Cap. 18 - Lembranças

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Wojtyla parou diante de Sarah, impedindo a sua passagem.

A mulher ficou sem reação, tamanha a sua surpresa pela atitude atrevida do garoto, e por pressentir nele algo ameaçador.

Seus olhos podiam ver que se tratava de apenas um rapazinho de cara fechada e comportamento sério, mas o seu instinto de preservação captava algo além.

Passada a primeira impressão pela atitude inesperada do rapaz, Sarah se recompôs, metendo a mão no braço dele para afastá-lo dali.

Ela precisava socorrer a filha e aquele moleque estava de brincadeira com ela?!

-- Saia da minha frente, fedelho! Como se atreve a falar assim comigo, dentro da minha casa?!

-- Não.

No instante seguinte, tudo o que Sarah viu foi um clarão invadir seus olhos e mente, cegando-a e deixando-a entorpecida.

Foi tudo muito rápido, quase tão rápido quanto a luz que se projetou da palma de Wojtyla.

Em segundos, a mulher estava domada e tranquila, embora fosse perceptível o estado alterado do seu humor e a sua indolência.

Wojtyla afastou-se da porta, dando passagem à mulher, que sequer lhe dirigiu um olhar, como se não o visse à sua frente.

Tudo que queria era tratar das feridas da filha e levá-la à emergência do hospital mais próximo.

Wojtyla suspirou, olhando a mulher entrar por outra porta no corredor.

~*~

Yashalom esfregava os seus braços com sabão na pia do banheiro.

Um dos arranhões, o mais profundo, ainda sangrava, deixando a espuma avermelhada.

Poderia passar horas fazendo aquilo que nem perceberia, tão absorta estava, remoendo o acontecimento recente.

O dia não fora ruim, muito pelo contrário, mas havia sido estressante aos seus sentidos extra-sensoriais e essa sua discussão desnecessária com a mãe a deixou muito irritada.

Ouvindo todas aquelas desconfianças a seu respeito, sentindo-se injustiçada, teve vontade de gritar com ela e quebrar alguma coisa para fazê-la se calar.

Quando a sua vontade se tornou grande demais e sabendo que não seria realizada, a tomada estourou como se fosse a válvula de escape que precisava.

Ergueu-se, olhando-se cegamente para o espelho sobre a pia.

A água continuava a correr abundante da torneira e os seus braços ainda estavam ensaboados.

Yashalom queria entender como era possível aquilo acontecer, só porque ela queria destruir algo para extravasar sua frustração.

Ela ter provocado o estouro era tão improvável quanto se aquilo tivesse acontecido por mero acaso.

Já ouvira falar sobre como a energia de um pensamento podia influenciar o ambiente e, até certo ponto, acreditava nessa história.

Sarah entrou de rompante no banheiro, assustando Yashalom que se virou no mesmo instante.

Temia ser novamente repreendida pela mãe e temia, ainda mais, causar outro incidente inexplicável.

Foi como um animal acuado que recebeu a mulher.

-- Mãe, eu...

Ela apenas via os ferimentos nos braços ensaboados da filha.

Pegou a toalha que estava pendurada ao lado da pia e a jogou por sobre o ombro, levando os braços de Yashalom novamente para debaixo da torneira e, muito ternamente, limpando-os do sabão.

Hybrida - Asas NegrasHistórias para pegar e não largar. Descubra agora