"Não precisávamos de diálogo. Tínhamos rostos!"
O Crepúsculo dos Deuses
- Como vão as coisas, Isabel?
A relação com a doutora Daniela tinha se revelado algo muito importante para mim. De alguma maneira era o único lugar em que eu me sentia realmente livre para dizer coisas que nem eu mesma queria ouvir.
- Ainda dificeis. - eu digo desanimada e ela se surpreende.
- É mesmo? Que tipo de dificuldades está enfrentando?
- Estou tendo dificuldade em continuar a fazer todo mundo acreditar que sou forte e que estou bem.
- Continue.
- Bom, isso sempre fez parte da minha vida. Sempre fui elogiada por minha calma e confiança em praticamente tudo o que faço, mas o que as pessoas não sabem é que estou sempre com medo e acuada. Essa minha força é apenas uma fachada e quanto mais sou admirada por isso mais dificil se torna manter a muralha erguida.
- Por que você acha que começou a agir assim?
- Acho que as pessoas se sentem mais seguras quando estão perto de alguém que sabe o que está fazendo. Quando há alguem que não titubeia, alguém sem insegurança. Essa pessoa é valorizada e eu sempre quis isso.
- Você ergueu essa muralha para que os que estão próximos de você se sintam segura.
- Não sei se é bem isso. Desconfio que essa muralha tenha me deixado presa la dentro, sozinha. Fez com que eu não precisasse de mais ninguém, apenas de mim mesma. E eu já estava acostumada com isso até que o Eric a invadiu.
- Você considera alguém ter te amado uma invasão?
- Talvez não tenha me expressado bem. O que queria dizer é que ele foi talvez a única pessoa que tenha chegado perto de conhecer a verdadeira eu e agora ele se foi e não sei mais o quem sou. Ele era tudo que eu sempre quis, só existe dor sem ele.
- Você é uma mulher forte, Isabel. Sofreu um grande trauma e vai superá-lo. Aprenda com isso, não deixe que isso acabe com você. Sua muralha foi invadida. Ela tem um portão agora. Deixe-se ser ajudada.
Durante aquela semana as noites foram longas e difíceis. No escritório as coisas andavam meio paradas. O último trabalho estava quase finalizado, e não tínhamos nenhuma outra conta em vista por isso havia pouco o que fazer. Isso era muito ruim para o mundo sombrio dentro da minha cabeça. Eu precisava de algo para dedicar minha atenção.
Em casa pensei em começar meu projeto mas a ausência de meu suposto companheiro nessa jornada fez com que sentisse que seria uma traição. Sem outras opções comecei a mexer em alguns papéis de Eric que tinham ficado comigo. Eram projetos nos quais ele estava trabalhando antes de morrer. Eram interessantes mas estavam muito crus. Eu passei horas imaginando como ele os terminaria até pegar no sono por várias noites.
João não havia mais tocado no assunto dos filmes e pelo que entendi as crianças iriam passar o fim de semana com os avós o que o safava de precisar da minha ajuda.
A chegada da sexta-feira me apavorou. Um fim de semana inteiro sozinha. Aquilo já me causava grande ansiedade mas, como nada é tão ruim que não possa piorar, naquela tarde recebi a ligação que tanto temia. Ângela a anunciou e eu a atendi em minha sala.
- Minha querida, nós vendemos o apartamento. Você precisa tirar os discos dele de lá.
- Preciso sim. - eu não podia deixar a coleção do Eric ter um fim. Ele amava aqueles CDS e eles eram parte dele.
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Os Cem Melhores Filmes
RomanceIsabel é uma jovem independente e determinada que encontra seu verdadeiro amor. Porém, isso tudo é colocado em xeque quando ela perde Eric e precisa recuperar sua confiança e esperança com a ajuda de alguém que não contava. =========================...
