As crianças de Richmond Hill

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As crianças de Richmond Hill

Fazia cerca de quinze minutos que estávamos os três sentados em volta da fogueira, eu havia colocado as duas latas sobre o fogo para aquecer. A garota já havia acabado com as salsichas restantes na lata que eu havia à mandado buscar no quarto e permanecia sentada com os joelhos juntos ao peito enquanto passava os pequenos dedos pela costura do seu tênis.

— Eu ainda não sei nada sobre vocês. — Indaguei os olhando.

O garoto olhava para as tigelas ao chão que havíamos encontrado em um dos armários da cozinha, mas seus pensamentos pareciam estar muito além daquelas tigelas coloridas. A garotinha me olhou retirando os cabelos castanhos que caiam sobre seu rosto infantil.

— Qual seu nome? — Perguntei olhando para ela.

— Sara, Sara Walker. — Respondeu ela.

— Meu pai gostava de uma série de TV que tinha uma moça com o seu nome. Sarah Walker, ela era uma mulher muito forte e corajosa que combatia o crime. — Comentei sorrindo para ela. — Eu acho que você é tão corajosa quando a Sarah Walker da série de TV.

Ela sorriu de volta, exibindo seus dentinhos pequenos, tinha o rosto angelical, o nariz pequeno e arrebitado, os olhos castanhos que quase sumiam quando ela sorria, mas ficavam constantemente tapados pelos cabelos que caiam sobre seu rosto.

— O meu é... Tob. Tob Marshall. — Compartilhei com ela.

— Ninguém se chama Tob. — Alegou Sara. — Meu amigo, Sam, ele é um homem bem velhinho, ele tinha um cachorro que se chamava Tob.

— Eu não me pareço com um cachorro. — Disse de imediato.

Ela riu levando a mão a boca para tapar sua risada e os dentinhos pequenos.

O garoto voltou a realidade e nos olhou por um instante.

— Eu estava a perguntar a ela qual o nome de vocês. — Disse olhando para ele.

— Charles. — Respondeu ele secamente.

— E ela? — Perguntei balançando a cabeça em direção a garota inconsciente.

— Maisie.

Ele não estava interessado em conversas triviais, mas era isso ou manter o silêncio por toda a noite pensando se estava agindo corretamente ou deveria tê-los deixado ali e ido para outra casa.

— Vocês são irmãos?

— Sim, ham... eu e Maisie sim, a Sara era nossa vizinha. — Respondeu ele.

As latas já começavam a borbulhar sobre o fogo baixo da fogueira a minha frente, usei algumas folhas do livro para conseguir retirar as latas do fogo sem me queimar, e despejei uma boa quantidade de creme de brócolis para as duas tigelas destinadas a Charles e Sara, o restante coloquei para mim, o que não era muito, mas seria suficiente por aquela noite. Abrir a lata de salsichas que agora estavam bem cozidas e mais saborosas que ao natural e coloquei duas salsichas para cada um de nós.

— De onde vocês são? — Perguntei dando uma mordida em uma das salsinhas. — Quero dizer, onde viviam antes de tudo isso?

— Richmond Hill. — Respondeu ele.

— O meu nome é Tobias Marshall, moro a algumas quadras daqui. — Disse estendendo a mão para ele procurando ter sua confiança. Ele estendeu sua mão e apertou a minha por um instante mantendo seus olhos nos meus, mas logo voltou a sua posição anterior.

— O que fazia nessa casa?

— A procura de gasolina, preciso de gasolina. Tentei retirar gasolina dos carros da minha rua, mas estavam com os tanques furados, alguém andou furando os tanques para roubar a gasolina dos carros abandonados antes de mim. — Disse.

ANO 2033Onde histórias criam vida. Descubra agora