Tudo Que Eu Não Precisava II

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***Esteban

Caminhávamos pelo corredor que levava até à sala de aula. Xandryni continuava com a cara de quem tinha sido atropelada por um caminhão.
Ainda faltavam alguns minutos para o sinal do início das aulas tocar.

A garota ajeitou o enorme óculos escuros sobre o nariz e falou:

- Então... Fiquei com tanta raiva depois que me contaram o que aquele aquele branquelo imbecil fez, que acabei me esquecendo... Como foi a entrevista lá na tal clínica, Esteban?

- Foi muito boa, amiga... Eu conseguia a vaga. - Respondi.

- Jura???!!! - Xandryni ficou totalmente eufórica. - Que notícia maravilhosa!

- Sim. Eu começo ainda essa tarde. - Sorri.

- Nossa! Mas já?!

- Ué, Xandryni... Essas coisas não esperam. - Benjamin entrou na conversa.

- É... Isso é verdade. - Concordou ela. - Vamos ficar torcendo para que você se saia muito bem, gatinho. Sabemos que você vai dar conta do recado direitinho.

- Esteban é fera! Ele vai se dar bem. - Disse Ben.

- Obrigado pelo apoio, gente... Vocês são os melhores. - Olhei de um para o outro. - Mas no momento, estou com outra preocupação em mente... Uma coisa de cada vez.

- Tá preocupado em ver a cara daquele lixo de garoto que te bateu de novo, não é? - Perguntou Xandryni.

- Nem é isso, sua boba! - Respondi. - Vamos esquecer o Bryan por enquanto?

- Nunca! - Ela puxou os óculos para baixo e me encarou por cima dos mesmos com os olhos vermelhos feito brasa.

- Você não tem jeito, não é mesmo?

- Mas, enfim... - Interrompeu Benjamin. - O que mais está te deixando preocupado além disso?

Olhei para ele e respondi:

- Mary Louisie!

- O que aquela garota maluca foi fazer, hein? - Questionou Xandryni.

- Não faço a mínima idéia. - Falei.

Ao terminar de falar, já estávamos chegando perto da porta de entrada da sala. Professora Jéssica estava de pé encostada na mesma. Ela observava a nós três com atenção em silêncio absoluto.

Xandryni foi a primeira a passar pela mulher, em seguida foi Benjamin... Ambos a cumprimentaram com um simpático bom dia.

Quando eu ia passar por professora Jéssica, ela me parou:

- Bom dia, Esteban! O que houve com seu rosto?

Fiquei sem resposta. Olhei para o interior da sala e notei que quase todos os alunos já estavam presentes. Louisie, inclusive, já estava acomodada em seu lugar na fileira do meio e me observava com uma cara de quem tinha aprontado algo.

Sem saber que resposta dar para a professora, eu apenas respondi:

- Sofri um pequeno acidente, professora... Nada demais.

- Tem certeza? - Ela franziu o cenho e cruzou os braços.

- Sim... - Eu não conseguia imaginar onde ela estava querendo chegar com aquela conversa. - Não precisa se preocupar.

Quando eu dei um passo à frente para entrar na sala, ela me impediu de imediato:

- Eu ainda não terminei de falar, rapazinho.

- Perdão. - Virei-me para ela. Meu rosto queimava, eu me sentia totalmente envergonhado.

Professora Jéssica deu um suspiro e me olhou com certa ternura. A seguir, começou a falar em um tom de voz bem baixo... Para que ninguém mais, além de mim, pudesse escutar:

B and E [Livro 3]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora