Prelúdio VI

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***Bryan

Aquela conversa com minha mãe fez eu me sentir muito mais leve. Eu realmente precisava tirar aquele peso, que já me causava agonia há um certo tempo, do meu coração.

Eu sempre soube o quanto dona Vallentina era uma boa mulher, mas eu não imaginava que ela pudesse ser tão compreensiva em relação à um assunto tão delicado como minha sexualidade. Se eu soubesse que ela levaria aquilo tão na boa, talvez eu tivesse tomado coragem de me revelar antes para ela, teria me poupado muito sofrimento e muita dor de cabeça.

Agora ela havia voltado a sentar-se no sofá próximo aos pés da cama. Continuava esperando por Esteban. Eu, enfim, havia sido liberado a tomar água, e logo mais poderia comer.

Faziam poucos instantes que doutora Suzana havia passado em meu quarto para fazer uma checagem geral. A mulher disse que se minha recuperação seguisse aquele ritmo, logo eu poderia voltar para casa.

Eu estava mais aliviado. Já me sentia melhor e as leves dores que eu sentia no corpo logo que acordei, já haviam cessado. Arriscaria em dizer que, eu estava me sentindo como novo.

Eu preferia ignorar aquela costura no meu peito, afinal, logo aquilo iria cicatrizar e o que me restaria seria uma marca para me lembrar do quanto eu havia sido forte. Seria minha marca de batalha, me lembrando que eu era um vencedor.

- Filho... - A mulher chamou-me com delicadeza.

- Sim? - A fitei curioso.

- Obrigada.

Eu franzi o cenho. Não estava entendendo o porque de minha mãe estar me agradecendo, eu não havia feito nada de bom para ela.

- Mulher, tá me agradecendo por quê?! - Perguntei confuso.

- Obrigada por ter se aberto comigo... - Começou. - Obrigada por me deixar fazer parte de sua vida de forma mais direta. Sinto que uma grande barreira entre nós, enfim, foi colocada a baixo. E sobretudo, obrigada por não ter desistido de lutar.

- Ah, mãe... Assim tu me deixa todo errado! Sabe que não sei lidar com estas coisas. - Desviei meu olhar em direção à janela.

Novamente o ambiente se tornou mais quieto... Eu só ouvia o som do bip ao fundo. O céu lá fora estava um verdadeiro breu. Os vidros das janelas estavam com algumas gotículas de água escorrendo devido ao orvalho noturno. Eu sentia uma vontade enorme de me levantar daquela cama e olhar pela janela, mas ainda não podia. Precisava seguir à risca todas as orientações médicas, se quisesse sair daquela clínica o quanto antes.

Ainda observando o lado externo através dos vidros molhados, dirigi-me a minha mãe:

- Mulher...

- O que foi, querido? - Perguntou ela.

- Poderia ir até à janela e me dizer o que vê lá fora?

- Por que isso agora, Bryan? - Ela me pareceu bastante confusa com aquele meu pedido repentino.

- Por favor... - Suspirei. - Só faça o que eu pedi.

Ouvi dona Vallentina levantar-se do sofá. Em seguida ouvi seus passos lentos pelo quarto... Não demorou muito até que ela entrasse em meu campo de visão, se aproximando da grande janela.

- O que vê? - Perguntei.

Ela apoiou uma mão no vidro e aproximou mais o seu rosto. Ficou em silêncio por alguns segundos, antes de começar a falar:

- Vejo a rua...

- O que mais? - Queria que ela prosseguisse.

- Do outro lado da rua, vejo uma praça... - Enquanto ela ia falando, eu fechei os olhos. Queria imaginar tudo que ela estava me dizendo.

B and E [Livro 3]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora