"Viagem de fim do mundo"

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"Viagem de fim do mundo"

18-08-2033

— Não consegue dormir? — Perguntou Maisie parada a porta da sala de armas onde eu havia enfileirado sobre a mesa quase todas as armas que levaríamos conosco.

De fato, não consegui dormir mais do que algumas poucas horas após Charles ir se deitar, havia tido mais uma vez o sonho do acidente com a minha mãe, havia acordado ensopado em suor e com o pensamento preso na viagem que faríamos dentro de algumas horas atravessando a fronteira e dois estados americanos. O pensamento lógico era esperar que mais cidades por todos os países estivessem sitiadas e controladas por facções e milícias assim como a cidade que tentávamos fugir. E saber que a partir do momento em que entrássemos dentro do Hyundai Nexo na garagem logo a cima de nossas cabeças, a vida daqueles três estavam em minhas mãos me deixava ainda mais apreensivo com tudo isso.

— Sonhei com o acidente da minha mãe. — Comentei não querendo falar sobre meu medo em relação a essa viagem.

Por algum motivo, sentia que Charles estava mais forte do que Maisie para ouvir de minha boca que eu estava com medo do que poderíamos enfrentar durante aquela viagem.

— Pode me contar? — Pediu ela se aproximando de onde eu estava a separar as armas.

— Foi em junho de 2025, ainda morava em Washington, meu pai tinha largado o emprego alguns meses antes. Os dois estavam brigando muito por causa dele ter desistido do seu emprego dos sonhos e por insistir que devíamos nos mudar para Toronto. Minha mãe não aceitava essa ideia maluca do meu pai e ele pra ajudar, não explicava nada sobre seus motivos e isso a deixava furiosa. Uma noite, tínhamos um jantar em uma base militar, uma falsa comemoração a aposentadoria de um superior de meu pai, estava chovendo, não era uma chuva forte, mas já fazia os carros irem mais devagar pela pista, e faltava poucos metros para a base, ela se virou para brigar comigo por estar vendendo trabalhos escolares, foi quando nós três vimos uma luz e viramos para ver o que era, uma Ranger bateu com força na porta do passageiro, minha mãe estava com cinto, mas bateu com a cabeça contra o vidro, deu morte cerebral ainda no local.

Ela ficou em silêncio.

Levou sua mão ao meu braço e o acariciou, até aquele momento eu não havia encarado seu rosto. Desde que ela havia se aproximado de onde eu estava, apenas encarava as armas que estavam colocadas sobre a mesa.

— Vamos levar tudo isso? — Perguntou ela.

— Apenas decidindo quais seriam melhores. — Respondi verificando os pentes extras dos rifles AR15.

— Pegue essa. — Disse lhe passando um rifle AR15 Aero X15.

Ela o manuseou em suas mãos, era um rifle menor e mais leve do que os que tínhamos em mãos nos últimos dias do lado de fora.

— O que acha? — Perguntei.

— Parece bom, não entendo muito dessas coisas, sinto que é mais leve do que a AK ou aquela que carreguei quando fomos a escola. — Comentou ela se referindo a MK116.

— E essa? — Perguntei lhe entregando uma Tavor X95.

Ela a pegou, posicionou em seu ombro e apontou para frente.

— Parece boa, gostei dessa.

— Fique com ela no banco da frente. — Disse.

Levantei meus olhos e encarei o rifle britânico AS50, o mais poderoso e ali, e mais pesado também, só aquele rifle pesava mais de quatorze quilos, mas já estávamos carregados demais de armas para leva-lo. Além da Tavor X95 nas mãos de Maisie, ainda iriamos levar a MK116 que vinha usando nos últimos dias, minha escopeta Magpul 870 Tactical, duas pistolas CZ 75B 9mm e um rifle de precisão SRS A2 Covert e bastante munição.

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