confiança e esperança com a ajuda de alguém que não contava.
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– João, está claro que há alguma coisa o incomodando. Não quer falar sobre isso?
Ele balança a cabeça, vacilante
– Venho tendo alguns pensamentos um tanto quanto... - João teve dificuldade pra encontrar a melhor palavras
– Que tipo de pensamentos?
– Obsessivos, eu acho.
– Em relação a que? – diz a psicóloga mostrando-se realmente interessada.
– Isabel.
– Isabel? – Daniela perdeu o tom profissional de sua fala. – Como assim?
– Em qualquer coisa que faço não consigo parar de pensar sobre ela.
A psicóloga pigarreou e se recompôs.
– Isso vem trazendo algum tipo de prejuízo á você^?
– O que quer dizer?
– Tem tido dificuldade para se concentrar no trabalho por causa dos pensamentos? Percebeu alguma diminuição na sua produtividade? Tem tido dificuldade para dormir, por exemplo?
– Muito pelo contrário. Nunca trabalhei com tanto foco. Meu rendimento tem estado muito bom. Quando estamos no escritório sei que está bem mas assim que minha mente tem um minuto de descanso fora dele, Isabel aprece nos meus pensamentos. Estou sempre preocupado com ela. O que está acontecendo. Como ela está indo. Se tem dormido o necessário. Nunca alguém me causou tanta preocupação. Nem mesmo as crianças. Mas não há nenhum prejuízo pessoalmente.
– Então, meu amigo, vou lhe dizer que não se trata de obsessão quando não há efeitos deletérios decorrentes de tais pensamentos.
– Mas não faz sentido, Daniela. No começo, logo depois do acidente ela ficou fragilizada. Eu quis ajudá-la em nome da minha amizade com o Eric. Até mesmo para me redimir do que fiz com ele. Mas agora? Eu a conheço, ela é forte. Sabe se cuidar. Por que tanta obsessão? Não tem a menor razão.
– Algumas coisas não obedecem a razão, amigo. E só lhe direi mais isso por hoje.
– Não me venha com suas teorias, Daniela. Não pode ser normal e preciso resolver isso.
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– Como vai, Isabel?
– Bem. – respondo secamente.
– Isabel, entendo que você é uma pessoa reservada, e não pretendo mudá-la, mas você precisa se abrir um pouco para que eu possa te ajudar. Você quer minha ajuda?
– Sim.
– Certo. João me disse que você está tendo problemas para dormir
Ele disse, pensei. Mas não tinha nenhuma vontade de discutir sobre isso.
– É verdade.
– Me fale sobre isso.
– Nuca tive problemas para dormir, mas desde que sai do hospital, depois do acidente, não consigo pegar no sono.
– Em nenhuma circunstância? – Daniela me provocando.
– Não consigo dormir quando estou sozinha.
– Sei. – ela sendo psicologa.
– Fico a noite toda acordada na cama e acabo pegando no sono lá pelas quatro da manhã. Sonho alguma coisa e acordo.
– Sobre o que sonha?
– Geralmente com o Eric.
– Geralmente?
– Algumas vezes sonho que estou assistindo aos filmes com o Eric. E as vezes, o contrário. Sonho com João fazendo coisas que fiz com Eric. Mas...
Isso pode ter soado um pouco mal.... Não deu tempo de me corrigir.
– São sonhos ou pesadelos? – questiona a analista.
– Os sonhos são bons mas assim que acordo, antes mesmo de abrir os olhos, eu lembro que o Eric está morto e tudo dói.
Por que eu disse aquilo tudo?
– Estar com João me faz sentir muita falta do Eric, mas quando estou sozinha, não consigo parar de pensar nele.
– Isso não é um problema. Um deles pode estar com você. Já se deu conta disso?