Judith Lorraine Lynch. Quem é Judith? Tá bom, é a mãe do Daniel, mas por que esse nome me parece um pouco familiar? Deixei esse assunto quieto enquanto comíamos porque hora da refeição é uma hora sagrada, não pode ser interrompida.
– Sabe mais sobre essa Judith? – Perguntei quando terminamos de comer. Ela riu.
– Você não vai desistir tão fácil não é mesmo? – Neguei.
– Não, meu lado FBI foi ativado.
– Não, tudo que eu sei eu já te falei, agora deixa essa história de lado, se Dylan souber que estás a investigar isso, ele vai ter um treco. – Se levantou e eu a acompanhei até o caixa para pagar a minha parte.
– Que tenha, eu não vou parar até descobrir tudinho.
Saímos do restaurante e eu a levei de volta para casa. Voltei ao prédio onde eu moro e quando eu passei pela portaria, decidi perguntar ao porteiro se ele tinha os nomes dos inquilinos de cada apartamento, ele disse que sim então eu perguntei onde Daniel estava hospedado.
– Desculpe senhorita, qual Daniel quer saber?
– Existem quantos Daniel aqui?
– 6. – Fiquei pensativa por uns segundos.
– Daniel Lynch. – Falei e ele olhos nos registros.
Ele me falou o número do apartamento, agradeci e fui até o elevador. Esperei as portas se abrirem e então entrei.
– Letícia, o que tu está prestes a fazer?!
Respirei fundo e demorei tanto para sair do elevador que as portas já iriam se fechar de novo, mas segurei as portas e saí. Bati na porta de Daniel e esperei que ela fosse aberta.
– Nossa, você por aqui. – Falou sorrindo. – Não esperava
– É, eu também não esperava, eu volto depois. – Me virei para ir embora.
– Não... quer dizer, não quer entrar?
– Ah, tá bom. – Sorri para ele e entrei.
– Não repara a bagunça. – Falou fechando a porta.
– Ah eu vou reparar sim, você precisa de uma figura feminina aqui, santo Deus. – Falei e ele riu.
– Meio que essa bagunça não é minha, eu emprestei meu apartamento para um casal de amigos e eles fizeram uma festa. – Falou catando algumas roupas do chão. – Literalmente.
– Por isso o senhor estava sumido por esses dias? – Ele confirmou.
– Eu vou fazer alguma coisa para a gente comer. – Foi para a cozinha.
– Ah não precisa, eu acabei de jantar.
– Então vou ir trocar de roupa e colocar uma mais apresentável. – Correu para o seu quarto.
Fiquei olhando algumas fotos que estavam espalhadas pela casa e uma delas me chamou a atenção. Uma foto dele adolescente junto com a mãe. Peguei a foto e tentei me lembrar aonde eu tinha visto outra foto familiar. Olhei numa mesinha de canto e vi um notebook aberto, olhei na direção onde Daniel tinha ido e a barra estava limpa. Corri até o notebook e apertei uma das teclas.
– Ótimo, sem senha.
Sorri e comecei a fuçar as coisas que tinham ali. Mas logo meu sorriso desapareceu quando eu vi o nome da empresa onde Daniel trabalha. Continuei fuçando mais as coisas e achei uma pasta cheia de fotos antigas, abri uma delas e arregalei os olhos. Esse cara eu conheço, é o Matthew, meu chefe. Ele é filho do meu chefe.
– Isso, Daniel, continue trocando de roupa...
Falei pela demora. Fechei a pasta dessas fotos e abri outra e me assustei de novo.
– Por isso ele sempre estava em praticamente todos os lugares que eu.
Falei ao ver diversas fotos minhas. Saindo de casa, saindo do trabalho, dentro de casa. Um monte de fotos.
– O que você está fazendo? – Me assustei com a voz do Daniel.
– Então o tempo todo era você, você quem ligava para os repórteres, ah não, você é um deles. – Me levantei.
– Letícia...
– Por isso que você sabia exatamente onde eu estava, você me seguia o tempo todo.
– Letícia deixa eu explicar... – Se aproximou mas eu dei passos para trás.
– Você tem 5 segundos.
– Calma...
– Acabou seu tempo! Dylan tinha razão sobre você. – Fui em direção a porta mas ele segurou em meu braço.
– Ele não tem razão!
– Solta! Ou eu juro por tudo nesse mundo que eu grito! – Ele me olhava sério mas não soltou o meu braço. – Você está me machucando.
Falei e tentei me soltar. Plano B. Dei um chute no meio de suas pernas e ele caiu de joelhos, aproveitei e saí correndo. Apertei o botão do elevador e nada dele chegar, olhei para trás e Daniel estava vindo em minha direção.
– Hora de ser atleta.
Corri para as escadas e desci rapidamente. Quando eu cheguei em frente a porta do meu apartamento, procurei pela chave dentro da bolsa e finalmente achei. Olhei para o lado e Daniel se aproximava e sua cara não estava nada boa, entrei no apartamento e tranquei a porta. Escutei uma batida forte e respirei fundo.
Deixei minha bolsa no sofá e corri para o meu quarto, peguei meu notebook e pesquisei sobre Daniel na internet, ele é jornalista, tem que ter alguma coisa sobre ele. Não achei muita coisa, apenas o que eu já sabia. Resolvi pesquisar sobre seu pai, Matthew Ridgway.
– Eu não acredito nisso.
Matthew Ridgway é filho de um psicopata, mais precisamente um serial killer, réu confesso e preso em 2001 por ter cometido 71 assassinatos mas condenado apenas por 49. Gary Leon Ridgway é o nome do pai de Matthew. Todas as vítimas de Gary eram mulheres, adolescentes e prostitutas. Foi condenado a prisão perpetua, sem direito a condicional. 10 anos por cada vítima, isso equivale a 480 anos de prisão.
– Vai apodrecer na cadeia seu nojento!
Continuei lendo sobre Gary e cada vez mais eu sentia nojo. Gary ainda está vivo e tem atualmente 71 anos, mas então me lembrei do que Holland disse, antes da mãe de Daniel ir embora daqui, ele apresentou atitudes grotescas, faltou aulas e então Dylan foi até a casa dele e descobriu que eram efeitos do pai. Talvez não necessariamente do pai, mas sim do avô. Então Dylan estava certo sobre os dois.
– Aonde que você foi se meter, Letícia?! Família psicopata?! Sério?!
Me deitei na cama e enviei uma mensagem a Dylan.
"Você está certo sobre os dois."
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| Como Nos Filmes |
FanfictionVocê acredita em um mundo paralelo ao que vivemos? Acredita que possa existir um mundo como nos filmes? Imagine que, por obra do destino, sua família tens de voltar ao país natal (Brasil), abandonando assim tudo e todos em Nova Iorque, incluindo o s...
