Bryan, o Imprevisível X

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  ***Esteban

Eu conhecia aquele lugar... Minhas pernas estavam um pouco bambas, minha boca salivava muito, uma certa náusea leve me atacava.

Soltei a mão de Plínio e arregalei os olhos. Ainda não havia entendido o que tinha acabado de acontecer... Em um instante, estávamos em um beco na lateral da cafeteria e em um piscar de olhos, estávamos dentro daquele banheiro.

Ainda meio tonto, dei uma boa olhada ao redor. Confirmei que aquele banheiro tratava-se do que ficava no térreo da clínica.

Senti algo subir pelo meu esôfago, não conseguiria mais conter aquela situação. Corri até uma cabine  reservada do local, abaixei-me e, quase que coloquei minha cabeça dentro da privada. O que era inevitável veio, acabei vomitando.

- Você está bem? - Ouvi a voz preocupada do rapaz atrás de mim.

Depois de alguns minutos naquela posição de cócoras, aquela sensação estranha de náuseas cessou. Eu sequei minha boca na manga do casaco, levantei-me, e então, virei para olhar Plínio:

- O quê foi isso???!!!

Ele deu um meio sorriso, ergueu a sobrancelha direita e deu de ombros, logo em seguida falou:

- Vai ficar tudo bem. É só um efeito colateral causado em quem não está familiarizado com isso.

- Como foi que você fez isso?! - Eu estava impressionado. - Em um instante estávamos perto da cafeteria, e no outro já estávamos aqui!!!

- Ainda não se acostumou, não é? A gente pode fazer coisas que você nem imagina. - Ele deu um passo para trás, me dando passagem para que eu saísse do reservado.

Acionei a descarga, passei por ele, e caminhei até a pia da bancada do banheiro. Por cima de toda a extensão do mesmo, havia um grande espelho. Encarei o meu reflexo... Eu estava acabado.

Abri a torneira, lavei o meu rosto para tentar disfarçar um pouco a minha cara abatida. Ao terminar, voltei a fechar o fluxo d'água e sequei minha face com toalhas de papel descartáveis.

Plínio estava parado no meio do cômodo. Me olhava atentamente, enquanto eu fazia todo aquele ritual. Apoiei minhas mãos sobre a bancada, e encarei o rapaz pelo reflexo no espelho. Depois de dar um profundo suspiro, perguntei:

- Vai me explicar o que foi isso?!

- Eu nos teletransportei. - Ele sorriu. - Isso é magia! - Arqueou as sobrancelhas, por fim.

- Acho que nunca vou entender... Acho que nunca vou conseguir me acostumar com tudo isso!

- Com o tempo você se acostuma sim. - Plínio colocou as mãos nos bolsos do casaco. - Segundo eu fiquei sabendo, Thales também teve um pouquinho de dificuldade, no início, para entender esse nosso universo... E veja só hoje: ele é um de nós... O que está destinado a ser o mais poderoso de todos nós!

- Como assim???!!! - Franzi a testa totalmente surpreso. - Então quer dizer que... O Thales não era como vocês?

- Ah! Ele era... Só não sabia na época... E nós também custamos um certo tempo a descobrir.

- Nossa! - Exclamei. - Mas... Como você fez isso de nos teletransportar? Isso quer dizer que, você pode nos levar para qualquer lugar?

- Calma... - Ele deu uma risadinha. - Também não é assim. Isso é um feitiço, e todos os feitiços têm suas limitações... Se teletransportar de um lugar para o outro, por exemplo... Eu tenho que ter uma memória do local. Eu já tenho que tê-lo visto antes, mesmo que à uma certa distância. Não é algo tão simples.

B and E [Livro 3]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora