Persistência

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***Bryan

Depois que minha mãe foi embora, fiquei sozinho naquele quarto silencioso. Tudo que ela havia me dito ficava se repetindo na minha mente, me causando uma certa confusão.

Eu não queria, em hipótese alguma, dar o meu braço a torcer e sequer pensar por um minuto que minha mãe pudesse estar certa. Eu sentia uma certa raiva... Ah, se ela soubesse...

Se dona Vallentina soubesse que o motivo de minha revolta não tinha exatamente nada haver com ela ou qualquer outra pessoa... Se ela soubesse que não era somente a saudade que eu sentia do meu pai que me machucava tanto... Se soubesse que o motivo de eu odiar o mundo ao meu redor, era porque eu me odiava.

Na realidade... Quem eu mais odiava, ou talvez a única pessoa que eu odiava verdadeiramente, era a mim próprio.

Me peguei chorando em silêncio, enquanto mantinha meu olhar fixo em um ponto do teto. Minha vontade era de me levantar daquela cama, gritar e colocar minha ira toda para fora, quebrar tudo que estivesse ao meu redor... Mas eu sequer tinha forças para isso. Eu continuava me sentindo fraco demais.

Ouvi o barulho da maçaneta da porta sendo girada. Mais que depressa, levei um dos meus antebraços até o meu rosto secando qualquer vestígio de lágrima que pudesse denunciar a alguém que eu havia chorado. Não queria, nunca permitiria, que alguém soubesse da minha verdadeira dor interior.

Quando a porta foi aberta, um homem de meia idade, usando óculos redondos, entrou no quarto segurando uma prancheta. Ele tinha cabelos grisalhos, era magro e alto.

Ao julgar pelo jeito que ele estava tão bem vestido e que por cima da elegante roupa ele usava um jaleco branco, deduzi que ele devia ser o médico.

Ao se aproximar de meu leito, ele abriu um sorriso simpático e, perguntou educadamente:

- E aí, rapaz! Como está se sentindo?

- Acho que bem. - Fui seco ao respondê-lo.

- Tem certeza? - Ele me olhava desconfiado.

Eu, ainda me sentindo um tanto mal, com certo receio de esconder algo do médico, resolvi ser franco:

- Estou me sentindo meio fraco... É como se meus músculos estivessem tipo tremendo... Não sei explicar direito, doutor.

- Entendo... - Ele começou a anotar algumas coisas no prontuário preso à prancheta.

Em seguida, ele largou o mesmo sobre a mesinha de cabeceira, voltou-se para mim e disse:

- Preciso ouvir seus batimentos.

Ele posicionou o estetoscópio sobre meu peito. Ele me examinava com muito cuidado... Pedia que eu inspirasse e soltasse o ar de meus pulmões lentamente.

Depois de breves minutos, ele apanhou a prancheta novamente e recomeçou a fazer mais algumas anotações. Ao término de sua tarefa, ele me olhou e perguntou:

- Está sentindo alguma dor no peito ou algo do tipo?

- Não. Tô de boa. - Fui seco.

- Hum... - Ele contorceu os lábios. - Bom... De antemão posso te dizer que está tudo bem com você, mas vou pedir um exame específico que pode demorar alguns dias para ficar pronto.

- Tem algo de errado comigo, doutor? Que exame é esse? - Franzi o cenho.

- Não, rapaz! Você está ótimo. É só mesmo uma precaução. Seu coração está com os batimentos meio desregulados, mas creio que seja algum sintoma provocado pelo incidente de ontem à noite.

B and E [Livro 3]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora