Colônias

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Colônias

17-08-2033

Ao amanhecer, Maisie agiu como se nada tivesse acontecido entre nós dois. Charles por outro lado parecia um pouco mais irritado durante a manhã e desconfiei de que ele pudesse ter visto alguma coisa do que havia acontecido entre eu e Maisie.

Maisie passou boa parte da manhã sentada com Sara no carpete enquanto a garota explicava sobre os personagens que apareciam na TV.

Como nos dias anteriores almoçamos espaguete e novamente dividi alguns quadrados de chocolate com os três, o silêncio que pairou sobre nós durante aquele almoço foi algo absurdamente estranho para mim desde que havia os acolhido, e logo Sara se ocupou de assistir mais um pouco de TV, o que fez encher aquele espaço de barulho.

Começamos a refazer nossas malas, partiríamos na manhã seguinte e não poderíamos esquecer nada para trás.

A troca de olhares era constante, mesmo que durante todo aquele tempo não houvesse palavras. Charles fez questão em me ajudar em tudo que eu começasse afazer de modo a manter Maisie afastada, parecia disposto a não nos deixar sozinhos aquele dia, o que me impossibilitava de saber se estávamos bem com o que havia acontecido.

Como Maisie havia preparado nossas refeições durante os últimos dias, a deixei encarregada de contar e guardar nossos suprimentos de comida. Charles ficou encarregado de encher algumas garrafas vazias com água. E eu terminei de marcar os últimos pontos naquele mapa. Desde que eu havia começado a estudar aqueles mapas, havia notado o quanto Maisie estava certa em dizer que não sabíamos quando e onde encontraríamos uma nova fonte de água potável.

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— Você fez alguma coisa contra minha irmã? — Perguntou finalmente Charles enquanto eu o ajudava a carregar as garrafas de água para a garagem logo a cima do bunker.

— Porque essa pergunta agora? — Retruquei em defensiva. Precisava saber até onde ele sabia do que havia acontecido na noite anterior.

— Você nos ajudou, salvou a vida de Maisie e nos deu comida e segurança. E eu posso ter a metade da sua idade, mas eu acabaria com você se fizesse alguma coisa de ruim a Maisie. — Disse ele.

— Eu ainda não estou entendendo o que quer dizer com tudo isso. — Disse quando ele terminou de falar.

— Ela demorou a ir para o quarto ontem, e quando se deitou ela começou a chorar. — Disse ele finalmente.

— Não, eu não fiz nada que a magoa-se. — Respondi me perguntando se realmente tinha sido assim.

— Eu confiei em você para salvá-la e confiei em você quando ela tinha uma arma apontada para sua cabeça, não me faça acreditar que tomei as escolhas erradas.

Para sua idade, Charles sabia o que dizer.

— Charles, eu estou apaixonado pela sua irmã, porque eu faria alguma coisa de ruim a ela?

As minhas palavras o pegaram de surpresa e vi em seus olhos o quanto não esperava por aquilo.

O restante do dia Maisie me evitou como pode, preparou pela última vez uma panela de arroz e uma lata de carne e legumes. E no fim daquele dia já acreditava que ela havia se arrependido de tudo que fizemos na noite anterior e me evitar foi a forma que encontrou para lhe dar com aquela situação.

Claro que aquilo não me agradava, e não poder falar com ela estava me consumindo. Sem contar que estávamos nos preparando para uma grande viagem e me evitar não faria aquela viajar ser mais fácil ou terminar mais rápido. Mas naquele momento me vi obrigado a aceitar, mesmo que algumas vezes durante aquele dia, minha vontade fosse de lhe pegar pela mão e a levar até a sala de armas para que ela me dissesse que realmente era aquilo, que havia se arrependido e que desejava apenas chegar em Gettsburg.

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