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Leonardo veio em minha direção e apertou meu rosto.

- Eu não sei o que desejo mais agora, te foder ou matar você. - Seu aperto era forte, olhou meu corpo de cima a baixo, sentia falta do meu anjo mais tinha medo do que ele poderia ter se tornado.

Apertei sua mão e a tirei do meu rosto, de primeira ele não teve uma reação. Seus olhos negros o deixavam surpreendentemente lindo. Algo em mim me dizia que essa "outra pessoa" dentro dele logo iria sair, afinal, ele era filho do diabo.

- Leonardo, o que aconteceu com você? - Falei após me afastar um pouco mas sem sair da sala, o corpo decapitado de Félix estirado no chão parecia não incomodar nenhum de nós dois.

Ele começou a gargalhar.

- Que nome patético é esse que me deu dessa vez? - Olhou em meus olhos sem se aproximar.

- O seu! O que fizerem com você? - Comecei a sentir meus olhos se encherem novamente de lágrimas, ele aparentava não se lembrar de nada.

- Meu nome é Harry sua estúpida, o que está passando pela sua cabeça? - Sorriu enquanto me fitava, o medo tinha voltado. - Acha que vai aparecer e destruir minha vida mais uma vez? - Gritou com raiva.

- Pelo amor de Deus, preciso tanto de você! Precisa se lembrar do que tivemos! De tudo que nos fomos! - Estava desesperada, a única pessoa que importava pra mim me odiava agora.

- O que tivemos não me interessa. - Parou na minha frente e segurou meu cabelo com força. - Afinal, você é apenas uma prostituta.

E então me beijou, suas palavras machucaram o meu coração, mas eu precisava dele, e como precisava.

Ele me beijava com um sentimento diferente, não era mais calmo nem gentil, tinha força envolvida, uma mistura de desejo e raiva, mas eu sabia que ele também sentia minha falta.

Interrompi o nosso momento, sentia gosto de menta e sangue na boca, apesar da saudade, precisávamos sair daqui.

- O que pensa que está fazendo? - Perguntou, seus olhos tinham voltado ao verde esmeralda.

- Vamos morrer se continuarmos aqui. - Falei sorrindo ao sentir o seu gosto novamente.

- Não, não vamos. Ou melhor, eu não vou. - Revirou os olhos.

O cheiro de fumaça estava mais forte, meus pulmões começaram a doer.

- Temos que arrombar essa porta. - Fui em direção ao corredor, ele apertou meu braço me puxando.

- Escuta aqui, vamos ver se você é realmente forte como dizem. - Me falou.

- O que? Para com essa palhaçada! Preciso de você, vamos morrer! - Puxei meu braço para que ele soltasse, estava me machucando.

Gargalhou.

- Você acha que estou brincando? - Falou sério. - Eu sou imune ao fogo vadia, sou herdeiro do trono do inferno! E você, será que consegue sair daqui? - Me prendeu na parede.

- Eu te amo, tenta se lembrar, por favor. - Implorei começando a chorar.

- Você é tão patética. - Sorriu. - Mesmo que  consiga sair daqui. - Apertou meu pescoço com as duas mãos, fechei meus olhos. - Eu vou te procurar e vou conseguir te achar, afinal, sempre te acho. Vou matar cada pessoa próxima de você para que saiba que estou chegando, e aí, só então depois de você implorar por sua morte, sua hora vai chegar.

O aperto afrochou e quando abri meus olhos, ele não estava mais lá.

Tinha me abandonado.

Caí de joelhos no chão, isso não podia ser verdade.

Queria me entregar e acabar logo com isso, mais Lúcifer não poderia sair vitorioso disso e eu ainda tinha muita coisa pra resolver, afinal, a porra da humanidade estava nas minhas mãos.

As vezes eu pensava o que deu na cabeça do Carvalho em me colocar como salvadora já que eu não conseguia nem me proteger.

Levantei com um pouco de dificuldade e com o pescoço doendo e fui em direção a sala, passei por cima do corpo jogado de Félix e me agachei em frente ao cofre, tentei arrastá-lo mas era pesado demais e por mais que eu tentasse, ele não se movia nem um centímetro.

Busquei uma chave dentro das gavetas mas só tinha dinheiro e duas armas. Não tinha nenhum número atrás de quadros que eu pudesse usar como o código.

Me sentei ao lado do corpo de Félix com uma das armas na mão sujando as pernas com seu sangue, o fogo já estava no corredor

- Nunca pensei que morreria com você, seu desgraçado. - Engatilhei a arma, era menos doloroso morrer com um tiro do que queimada. Me encostei na mesa e coloquei o cano da arma em minha boca, as lágrimas saíam de meus olhos freneticamente e a cabeça de Félix caiu no chão rolando, parou perto de seus ombros.

Ele estava com uma camisa social preta meio aberta, e só então, vi que ele tinha uma tatuagem nos peitos,  números

040612

- Seu maldito! - Gritei pedindo a Deus para que fosse o código.

Rodei os números na porta do cofre, e como em um passe de mágica, ela se abriu.

- Que Lúcifer receba a sua alma no inferno! - Chutei a cabeça daquele desgraçado antes de entrar pela pequena porta do cofre, aonde dava para uma saída.

Os primeiros metros eram estreitos e eu tinha que me arrastar. Mais na frente, ele se abria em um longo corredor com uma porta no final. Ester não tinha mentido, mas isso não iria livra-la da minha vingança, estava levando a arma comigo, tinha oito munições.

Eu precisava me preparar, a guerra estava apenas começando.

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