CAP. 42 - APRENDENDO SOBRE SI

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(Narrado em 3ª pessoa)


A voz daquele senhor saiu num sussurro, mas como estava em uma distância considerável das duas, elas conseguiram ouvir. Letícia e Holland se entreolharam ao ouvir aquilo e Jacob voltou a se sentar na sua cadeira de balanço que ficava em frente à janela, permitindo a visão do cemitério improvisado.

– Eu me chamo Letícia e ela Holland. – Apontou.

– O que as trazem aqui, jovens? – Perguntou simpático. – Por favor, sentem-se. – Virou sua cadeira de balanço de lado para que pudesse intercalar o olhar entre as meninas e a paisagem sombria do lado de fora. E pontou para outras duas cadeiras que haviam no quarto, junto com uma mesa onde continha um jogo de xadrez em cima.

– Viemos atrás de respostas. – Holland falou direta, recebendo um olhar de reprovação de Letícia. – Que? – Se sentaram nas cadeiras.

– Respostas? Respostas para que? – Indagou confuso.

– Bem... – Letícia começou, tirou seu celular do bolso e pesquisou por algumas matérias que o mesmo havia escrito quando jovem. As matérias sobre o bebê diabo. – Viemos por causa disso. – Entregou o celular.

Jacob pegou o celular e pôs o seu óculos que ficava pendurado em seu pescoço por uma cordinha. Leu atentamente as matérias e se levantou rapidamente, entregou o celular novamente para Letícia.

– Eu sabia, vocês são enviadas dele. – Exclamou desesperado. – Saiam daqui! Saiam!

– Ei, calma senhor Carter! Não somos enviadas de ninguém. – Holland se levantou e tentou conter o homem desesperado antes que fizesse mais baderna e chamasse a atenção dos enfermeiros, estragando assim a chance de descobrirem algo.

– São sim, o diabo enviou vocês aqui! – Começou a tacar alguns objetos em direção as duas.

– O que?! Credo, não! Deus me livre! – Desviou de um sapato que voava em direção ao seu rosto. – EI, calma! Eu sou amiga da sua neta, Audrey. – Letícia falou um pouco alto e ele parou no mesmo instante.

– Audrey?

– Sim, Audrey Carter, é a sua neta, não é? – Sorriu e ele confirmou se acalmando, voltando a se sentar.

– Vocês também não acreditam no que eu escrevi? – Suspirou.

– Muito pelo contrário, acreditamos. – Letícia respondeu.

– Acreditamos, e muito. – Holland completou, fazendo Jacob sorrir verdadeiramente depois de tanto tempo internado naquele lugar.

– Então ela tinha razão, você realmente viria. – Jacob sorriu.

– Ela? Quem sabia que a gente viria aqui? – Holland se confundiu.

– Podes nos contar mais sobre isso? – Perguntou Letícia ignorando totalmente a pergunta de Holland e se sentando novamente também, Holland fez o mesmo. Jacob suspirou.

– Ele não é o diabo, mas é da família. – Começou a explicar. – Conhecem um pouco de mitologia?

– Pode crer que eu conheço, conheço e muito. – Holland falou e Letícia segurou uma risada. – Especialmente a mitologia céltica.

– O que eu vou contar faz parte de uma mitologia, mas não é a céltica. – Olhou para Holland. – É sobre a mitologia Inuíte, a mitologia dos povos das regiões polares. – Olhou para fora. Letícia e Holland escutavam tudo atentamente, sem dizer uma palavra. – Havia uma mulher, sem conseguir pretendentes para que pudesse se casar, resolveu casar-se com um cachorro...

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