46 - Cabello's House

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POV Camila Cabello

Já se fazia uma semana desde que eu tinha dito para Lauren que ela era anormal, e desde então eu não tenho conseguido dormir direito. Mal ando falando com meu pai e tenho ignorado todas as chamadas de Normani, assim como evitava ao máximo Ariana e Ally. Eu não queria ficar sozinha, mas também não queria companhia se não fosse a de Lauren.

Eu sabia que tinha sido muito cruel com ela, e aquilo me atormentava. Mas, eu sabia como Lauren era orgulhosa e que quando colocava algo na cabeça não havia quem tirasse. Então, eu tinha que magoá-la para que ela não viesse atrás de mim. Porque eu sabia que se ela viesse atrás de mim, na primeira oportunidade que eu tivesse eu iria abraçá-la e lhe dizer que eu queria ficar com ela pra sempre. E era verdade...

Eu estava jogada no sofá, olhando para a televisão, mas não prestando atenção em porcaria nenhuma, quando meu celular tocou. Olhei o visor e suspirei. Daquela ali não dava pra fugir.

Mi hija! — ouvi a voz da minha mãe do outro lado da linha.

— Oi, mãe — respondi. Pelo que me parecia, meu pai não tinha falado com ela sobre o incidente com Lauren, pois ela não tinha comentado nada comigo, e se bem conheço minha mãe, ela iria puxar o assunto para saber o que estava acontecendo. Não para brigar ou coisa do tipo, mas porque ela gostava de saber o que acontecia comigo, e ao contrário do meu pai, ela achava que eu merecia independência.

Filha, quero que você venha almoçar conosco hoje.

— Papai está aí? — perguntei.

Sim, mas...

— Não quero — falei, simplesmente, a interrompendo.

Hija, eu não sei o que aconteceu entre você e seu pai, mas sou eu que estou te chamando pra almoçar, então, esteja aqui às 12:00, ok?

— Mas, mãe... — tentei argumentar, mas sabia que não tinha como. Viver com um advogado fizera minha mãe ser menos maleável que meu pai.

Meio-dia. Convide um amigo, uma amiga — ela disse. — Chame a Normani, a Nana, a Ally, mas venha.

— Ok... — me dei por vencida.

Olhei para o relógio no criado mudo ao lado da minha cama e suspirei. Já eram 11h30. Se eu me atrasasse, minha mãe provavelmente me daria um tapa na cara. Olhei-me mais uma vez no espelho, e, sem ânimo algum, saí pela porta de casa, na direção da minha garagem.

Quando o relógio bateu 11:59, eu já estava na frente da minha casa. Um carro estranho estava ali, um tanto velho e simples demais para ser um carro de um dos clientes do meu pai, mas não fiquei observando muito. Podia ser um jardineiro ou sei lá. Identifiquei-me no portão e recebi sorrisos calorosos dos empregados que ali estavam. Tentei devolver os sorrisos na mesma intensidade, mas acho que não deu muito certo.

Estacionei o meu carro atrás do Mercedes do meu pai e desci. Eu mal tinha me arrumado para aquela ocasião. Estava usando uma calça jeans e uma regata branca, assim como meus All Stars de cano alto. Fui passando pelo jardim e entrando dentro de casa. A empregada da casa me lançou um sorriso tão caloroso quanto os outros que eu havia recebido. Eu me permiti abraçá-la. Era bom estar em casa, de certa forma.

Vi que a porta do escritório do meu pai estava entreaberta, mas não me dei ao trabalho de olhar lá dentro.

Eu estava preparada para ignorar aquela parte da casa e ir para a cozinha, quando senti duas mãos agarrarem minhas pernas por trás e me puxarem para cima. Gritei com a surpresa e me senti ser colocada no ombro de alguém e rodada pela sala. Olhei melhor e vi aquele sorriso lindo que eu tanto sentia falta.

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