Confusões Perigosas

230 44 6
                                        

***Esteban

Eu estava totalmente tenso. Ver o olhar fulminante com que meu pai nos encarava, era assustador.

Ao contrário de mim, Bryan parecia estar super tranquilo diante daquela situação desconfortável.

O homem na porta, estava com cara de quem não dormia já faziam alguns dias. Mas para meu breve alívio, ele não parecia estar bêbado.

Quebrando aquele tenso silêncio inicial, ele me encarou diretamente e perguntou com um certo tom de agressividade na voz:

- O que você está fazendo aqui???... Com ele???!!! - Fitou Bryan em seguida.

- Viemos conversar com o senhor. - O rapaz respondeu de imediato.

- Eu estou falando com esse filho ingrato! Não me dirija a palavra, seu... - Meu pai preferiu não terminar a frase.

- Pai... - Com a voz bastante trêmula, tentei amenizar o clima pesado daquele primeiro contato. - Por favor, se acalme e apenas ouça o que temos a lhe dizer.

- Eu não tenho nada pra falar com vocês! - O homem aumentou o tom de voz. - Eu já não te disse que era pra ficar longe desse garoto, Esteban?! - Finalizou apontando para o outro.

- Senhor Ethan, acho melhor se acalmar! - Pediu Bryan com uma educação que eu desconhecia até então.

- Não me peça calma, garoto! Quem você pensa que é para vir até minha casa mandar eu me acalmar?! - O clima estava ficando cada vez mais tenso. Meu pai com certeza não demoraria a nos expulsar, se as coisas continuassem seguindo aquele rumo.

- Pai!... - Agora era eu quem aumentava o tom de voz. - Dá para, por favor, ouvir o que viemos falar antes de se alterar?!

- Garoto insolente! Como ousa falar com seu pai desse jeito?! - O homem, cada vez mais, parecia uma fera incontrolável. - Eu já disse que não tenho nada para falar com vocês! Vão embora!!!

Dizendo isso ele empurrou a porta. Antes que a mesma batesse em nossas caras, Bryan colocou o pé na frente impedindo e ignorando totalmente a ira de meu pai.

- O senhor vai ter que nos ouvir sim!!! - Gritou o garoto. Aquele estado nervoso dele eu já havia visto antes.

Bryan, então, empurrou a porta e foi entrando na casa. Eu não conseguia acreditar que aquela loucura estava acontecendo. Eu sabia que o garoto podia ser imbecil às vezes, mas não imaginava que fosse tanto, ao ponto de invadir a casa de um homem tão violento quanto meu pai.

Com medo do que poderia acontecer a seguir, imediatamente entrei na casa atrás do meu acompanhante.
Assim que coloquei os pés naquela sala suja, percebi que os ânimos estavam ainda mais alterados.

- Saia da minha casa agora, garoto! - Gritava meu pai.

- Eu não vou sair até o senhor nos dar respostas! - Teimou Bryan.

- Que respostas?! Eu lá te devo satisfação de alguma coisa, seu pirralho?!

- Talvez a mim não!... Mas a teu filho sim! - A valentia de Bryan ao enfrentar o homem, era assustadora.

- Você está maluco! Não tenho nada a dizer sobre porcaria nenhuma!

- Se o senhor não abrir esse bico, eu vou dizer à polícia que tu é cúmplice na morte da própria esposa! - O rapaz cuspia as palavras sem medo das consequências.

Um breve minuto de silêncio invadiu aquela sala barulhenta. Meu pai olhava para Bryan com fogo nos olhos. Ele parecia estar disposto a avançar sobre o mesmo, e usar a força para arrancá-lo dali.

B and E [Livro 3]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora