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Gustavo e André estão em carros separados, indo para a mesma delegacia que foram na semana anterior, quando foram seguidos. Os policiais não são os mesmos, e insistem apenas em aguardar até que dê 24 horas para fazer um boletim de ocorrência de pessoa desaparecida, deixando os dois frustrados e irados.

André está no telefone agora, conversando com Miguel, que berra do outro lado da linha, fazendo Gustavo duvidar se está lembrando corretamente de qual irmão é qual, pelo seu encontro com eles no hospital.

Ele está encostado em seu carro, tentando pela milésima vez rastrear o aparelho dela, mas sem sucesso. O maldito deve ter desligado o celular... ele não quer imaginar o resto que possa estar acontecendo com ela neste momento.

Quais outras opções ele tem nessa situação tão assustadora? Só ele e André estão dispostos a procurar por ela nesse momento, e sem ideia de onde possa estar. Ele tenta se recordar de todos os detalhes mórbidos que Melinda compartilhou com ele quando contou do seu terror passado ao lado de Fernando.

Que tipo de pessoa é capaz de perseguir outra por tantos anos, com o pretexto ridículo de que a ama. Gustavo sabe o que é amar Melinda... e isso não consegue parecer normal para ele. Gustavo pensa rápido e liga para seu amigo Bento. Um psiquiatra renomado como ele pode ser capaz de ajudar Gustavo a fazer um perfil do maldito, a pensar como encontrar uma pessoa doente como ele, que não quer ser encontrada.

Oi Gustavo! Como está meu amigo? — a voz do médico parece bem melhor do que no dia anterior, quando ele o forçou a fazer uma hipnose nele. Eles ficaram até tarde da madrugada remexendo em todos os aspectos que tinham, para tentar chegar em alguma solução às perguntas de Gustavo. Sem muito sucesso.

Agora suas perguntas são outras, e o amigo realmente pode começar a pensar que Gustavo esteja precisando de ajuda médica.

— Oi Bento... cara, estou com um problema. Você já trabalhou com a polícia, certo? Para traçar o perfil psicológico de alguns criminosos — ele não tem tempo de introduzir o assunto lentamente, precisa ser direto.

Sim, Gustavo... isso já faz um tempo, cara o que isso tem a ver com o que nós fizemos ontem? Essa história tá ficando cada vez mais estranha...

— Pois essa é a minha vida, Bento! Merda... cara, só preciso que você me diga, onde uma pessoa que voltou pra terminar um serviço sujo, onde ela se esconderia agora? — Gustavo não está com paciência, cada segundo podendo significar a morte de Melinda.

Oi oi oi, calminha aí. Você precisa me explicar melhor... e melhor que não seja por telefone. Você pode vir aqui? Eu cancelo meus compromissos de agora, não eram muitos, mesmo — ele escuta Bento gritar alguma coisa para Aline, e Gustavo tenta chamar a atenção de André, que está quase chorando no telefone.

— Estou indo agora. Em 10 minutos eu chego — ele desliga sem se despedir, indo até André e colocando uma mão em seu ombro — me dá o telefone. Quero falar com o irmão dela.

André hesita, mas entrega o telefone para Gustavo, que respira fundo antes de enfrentar a tormenta que o espera do outro lado.

— Alo? Miguel? É o Gustavo — ele tenta manter sua voz calma – se ele já está desesperado estando próximo, nem quer pensar em como deve ser para os irmãos dela que estão há milhares de quilômetros de distância.

Ah seu filho da puta! A culpa é sua né? CADÊ A MINHA IRMÃ? — Miguel está exatamente como ele esperava. Surtando.

— Se acalma. Nós estamos fazendo o possível, já fomos na polícia... pelo menos temos a certeza de que ela foi levada... uma amiga do trabalho viu tudo. Não tem como ficar na dúvida do que aconteceu. Escuta — ele interrompe quando Miguel faz questão de continuar seus xingamentos — eu preciso que você me conte todos os detalhes do Fernando que sabe. Vocês conviveram por um bom tempo antes de todo aquele inferno acontecer, não foi? Você precisa se acalmar e se lembrar de tudo. Estou indo ver um amigo e ele pode nos ajudar a descobrir onde ele poderia se esconder.

A Chance do TempoOnde histórias criam vida. Descubra agora