. Sweet Creature .

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Um limite para o sofrimento precisava ser estabelecido. Eu precisava de conhecimento, dinheiro, precisava de Leonardo comigo mas não conseguiria salvá-lo nas condições em que estava. A floresta era fria e úmida, tinha cheiro de lama e pingos constantes de chuva faziam meu cabelo grudar em minha testa que teimava em suar.

Continuei andando, procurando por alguma casa ou placa para saber aonde estava, eu sabia 4 idiomas, alemão, inglês, francês e espanhol mas a língua mais importante e quase morta eu nunca tive interesse em aprender, e puta merda, como eu iria adivinhar que essa responsabilidade toda estaria em minhas mãos?

Perdida em meus pensamentos, comecei a escutar passos atrás de mim, nos primeiros instantes pensei que fosse algo inventado pela minha mente por estar sozinha. Dei dois passos e parei, os barulhos atrás de mim também pararam. Continuei andando e os ruídos atrás de mim aumentaram, olhei para trás e não vi nada, fiz algo que qualquer humano sensato faria, comecei a correr pois minha vida poderia depender disso.

Avistei uma clareira na frente, me lembrava desse lugar, o mesmo do acidente.

Porque eu estava aqui?

Parei ao chegar no centro da clareira. A lua iluminava o único local com luz o suficiente, procurei pela árvore em que bati e meu coração começou a palpitar freneticamente. O carro de Leonardo estava parado no mesmo local, saindo fumaça como se o acidente tivesse acabado de acontecer. Isso não era real, não podia ser real.

Temi em me aproximar do veículo mas eu não iria saber o que estava acontecendo se não chegasse mais perto para ver quem estava dirigindo.

Os passos pareciam não vir atrás de mim com a Lua ao meu favor, eu sabia que podia contar com a proteção dela, não era como as últimas vezes. Agora eu tenho certeza do que devo fazer.

Ao chegar à poucos metros do carro, vi minha mãe sentada no banco de trás , a cabeça dela sangrava e ela estava inquieta. Corri para ajudá-la, até que cheguei em frente a porta do passageiro que já estava aberta e vi uma figura que aparentava ser minha mãe mais eu não sabia muito bem se era ela realmente, seus olhos estavam negros e vazios como se um abismo os preenchesse. Ela estava segurando uma criança, um bebê, ele sorria e brincava com os pés, seus cabelos eram castanhos e encaracolados, quando eu olhei em seus olhos senti meu corpo paralisar e meu coração se aquecer e despedaçar no mesmo instante.

Ela olhou pra mim, procurava por ar como se algo a sufocasse e falou.

- Sacrificabatur. Quod sit vivere, vos postulo ut reperio is.

E então tudo sumiu, o carro, minha mãe e o bebê. E pela primeira vez na vida, eu tinha entendido latim.

Ela não precisava dizer, meu coração sabia. Meu filho estava vivo.

👽 Vocês não sabem o prazer que é estar de volta :3

Capítulo dedicado a minha amada Tamireskapp obrigada por ler, por não desistir da história nem de mim, sabe que mora no meu coração ♡

*O sacrifício foi feito. Seu filho está vivo, você precisa salvá-lo.

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