Capítulo 45

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As crianças estão bem?

Jurassic Park



Quando se vivencia uma mudança de ambiente, de realidade ou mesmo de ofício é de se esperar uma variação nas pessoas, nos assuntos e como eles são desenvolvidos. Isso sempre me encantou mas tamanho era meu desânimo que não houve nenhuma excitação do tipo ao iniciar minha nova fase profissional ao lado de meu pai.

Não me entendam mal. As pessoas eram fantásticas, entre elas meu querido pai, os assuntos eram enriquecedores, mas minha mente não mais registrava do que feições e simples palavras. E, por mais que possa surpreender, minha total falta de paixão não diminuía minha dita "genialidade". As coisas apenas surgiam em minha mente, eu as projetava e elas maravilhavam a todos. Menos a mim. Eu estava imune a qualquer sentimento.

Certa vez estava sentada no chão daquele quarto cercada pelos CDs de Eric e pelos pôsteres dos filmes. Tinha um croqui de um colega nas mãos, o qual precisava avaliar. Tentava com devoção compreendê-lo mas sem conseguir. Ainda ruminava aquela sensação ruim por ter me desentendido com as meninas e com o romance sórdido do João com a psicóloga.

Como pude ter sido feita de idiota desse jeito? Pior, como pude ter sido tão idiota com as únicas amigas que tenho?

Então fechei meus olhos, respirei fundo tentando me lembrar de como eu me sentia antes de tudo isso. A independência, o foco, a empolgação.

A paixão.

Por um segundo eu quase recuperei a antiga eu mas, ao expirar, todo o sentimento amargo voltou.

Bufei.

Não há como voltar atrás. Nunca haverá.

Então meu telefone berra. Olho no relógio. Três da manhã! O que pode ser?

– Alô?

– Bel! A barriga do Pepê está doendo muito.

– Duda?

– É! Bel, ele fica chorando e a vovó não deixa a gente ligar para o papai.

– Onde você está, Eduarda?

– No hospital – ela diz sussurrando.

– Qual hospital?

– Aquele perto do shopping!

Eduarda! O que está fazendo? Devolva esse telefone.

Era a voz da avó das crianças e então a ligação caiu.

Em segundos eu estava no carro. Tomei novamente meu celular e disquei um número a muito tempo esquecido. Como esperado a caixa postal me saudou.

– João, seu filho precisa de você. É urgente.

Cheguei no hospital e atravessei as portas automáticas do pronto socorro. Debrucei-me sobre o balcão de informações.

– Boa noite. Eu queria informações sobre um paciente o nome é...

– Bel!

Duda veio correndo na minha direção. Eu me abaixei e a abracei.

– Oi, Bel! Tava com saudade!

– Eu também!

– Olá, querida. – essa era a avó das crianças. – Desculpe por Duda tê-la incomodado.

Eu me solto da criança mesmo não querendo. Ficaria abraçada com aquela pequena muito tempo. Talvez seja uma das poucas pessoas que ainda me quer por perto.

– Tudo bem. Fico feliz por ter me ligado. – estou de mãos dadas com Eduarda e balanço nossos braços como se fossemos duas crianças. Sorrio para ela e pisco.

– O que há de errado com o Pedro? Posso vê-lo?

– Bom, querida. Ele se queixou de dores na barriga pela manhã. Nós achamos que ele tinha comido chocolate demais e não demos muita importância. Mas durante o dia ele foi piorando e a noite, quando fui colocá-lo na cama estava com febre. Os médicos disserem que é apendicite e terão que operá-lo. Vou levá-la até o quarto. A cirurgia vai ser daqui uma hora.

As duas me levaram até o leito de Pedro. A imagem do pequeno menino com dor partiu meu coração. Ele estava pálido e chorava baixinho. Eu precisava fazer alguma coisa.

– Oi, Pepe! – digo me sentando na cama, ao lado dele com muito cuidado.

– Oi, Bel. – ele diz choroso. – Minha barriga dói.

– Eu sei, querido.

– Por que?

Hum, alerta de pergunta difícil!

– Tem um negócio dentro da nossa barriga que não serve para nada. Só serve para doer. Não é nada. Os médicos vão lá e tiram. Ai você fica bom. Aconteceu comigo!

Aproximo-me dele e levanto um pouco minha blusa.

– Está vendo essa marquinha aqui? Foi quando tiraram esse negócio de mim. Eu era pequena como você.

– Doeu muito?

– Nadinha. A gente dorme e quando acorda tudo está bem.

Ele pareceu menos aflito até que uma enfermeira entrou com uma cadeira de rodas.

Ela o colocou sentado e fomos de mãos dadas até a porta do centro cirúrgico.

– Vai ficar tudo bem, Pedro – diz a pequena irmã. – A Bel já fez isso quando era menor e agora ela é grande.

– Tá bom. Mas Duda...

– O que foi, PP?

– Eu queria o papai, também.

E ai o levaram de nós.

A cirurgia foi rápida. Logo ele já estava de volta em seu quarto complemente adormecido por causa da anestesia.

Duda adormeceu em uma enorme poltrona no quarto hospitalar de Pedro e a avó das crianças me convidou para um café no corredor. Paramos em frente a máquina e uma conversa muito estranha iniciou-se.

– Você é muito boa para as crianças, Isabel. É uma pena não ter aceitado a proposta que fizemos com João.

– Que proposta? – digo quase cuspindo o café.

– O quê? Ele não lhe disse nada? Eu... eu não sei como explicar. Ele nos disse que você não aceitou. Ficamos muito decepcionados. Seria bom para as crianças e...

Nesse momento João vem caminhando na nossa direção. Vê-lo depois de todo aquele tempo me perturbou. Então estava ouvindo minhas mensagens.

Vinha pisando forte, parecia verdadeiramente preocupado. Um pai desesperado.

Parou na minha frente e tentou me tocar.

– Isabel, eu....

Eu me desvie dele de um modo extremamente grosseiro. Olhei bem nos olhos dele para que visse toda a minha raiva, minha mágoa e meu ódio.

– Com licença, senhora.

Despedi-me apenas da avó e deixei o hospital.

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Gente, tive um problema na conta do Wattpad. Tudo está bem agora. Desculpem a demora.

Beijocas.

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