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Abro os olhos lentamente por causa da claridade que invade o quarto pelas janelas e avisto Malu parada ao lado de minha cama.
- Eu viajo por um mês e você já está envolvida com o ex que te abandonou, um pediatra psicopata, uma família estranha na sala de espera e...
- Fala baixo. - imploro, pois minha cabeça não para de doer.
- Eu me ausento um tempinho há mais e você volta pra esse hospital horrível. - diz tentando dar um nó em seu cabelo crespo.
- Você ficou quase dois meses longe. Não pude me controlar. - brinco. - Se não for pra terminar num hospital eu nem me relaciono. - completo.
- Não tem graça, Lu.
- Cadê meu filho? - pergunto.
- Está com seus padrinhos. Prometi ligar assim que você acordasse.
- Eu preciso ir pra casa.
- O médico ainda não te deu alta.
- Ainda é o mesmo que fez aqueles exames em mim há oito anos?
- Não me lembro.
- Amiga, quem está lá fora? - pergunto. - Preciso saber o que aconteceu.
- Bom, não deixei Rafael entrar. Ele é desesperado demais, só passaria angústia para você. Agora ele deve estar mais calmo, então vou pedir que entre e te explique tudo. Afinal, ele que estava lá.
- Tudo bem, aproveite e ligue para o Noah, a pancada não deve ter sido grave e logo logo eu estarei em casa.
Malu me dá um beijo na testa, diz que vai ligar para meus padrinhos e some porta afora.
Levo uma mão à cabeça e percebo um pequeno inchaço, sinto um pouco de dor ao tocá-lo e decido me olhar no espelho.
Por sorte minha bolsa está ao meu lado, abro e pego minha necessaire, dentro dela retiro o espelho.
Logo vejo que estou horrível, além do galo, há manchas roxas por todo o lado esquerdo da minha bochecha, parece que levei uns 4 pontos um pouco acima da sobrancelha.
Não fazia ideia de que tinha batido com tanta força na parede.
Enquanto estou tocando nas feridas, Rafa entra no quarto.
- Oi. - diz parado à porta.
- Entre. - peço.
- Como você está?
- Parece que um caminhão desgovernado passou por cima de mim.
- Imagino. - sussurra se aproximando e sentando na cama.
- O que aconteceu naquela noite? - quero saber. Rafael senta-se na cama, ao meu lado e eu consigo me encaixar em seu abraço.
- Eu ouvi alguns gritos e saí para ver o que era. Quando abri o portão ele já tinha te arremessado contra a parede, ele estava com tanta raiva, usou tanta força que EU senti o impacto. Eu não sabia se te socorria ou se o matava. Ele foi mais rápido que eu e só deu tempo de empurra-lo no chão. Você começou a se debater então sai de cima dele e fui tentar te acudir. - sinto seus ombros tremerem.
- Está chorando? - pergunto. - Ah, meu amor. Não chore. - tento me virar para encara-lo.
- Você não tem ideia de como eu fiquei quando a vi naquele estado. Eu não acredito que ia trocar seu bem estar por uma vingança. Por não saber me controlar.
- O importante é que me trouxe aqui.
- Você demorou alguns dias para recobrar a consciência. Nunca me senti tão culpado. Eu só queria quebrar o pescoço daquele desgraçado com as próprias mãos. E você me assustou tanto.
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TOSS
Romance📚 Uma mulher altruísta, dedicada e independente se vê apaixonada por um homem com sonhos que não a incluem e tem que tomar uma decisão importante para que a vida de ambos não sejam sugadas pela imprevisibilidade do amanhã. ⚽️
