Toronto Maple Leafs
03-08-33
5º dia fora.
Maisie não parava de me olhar, desconfiada, o que era natural.
Se mantinha na cama, ainda deitada por causa do buraco em seu abdômen, sempre com Charles e Sara sentados cada um de um lado. Sara estava radiante por Maisie ter acordado, contando sobre ela ter ajudado a levá-la para essa casa, sobre o que havia comido, sobre a chuva forte e sobre seu sonho com o homem que havia machucado Maisie.
— Eu estou bem, não precisa ter sonhos ruins com o homem mal, — Respondeu Maisie com a voz fraca enquanto acariciava as bochechas sujas de Sara. — Ele me machucou, mas eu também o machuquei, lembra. — Terminou ela me lançando um olhar de aviso.
— Foi sorte que ele estava nessa casa e quis ajudar. — Disse Charles.
— Ele foi muito bom, ele tirou o que estava dentro de você e também me deu sopa. — Disse Sara radiante em voltar a falar com Maisie.
— Acho que devo lhe agradecer. — Disse Maisie sem tirar sua expressão séria do rosto. Era um tom de voz que mostrava o quanto estava dizendo aquilo a contra gosto.
— Não é preciso. — Respondi com o mesmo tom de voz que o dela.
— Você vive aqui? Como sobreviveu todo esse tempo? — Perguntou ela.
— Em um Bunker. — Respondi. — Vou preparar alguma coisa para você comer, precisa repor os nutrientes que perdeu.
Me virei para minha mochila que estava no chão do quarto e comecei a vasculhar em um dos bolsos laterais a procura de pequenas saquetas de sal e açúcar que eu havia encontrado em um café no primeiro dia. Despejei seus conteúdos em uma garrafa de água e sacudi até a água tonar uma cor levemente cinzenta. — Aqui, beba. — Disse lhe entregando.
— O que é isso? Eu vi você despejando alguma coisa aqui. — Sua voz mesmo rouca parecia mais grossa.
— Sal e açúcar. — Respondi sério. — É apenas soro para você se hidratar.
Voltei até a mochila e retirei um frasco de água de coco e um pacote de uvas passas. E os entreguei a ela.
— A água vai ajudar a repor o potássio do seu corpo e as uvas o ferro.
— Ele te fez algum mal? Parece um cara estranho, ninguém ajuda as pessoas sem querer algo em troca, não podemos confiar nele porque ele me ajudou. — Disse ela à Charles em francês.
Pensei por um segundo em deixar ela acreditar que eu não entendia o que ela dizia, mas de um jeito ou de outro isso não mudaria. Se continuássemos juntos por mais alguns dias ou apenas algumas horas era melhor conseguir sua confiança.
— Eu não quero nada em troca, mas concordo com você, não devemos confiar fácil nas pessoas, antes já não podíamos, agora menos ainda. — Respondi a ela em francês.
Seus lábios se contorceram e tive o prazer de soltar um leve sorriso.
Algumas horas depois armei uma nova fogueira no canto do quarto para aquecer uma lata de salsichas e uma sopa de legumes.
Maisie, Charles e Sara comeram suas porções de sopa nas tigelas coloridas do dia anterior. Maisie ainda sentia dificuldade em mastigar, e recusou as salsichas. Eu não sentia fome aquela manhã, e peguei um pacote de biscoito de arroz pela metade e retirei duas dali. Aquilo era algo que eu detestava desde a minha infância, mas desde que havia entrado naquele Bunker a três anos, aquele passou a ser meu café da manhã e acabei por me acostumar a falta de sabor daqueles biscoitos.
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ANO 2033
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