Cap. 13 - Omissões

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A tarde de sexta-feira caía mansa.

Era o final da primeira quinzena do mês e o ritmo era mais lento.

O clima estava ameno, com céu limpo e sol brando, prometendo um final de semana agradável e seco: nem calor e nem frio.

O quarto era amplo e estava mergulhado na penumbra, dando ares de mistério aos móveis e objetos.

Por ser amplo, o quarto comportava móveis grandes, inclusive uma cama de casal king size, onde estava uma mulher morena e jovem deitada de bruços, embolada aos lençóis desarrumados, ainda sentindo as contrações do sexo recém acabado, quando se dá conta de que está sozinha na cama.

Suspendeu a cabeça e procurou o seu amante com crescente indignação.

O homem, por volta dos quarenta anos, vestia-se no canto menos iluminado do quarto.

Sua expressão era apática, entediada, como quem se preparava para ir embora depois de ter cumprido uma tarefa obrigatória.

Melissa sentou-se na cama, olhando para Herbert com indignação e incredulidade.

–– Você já vai embora?!

Calmamente, o homem respondeu de forma monótona, sem desviar sua atenção dos nós que dava na gravata.

–– Preciso ir embora... não posso passar o resto do dia aqui com você.
Irritada, a mulher se levanta, encarando Herbert, com ferocidade.

–– O que está acontecendo?! Quer me pôr pra escanteio, é isso?!

Ainda mais impaciente, Herbert responde, porém sem coragem de encarar a mulher, como se tivesse medo do que ela visse o seu íntimo.

–– Não é nada disso, por favor, não faça tempestade em copo d’água! Você sabe que eu sou casado, não posso simplesmente passar uma noite fora sem antes dar uma desculpa!

A mulher ironizou, cruzando os braços e sorrindo com maldade.

–– A consciência está começando a doer, Doutor Nolasco?! Depois que curtiu, ficou arrependidinho, se sentindo culpado por trair a esposinha?

–– Está me chamando de canalha, Melissa?!

–– E não é o que é? A sua esposinha frígida não quer nada contigo e então você corre pra minha cama! Depois que goza, volta feito cachorro pra ela! Isso É canalhice, Doutor Herbert Nolasco!

–– Não tenho tempo para discutir com você! No início da próxima semana nos veremos novamente. Até lá, trate de ficar calminha!

Herbert sai, jogando o paletó sobre o ombro, sem se dignar a uma despedida decente ou mesmo um olhar para a sua amante.

~*~

O salão estava iluminado pelas lâmpadas incandescentes, pois a claridade que provinha das janelas já não era mais eficiente.

Como o dia havia sido claro e ensolarado, ainda restava um pouco de luz natural que jogava uma luminosidade tristonha sobre a sala repleta de arranjos e flores.

Yashalom entrecruzou os dedos e jogou os braços para o alto, alongando sua coluna, se espreguiçando. Por ser sexta-feira, foi um dia cheio de trabalho.

Ela não trabalhava aos sábados, exceto quando havia algum serviço extra e não houvesse ninguém disponível, então as tardes de sexta eram sempre cheias de serviço, mesmo que o arranjo fosse para outro dia.

Mas ela não se importava com essa aparente exploração de sua mão de obra.

Ganhava relativamente bem para uma aprendiz que trabalhava apenas quatro horas por dia.

Hybrida - Asas NegrasHistórias para pegar e não largar. Descubra agora