Uma esperança
Maisie evitou me encarar nos olhos e eu evitei abrir a boca para dizer qualquer coisa enquanto andávamos pelos corredores daquela escola de volta para o estacionamento. Atravessamos a porta de metal da entrada e andamos com muito mais calma do que deveríamos em direção a casa onde Charles e Sara nos aguardavam.
Queria saber o que se passava na cabeça de Maisie naquele momento, sentia seus olhos em mim, mas sempre que a encarava, por mais breve que fosse, ela os desviava. Como se o contato visual nos obrigasse a dizer alguma coisa naquele momento.
E eu queria mesmo dizer algumas coisas a ela, dizer que havia gostado daquele momento, daquele beijo, falar que a achava atraente e saber se para ela aquilo havia sido um erro, esquecíamos aquele momento, mas se seu pensamento fosse o mesmo que o meu, desejaria repetir aquele beijo novamente.
Mas sempre que eu pensava em abrir a boca, ela parecia apertar o passo para se afastar mais alguns centímetros de mim. Queria que ela soubesse que algo em mim havia se acendido durante aquele beijo, uma sensação boa de ter alguém a quem proteger e cuidar. E então o pensamento de que apenas eu poderia estar sentindo-se assim surgiu e esperei até que a sensação passasse e que meu corpo se acalmasse.
Já chegávamos à casa enquanto eu repetia mentalmente que não tinha tempo para isso. Eu carregava o gerador enquanto Maisie mantinha uma das mãos ocupadas em levar o garrafão de gasolina, enquanto a outra mão se mantinha a pressionar o abdômen.
— Conseguiram? — Perguntou Charles assim que passamos pela porta que dava acesso a garagem.
Levantei o braço exibindo o gerador e soltando um sorriso torto para ele.
— Já podemos sair daqui? — Perguntou ele com um imenso sorriso de satisfação.
— Sim. — Respondeu Maisie indo em sua direção. Acariciou seus cabelos castanho alaranjado e o abraçou.
— Eu por você, — Começou ela.
— Você por mim. — Continuou ele.
— E o mundo contra nós. — Completou ela.
— Tudo bem? — Perguntou Charles quando ela o soltou do abraço.
A sensação que havia sido acesa dentro de mim, parecia ter sido apagada, da mesma forma que apagava fogueiras quando estava acampando com meu pai, de uma única vez com um grande balde de água.
Ela fazia um grande esforço para manter seus olhos o mais longe dos meus e Charles de alguma forma parecia ter percebido que alguma coisa havia se passado e na hora seguinte que passamos ali fazendo os últimos preparativos para sair dali ele se manteve o mais próximo de Maisie possível, não saindo do seu lado em momento algum. Até mesmo deixando Sara um pouco aborrecida de ter sido abandonada dentro do carro naquele momento.
Maisie voltou a sorrir apenas quando já estávamos os quatro dentro do Kia Soul, soltou um grande suspiro quando girei a chave e o motor voltou a funcionar, como se em sua cabeça a noite passada quando ligaram o carro, tudo não tivesse passado de uma ilusão.
Me virei para olhá-la e a vi sorrir novamente, de olhos fechados apenas deixando que seus ouvidos se enchessem com o som do motor a aquecer e se propagar dentro daquela garagem.
— Para onde vamos? — Perguntou Charles um pouco impaciente no banco de trás.
— Primeiro vamos ao bunker. — Respondi de imediato. — Depois...
Encarei Maisie que pela primeira vez desde o beijo me encarou de volta com um grande sorriso.
— Pensilvânia. — Respondeu ela.

VOCÊ ESTÁ LENDO
ANO 2033
Science Fiction1° 🥇 Concurso Escritores Lendários 1° 🥇 Concurso Livros de Flores 2° 🥈 Concurso Pandora 2° 🥈 Concurso The Best Um meteoro de 15 km de comprimento se chocou com a terra no oceano Pacífico próximo a Califórnia na madrugada do dia 2 de janeiro d...