49 - All Or Nothing

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POV Lauren Jauregui

Fechei minha boca e engoli em seco. O que, diabos, Camila estava fazendo ali? Depois de todo aquele tempo, o que ela estava fazendo ali, parada na minha frente?

— Camila... — foi tudo o que consegui murmurar.

— Lauren — ela disse. E então, ficamos em silêncio por algum tempo, apenas nos encarando. Senti as lágrimas chegarem aos meus olhos. Só eu sabia o quanto eu tinha sentido falta dela; daqueles lábios; do seu perfume... Ela me encarava também em silêncio e um turbilhão de coisas passou pela minha cabeça. A primeira vez que eu vi aqueles olhos castanhos na biblioteca da faculdade; quando emprestei minha jaqueta à ela, mesmo sem sequer saber seu nome; a conexão que tivemos antes mesmo de sermos apresentadas; a forma como, depois da primeira briga com Keaton, mesmo sem saber quem eu era, ela havia dito que estava ali por mim; o nosso primeiro beijo; a nossa primeira vez; aqueles dias na cabana... E cada lembrança foi um pedaço do meu coração que havia sido arrancado no momento em que Camila terminou comigo daquela forma tão bruta e sumiu da minha vida sem sequer se despedir de forma correta. De repente o ódio subiu à minha cabeça e eu quis bater nela. Ah, à quem eu estava enganando? Não, eu não queria bater nela. Já tinha perdido as contas de quantas vezes eu havia tido pesadelos com o fato de eu ter lhe dado um tapa na cara, por mais que ela tivesse merecido.

E ao contrário de todos os sentimentos que estavam em conflito e todas as vozes que ecoavam na minha cabeça, eu permaneci em silêncio diante do olhar dela. Ela estava tão diferente... Mesmo que eu soubesse que agora só tinha vinte anos, vinte e um, no máximo, eu tinha que admitir que Camila nunca pareceu tão mulher quanto estava parecendo naquele dia.

A saudade de seu corpo junto ao meu me tomou de repente, e eu quase cedi à todo o meu orgulho e a abracei. Apertei minhas mãos em punhos, tentando conter a minha vontade quase insuportável de ter Camila em meus braços de novo. As lágrimas queimavam em meus olhos, em um pedido desesperado para que eu as deixasse sair, mas eu não permitiria tal ato.

Eu já estava pretendendo sair de perto dela, fingir que nunca a vi e que ela ainda estaria sabe-se Deus aonde, queria fazê-la sumir, eu mesma quis sumir dali. Entretanto, o silêncio foi quebrado pela outra parte.

— Fiquei sabendo que se formou — ela disse, e levou a mão à nuca, aparentemente desconfortável com aquele reencontro. Eu não tinha ideia se ela tinha planejado isso ou não, entretanto, eu tinha uma pequena ideia de que Nicole estava enfiada no meio disso tudo. Ah, quando eu pudesse, eu iria dizer umas poucas e boas para aquela vadia. — Parabéns.

Camz tentou esboçar um sorriso, mas aparentemente a situação estava desconfortável o suficiente para que ela conseguisse exercer tal feito.

Cruzei meus braços.

— Ficou sabendo por quem? — perguntei. — Porque por mim, eu sei que não foi.

Ela deixou escapar um sorriso com o canto dos lábios. Quando ela abriu a boca para falar algo, entretanto, ouvimos Jennel ao microfone.

— Senhoras e Senhores, por gentileza, deem as Boas-Vindas à convidada da noite — Jennel disse, pegando um papel, provavelmente para ler o nome da pessoa. Quando ela olhou para o papel, seus olhos se arregalaram. Depois, engoliu em seco e limpou a garganta. Foi aí que eu percebi que Jennel não tinha a mínima noção de quem era a convidada que iria cantar. — Camila Cabello.

Franzi o cenho na direção dela, mas ela apenas partiu para o palco, com o mesmo sorrisinho prepotente que havia mostrado antes. Eu odeio essa mulher, pensei. Deus, como eu amo essa mulher.


POV Camila Cabello

Se por um lado aqueles dois anos e meio que passei longe do Brasil foram os melhores anos para mim, profissionalmente, eles também haviam sido os piores emocionalmente. Havia perdido as contas de quantas vezes tinha ido dormir chorando igual a uma criança, deixando minha colega de quarto toda preocupada com a minha saúde.

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