Os dias no hospital
Os dias foram passando lentamente. E aos poucos fomos conhecendo mais algumas pessoas daquele lugar. Além de ver melhor a destruição total dali. Eles dormiam nos antigos quartos destinados aos doentes internados e passavam quase que a totalidade de seus dias a cumprirem suas funções.
Ali não existia nenhum tipo de normas de não relação entre eles, o que logo notei o número grande de casais. Alguns, como Hannah e Farid permaneciam solteiros pelo motivo de terem perdido seus companheiros. Farid não gostava de falar muito da sua esposa, mas ela havia sido morta enquanto tentava atravessar a fronteira na região de Detroit.
Natasha, uma das enfermeiras, era também tatuadora, e se ofereceu a me fazer uma tatuagem a notar o quanto eu havia ficado animado vendo seus desenhos. Ela tinha uma máquina para fazer tatuagens e tintas em um dos armários vazios na enfermaria. Antes do anúncio ela dividia sua profissão de enfermeira em um hospital infantil com o estúdio de tatuagens e piercings no centro de Toronto. O jovem que nos acordou no nosso segundo dia ali, se chamava Carl, e havia integrado o exercito apenas algumas semanas antes do anúncio. O homem negro que cuidava da horta era Stweart, um ex fuzileiro da marinha que nos últimos anos vinha trabalhando em um abrigo para animais abandonados em Buffalo. Ivy, era uma garota negra de cabelos cacheados que me fazia lembrar minha mãe, era uma das bombeiras daquele lugar, além de ser a companheira de Zoey. Paul era o outro homem que cuidava da horta junto a Stweart, também era um ex fuzileiro, mas diferente de Sweart, amava a adrenalina do campo de batalha, mas agora se sentia obrigado a se manter nas funções menos agitadas desde que ficara surdo do ouvido direito após uma bomba estourar próxima dele. Farid o cozinheiro turco, gostava de conversar sobre pratos e mostrar que quase todos os pratos famosos do continente americano tinham origem na Turquia, ele era da cidade Izmir, no Mar Egeu e havia se mudado para o Canadá cerca de um ano antes do anúncio e seu único sofrimento era não ter notícias de Elif, sua irmã mais nova, quem ele tratara durante toda a vida como uma princesa. Mas ele não era o único turco ali, Aleyna era uma das mais notáveis atiradoras, havia passado pelo exercito turco e após se casar com um canadense, virou instrutora de tiros em uma cidade do norte do Canadá e era fácil encontrá-la a ler algum livro.
No quarto dia, Zoey levou Maisie até a ala médica para que pudesse ser retirado os grampos de seu abdômen, e quando tencionava a acompanhá-las, Zoey disse que seria um momento apenas para mulheres. E aquele foi a primeira vez desde que entramos naquele hospital em que não estávamos juntos. Stweart, o homem que cuidava da horta acabou por me chamar para acompanhá-lo. Como não pretendia passar todo a tarde a imaginar se Maisie estaria bem, aceitei o convite, o que faria bem a Charles e Sara estarem alguns minutos do lado de fora daquele hospital.
E enquanto arrancávamos algumas cenouras do solo, ele me contou um pouco mais sobre ele e sobre as pessoas dali. — Passei algum tempo no Peru e no norte do Brasil depois que sai da marinha. Queria conhecer mais sobre a Amazônia e tudo ali. — Me olhou com o suor a escorrer pelo rosto e sorriu. — É uma região que me fascina.
Contou que alguns poucos eram de fatos das forças armadas. No dia em que chegamos ali, ele era um dos homens que estavam atrás de mim armados quando nos renderam. — Já faz um tempo que eu não pegava em armas. Andrew confia em mim para esse assuntos pelo meu treinamento na marinha. Mas prefiro ficar aqui a cuidar da horta a apontar armas para as pessoas.
— É difícil encontrar alguém que foi por tanto tempo da marinha e depois de sair prefira não pegar em armas.
Ele arrancou mais uma cenoura antes de responder.
— Eu estive no Afeganistão, entrei em combates, matei pessoas. No inicio as mortes eram como disputa pela medalha de ouro nas olimpíadas, apenas me preocupava em quantos eu iria atirar no dia seguinte e não em quem eu iria atirar no dia seguinte. Um dia eu acertei um garoto, devia ter nove anos, De início eu não senti nada, era mais um, se não fosse terrorista, um dia viria a ser. Mas aquele garoto começou a me atormentar de tal forma que eu não conseguia mais dormir, a imagem do sofrimento de sua mãe a segurar uma foto do garoto sorrindo bem vestido para seu primeiro dia de escola foi o que faltava para eu apontar a pistola para minha cabeça,
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ANO 2033
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