Cap. 16 - Manipulação

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Por um instante, o tempo parou.

Embora não fosse algo terrivelmente impossível, fora um choque encontrar Victor Bogarim naquela casa.

E, o pior do que encontrá-lo ali, era saber que ele era um dos donos!

O porte altivo, o jeito comedido, a aparência muito bem tratada, levavam a especular que o rapaz fosse nascido em “berço de ouro”, mas saber que ele era filho de milionários tornava as diferenças muito maiores.

O abismo se tornava intransponível.
Victor, com a serenidade de um predador, subiu tranquilo as escadarias de Carrara, portando um sorrisinho afetado.

Moisés arregalou o sorriso, dando gritinhos de excitação, pulando os degraus e jogando-se aos braços do irmão a uns dez degraus abaixo.

Quando o garotinho passou pulando por Feliciano, o homem até tentou agarrá-lo pelo colarinho da camisa, mas Moisés foi mais rápido e esperto.

Yashalom soltou um gritinho involuntário, levando as mãos imediatamente ao rosto.

O mais velho até escorregou um degrau por conta do peso duplicado do irmão, mas conseguiu agarrá-lo com segurança pela cintura.

Quem via pela primeira vez tal brincadeira perigosa entre os irmãos, sempre ficava apavorado, mas os dois sempre brincaram dessa forma desde que Moisés era um bebê.

Embora Vitória já tenha ameaçado alguns enfartos com tais brincadeiras, os garotos nunca deram muita atenção aos chiliques dela.

Mas Victor tinha as suas dúvidas quanto a Moisés: ou o menino confiava cegamente no irmão mais velho ou ele tinha tendências suicidas...

–– Esse moleque...! Não é à toa que Dona Vitória o vigia com rigor. Yasha, você prometeu que um dia o levaria para conhecer o nosso horto: JAMAIS faça isso, entendeu?! Eu posso ir à falência com um processo que a mãe dele pode me jogar nas costas por causa das molecagens desse pirralho!

Yashalom apenas olhou rapidamente para Virgílio, concordando silenciosamente. Ainda estava apreensiva, mas não apenas pelo garotinho.

Victor tornou a subir a escadaria, desta vez com Moisés agarrado pela cintura como fosse um embrulho, que se acabava de rir.

O rapaz parou um degrau abaixo do qual Yashalom estava, ficando cara a cara com ela.

–– Como vai, Yashalom? Te encontrar em minha casa foi uma grata surpresa... – Victor foi totalmente sincero.

–– Conhece ela, Vitu?! Sabia que é ela que faz as flores da mamãe?

Victor desceu o menino, mantendo apenas a mão no ombro dele.

–– Não, não sabia! Mais uma ótima surpresa! Eu até tive a curiosidade de saber quem conseguia deixar as flores dos arranjos tão bonitas por tanto tempo, mas o pirralho aqui me disse que se tratava do senhor Virgílio... aliás, como vai o senhor?

–– Bem, muito bem, filho. – Virgílio respondeu polidamente, mas com uma rusga de desconfiança pela intimidade com que o rapaz tratava a sua florista.

–– Vitu, a Yasha um dia vai me levar escondido no jardim secreto da floricultura, sem a mamãe saber!

–– Não, não mesmo! Não enquanto você tiver esse comportamento suicida! – Yashalom finalmente saiu do estado de passividade, afastando-se e se recostando ao corrimão decorado.

Os olhos de Victor se detiveram no detalhe da decoração do corrimão: novamente os pequenos lírios-do-vale.

Esticou a mão e puxou um galhinho que veio carregado com várias das florezinhas brancas em forma de sino, girando-o em sua mão à altura de seus olhos.

Hybrida - Asas NegrasHistórias para pegar e não largar. Descubra agora