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☀️

Quando recebi o telefonema de Walker, fiquei mesmo surpresa. Estava no meio de um dia super intenso que mal tive tempo de parar e almoçar:

— Morgana? É Walker!

— Seu Walker? Olá! Boa tarde.

— Boa tarde, minha querida. Como está?

— Na correria da vida. Já fiz dois partos hoje. — Falei rindo enquanto comia meu sanduíche. — E o senhor? Tudo bem por aí?

— Tudo bem sim, minha filha. Estou somente velho. — Ele soltou um riso gostoso do outro lado da linha.

— Velho nada, Sr. Walker! Tá melhor do que eu!

— Besteira! Liguei mesmo para fazer um convite. Dia primeiro de junho é o meu aniversário. Infelizmente os meus três meninos não estarão aqui em Oklahoma para comemorar comigo, apenas o mais novo e as meninas. Seria ótimo ter a minha outra filha aqui comigo. O que acha?

Comecei a rir quando ele falou isso. Era sempre um engraçadão.

— Sr. Walker, eu não sei se poderia...

— Poderia sim. Vai ser no sábado e eu pago suas passagens.

— Sr. Walker...

— E eu tenho vários CDs do Queen, além de um disco que arrematei num leilão. Queria lhe dar.

Ele era bem persuasivo.

— O aniversário é seu e eu ganho os presentes?

— Seu presente seria vir me ver.

— Seu Walker... tudo bem. Vou dar uma olhada na minha agenda de trabalho e se eu puder ir, eu vou. Eu prometo. E não precisa pagar nada, eu posso comprar minhas passagens. Não vai pagar nada não.

— Fico feliz por ao menos tentar vir.

— Farei o possível.

Desligamos depois de conversarmos algumas besteiras. Teria que voltar ao trabalho, no final do turno, olharia o meu horário de junho.

Organizei toda a mesa e olhei no calendário. Dia 01 de julho eu trabalharia. Mas talvez pudesse trocar com alguma outra médica, isso era tranquilo. Conversei com a chefe e ela foi super agradável. Não tive problemas em trocar o final de semana.

Veria Walker no início daquele mês.

Ainda estávamos em Maio e ouvia falar sobre o festival de cerveja e música. Pela primeira vez olhei a agenda deles e vi que eles fariam um show no Kentucky exatamente no dia 1 de junho. A chance de encontrar com Ike era praticamente nula.

Encararia aquele lugar novamente por causa de Walker. Comprei as passagens e reservei um hotel para o final de semana. Liguei para Walker e disse que estaria lá no dia.

Agora era esperar e torcer para que Ike não aparecesse. Fechei o notebook e meus pensamentos foram para lugares desconhecidos. Novamente estava pensando em como poderia aguentar aquilo. A família do meu ex-amigo/namorado era louca por mim, e eu era louca por eles. Como aquilo poderia dar em boa coisa? Como poderia aguentar tudo sem um fio de mágoa ou ressentimento. Eu tinha ressentimento. Doía vê-lo beijando a ex só em pensar. Como conseguiria encara-lo depois daquilo.

MORGANA (CONCLUÍDA)Onde histórias criam vida. Descubra agora