" De todas as espeluncas dessa cidade, ela vem aparecer bem no meu bar"
Casablanca
O vento frio do ar-condicionado que tocava minhas costas nuas me incomodava profundamente. Ele fazia meu corpo arrepiar e meus músculos se contraírem. Era torturante e talvez não tivesse nada a ver com a temperatura.
– Outro, Heitor!
– Assim não vai conseguir cantar, princesa.
Eu o fulmino com o olhar. Estou sentada ao lado do balcão do piano bar. Bebendo uísque e tentando acalmar meus nervos. Assim que terminei meu discurso João fez o que faz de melhor: foi embora. A mim só restou me preparar para a canção desta noite.
– Foi mal, Bel. Aqui está. – diz o barman colocando outro copo com a bebida dourada na minha frente.
Tomo um gole e me remexo na banqueta alta. Hoje vou cantar a música que escolhi. Coloquei uma linda blusa de cetim preta que tem um decote profundo nas costas. Na parte da frente ela é conservadora e discreta. É como eu : segura se você mê encara mas por trás, completamente desarmada.
Depois do segundo gole da segunda dose o frio já não me incomoda.
– Não olhe agora, mas tem um cara parado ali na entrada que não tira os olhos de você há uns quinze minutos.
Sinto mais um arrepio. Realmente eles nada tinham a ver com o vento frio.
– Eu sei quem é, Heitor. – digo sem precisar olhar para trás.
Eu sinto a presença dele.
– Quer que eu chame os seguranças?
– Não. Está tudo bem. – eu tenho que lidar com isso sem ajuda de dois brutamontes. Sem a ajuda de ninguém.
– Espero que você esteja certa porque ele está vindo para cá.
– Boa noite. – diz João se aproximando. – Posso sentar?
Aponto a banqueta vazia ao meu lado. Não digo uma palavra. Nem olho para ele.
– O que está tomando? – ele pergunta examinando meu copo um pouco surpreso.
– A senhorita está tomando um uísque 21 anos. – Heitor encorpora seu lado protetor. – E já é a segunda dose.
– Vou acompanhá-la, então. Um uísque duplo, por favor. – João também lança um olhar ameaçador.
Pobre barman.
Assim que Heitor se afasta ele começa:
– Como você está, Isabel?
– Bem – respondo automaticamente – E você, João? Como vai?
– Bem – ele repete minha resposta e balança a cabeça.
Finalmente olho para ele e o que vejo faz uma pergunta escapar involuntariamente.
– Está bem mesmo? – ele não me pareceu nada bem. Os olhos pesados, a barba por fazer, a camisa amassada.
Ele hesita, mas finalmente responde.
– Não. – esfrega o rosto com as mãos e as passa pelos cabelos. Parece exausto. – E você? – ele repete.
– Também não.
Heitor volta com o pedido de João. Coloca o copo sobre um porta-copos de couro e se afasta.
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Os Cem Melhores Filmes
RomanceIsabel é uma jovem independente e determinada que encontra seu verdadeiro amor. Porém, isso tudo é colocado em xeque quando ela perde Eric e precisa recuperar sua confiança e esperança com a ajuda de alguém que não contava. =========================...
