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Todos mantivemos nossos olhos focados na vidraçaria embaçada da porta de entrada, e mesmo que nenhum de nós dissesse algo, a tensão e o medo eram perceptíveis. O primeiro a dar um passo foi meu pai causando em mim a reação automática de segurar seu pulso com firmeza. Ele me olhou e assentiu suavemente como se dissesse: "Fique atrás de mim". Assim que a porta foi aberta o caos ficou óbvio; pessoas corriam entre os carros parados, buzinas soavam constantemente, poeira, papéis e folhas eram carregadas com o vento. Tudo me remetia à 2012.
Meu cabelo, que estava amarrado em um rabo de cavalo, balançou quando comecei a correr para alcançar meu pai, algumas pessoas esbarram em mim até que eu conseguisse ficar lado a lado com ele; seus olhos se encontraram com os meus e ele captou a pergunta silenciosa que fiz.
– Sexta-Feira, o que temos? – Perguntou depois de colocar o óculos no rosto.
– Não sei. Estou verificando.
– É melhor guardar a Jóia do Tempo no bolso, Doutor. – Meu pai gritou para o homem que vinha logo atrás de nós.
– É melhor eu usá-la. – Respondeu fazendo seu "jutsu" ou sei lá o que com as mãos.
Provavelmente seria a hora perfeita para fazer uma piada, mas a ansiedade que começava a surgir em meu corpo me impossibilitou de pensar em algo apropriado para o momento inapropriado.
Segui meu pai quando ele saiu de trás da parede e começou a caminhar para perto do que causava toda aquela bagunça. Uma mão rodeou meu pulso e parou meu percurso, ao olhar para trás encontrei Stephen me encarando seriamente como se pudesse ler toda a minha expressão corporal e facial. E talvez ele possa.
– Fique atrás de nós. – Não sei se foi uma ordem ou um pedido, mas acatei independentemente.
Os dois homens andavam quase pareados deixando um espaço vago entre eles, eu os segui alguns passos atrás com a cautela que nenhum dos dois parecia ter ao se aproximar da nave alienígena em formato circular com o centro vazado que flutuava entre os prédios e era a causadora de toda aquela bagunça.
– Sexta-Feira, evacue o sul da Rua 43. Notifique os socorristas. – As ordens de meu pai foram ditadas quando ele parou para ver o que estava acontecendo.