Capítulo 27

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Estamos iguais a eles. Vestidos de pretos e rapidamente nos juntamos a um bando. Estamos com um capuz que cobre nosso rosto, todo cuidado é pouco. Alguns dos jovens estão armados.

Reconheço o líder do bando. Escuto o chamarem de Nicholas, ele é negro e possui tatuagens diferentes de todos os outros, elas são brancas. Aqui também há crianças e adolescentes.

— Escutem bem. Todos estão de olho em nós, então acho que o que conseguimos hoje é o suficiente. Vamos voltar ao casulo gente. – Diz ele em pé em um tonel em um beco escuro.

Sorrateiramente todo o grupo vai se esquivando pelas ruas de nova fábrica e caminham em direção ao grande muro que divide as realidades.

Um homem branco e tatuado empurra uma grande pedra que está atrás do muro revelando um grande buraco que serve de passagem a todos. Em pouco tempo todos estão do outro lado do muro.

Eles carregam mochilas, sacolas e alguns produtos roubados na mão. Estamos indo em direção ao lixão, onde tudo provavelmente irá ser escondido.

Pela primeira vez vou visitar onde Mamãe trabalhava, o cheiro é forte e o lugar é extremamente poluído. Percebo a cara de nojo que Abe está fazendo.

— Eu falei para você fechar a boca mocinha. – Diz Nicholas para mim. Eu dou uma risada, e cubro mais meu rosto.

Em fila eles começam a guardar em um casebre tudo que foi roubado, alguns ficam com algumas coisas como comidas, lanternas e roupas.

Ficamos distantes do movimento com Abe e Robson, nós queremos encontrar a Bolhax. Vasculhamos o local até que Abe enxerga algo redondo e grande coberto por uma grande lona. Sorrimos na hora.

Tiramos a lona e empurramos a Bolhax para o lixão. Estamos tendo todo o cuidado para não atraímos a atenção dos salteadores.

Algo rouba a minha atenção. Dezenas de pessoas começam a chega no lixão e a pegar bens que os salteadores dão. Há muito tempo, aprendi com minha irmã a história de um pequeno herói que roubava dos ricos para dar aos pobres. Robin Hood.

Não contenho o sorriso. Sim, existem pessoas que querem combater a desigualdade. Largo a Bolhax e vou em direção a grande fila de pessoas. Pego objetos e começo a distribuir, faço igual a todos. Um objeto para cada pessoa. Agora eu sei da onde a Mamãe tirava objetos para decoração da nossa casa.

Não demora muito e Robson está ao meu lado ajudando na distribuição, apenas Abe ficou lá atrás. Ela deve estar vigiando a Bolhax. Uma criança chega perto de mim, e eu vejo seus olhos brilhando. Ela aponta para um urso muito bonito que está no chão. Eu pego, limpo da sujeira do chão e entrego para a criança. O sorriso que ela dá é impagável.

FILHOS - [COMPLETA]Onde histórias criam vida. Descubra agora