Capítulo 5

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Narradora On.

— O quê? Isso é loucura! — Anne fala alto com o cenho franzido.


— É o único jeito. — Ele dá de ombros e ela tenta considerar aquela possibilidade.

Gilbert acabara de falar que para conseguirem entrar na sala privada do colégio (lugar reservado para professores e algumas festas dos alunos), eles teriam que entrar escondidos na sala do diretor Sebastian e pegar a chave que ficava dentro da gaveta de sua mesa.

Quando ele disse que sabia de um lugar que poderiam se divertir sem que ninguém os visse, Anne não imaginou que teria que se arriscar dessa forma pra isso.

Na hora ela negou e disse que não iria fazer aquilo, pois se fossem pegos, provavelmente seriam expulsos. Gilbert talvez não fosse, afinal ele era sobrinho do diretor.

— Gilbert, você tem noção do perigo? — Ela tenta convencê-lo de que era uma má ideia.

— Não vai acontecer nada demais, eu já entrei lá escondido antes. — Ele fala simples.

— E se pegarem a gente? — Pergunta preocupada.

— Aí a gente chora. — Fala divertido e Anne revira os olhos.

— Por que eu tenho que ir com você?

— Achei que você fosse a mais corajosa. — Ele a olha com seu costumeiro olhar intimidador.

Anne olha pro chão por alguns segundos enquanto pensa. Ela não deixaria que Gilbert Blythe a desafiasse dessa maneira.

— Ok, mas se formos pegos, você assume a culpa. — Fala se dando por vencida.

— Combinado. — Ele sorri de canto.

Eles estavam no pátio sozinhos enquanto os outros pegavam suas coisas em seus quartos.

Os amigos já sabiam do plano de Gilbert, e também sabiam que ele iria com Anne. Segundo ele, por que os outros eram medrosos demais e acabariam fazendo besteiras, mas no fundo aquela era uma desculpa para ficar sozinho com a ruiva.

Às 23:30 o zelador trancou a sala da diretoria, Anne e Gilbert observavam de longe e o seguiram em passos curtos enquanto ele ia até o quarto da limpeza.

Quando chegou lá, pendurou a chave junto com algumas outras e saiu deixando a porta entreaberta, o que eles estranharam.

— Eu vou pegar a chave. — A ruiva sussurra.

— Não, o negócio que guarda ela é alto, você não vai alcançar. — Sussurra de volta.

— Tá me chamando de baixa? — Ela se vira de frente para ele.

— Eu? Nunca... toco de amarrar pônei. — Ele fala rindo e Anne pisa no pé dele com força, ele põe a mão na boca pra não gritar e Anne corre até o quartinho da limpeza.

Anne viu uma cadeira, então colocou ela próximo ao local onde ficavam as chaves e subiu, depois de poucos segundos ela já havia voltado para onde Gilbert estava.

Ela girou a chave em seu dedo com um sorriso vitorioso, Gilbert a encara com seu sorriso de canto.

Foram na ponta de seus pés até a sala do diretor, Anne ficou na porta vigiando e Gilbert entrou.
Ele abria lentamente para não fazer barulho, e Anne olhava impaciente para ele e para a porta.

— Er, Anne... — Ele falou baixo quando abriu a gaveta.-Desculpa por ontem, sabe, com a Winifred.

— Você não fez nada, não precisa pedir desculpa. — Ela olha pra fora outra vez.

— É que, sobre o que ela falou...

— Cala a boca. — diz rápido.

— Quê? — ele a olha confuso.

— Shiii. — ela faz um sinal com a mão e eles ficam em silêncio ouvindo uns passos se aproximando.

— Merda. — ele fala entre os dentes e rapidamente tira a chave que estava guardada em meio a alguns documentos, fecha a gaveta sem trancá-la e sai correndo puxando Anne pela mão.

— A luz, idiota. Você deixou acesa. — ela aponta quando já estão longe da sala.

— Você também poderia ter apagado. — ele se defende.

— Não importa, a gente tem que apagar. Olha! — ela faz um sinal com a cabeça e Gilbert vê que o zelador estava no corredor próximo a eles.

— Fica aqui. — ele sai correndo e desvia do homem que não o viu, em um movimento rápido ele apaga a luz da sala, fecha a porta e põe a chave no bolso pois depois teria que voltar pra guardar a chave novamente.

Anne estava nervosa, então assim que voltou para o lado dela, saíram correndo, mas foram parados por uma voz.

— Ei! O que estão fazendo aqui? — eles param e congelam, e depois de alguns segundos se viram para o senhor que os olhava desconfiados.

— Ah, nada, só estávamos andando. — Ele fala e Anne concorda.

— Vocês não podem vir aqui a essa hora. Não mente pra mim, garoto. — ele cruza os braços.

— Certo, a gente... — ela começa e Gilbert a interrompe.

— A gente tava procurando um lugar pra... Você sabe. — Ele pisca e o homem arregala os olhos, assim como Anne.

— É proibido ter relações sexuais na escola, Blythe. Seu tio vai ficar sabendo disso.

— Você não precisa contar pra ele. — ela fala nervosa.

— É, cara. Deixa passar essa. — ele faz cara de cachorrinho pidão.

— Tudo bem. — ele revira os olhos. — Mas só dessa vez. Não quero ver vocês de safadeza por aí.

— Pode deixar, você não vai ver. — ele sorri malicioso e Anne chuta a canela dele.

— Vão pra cama agora. — eles assentem com a cabeça. — Mas não a mesma.

Gilbert segura a risada e Anne cora.

— Precisava mesmo falar aquilo? — fala quando saem caminhando e Gilbert ri dela.

— Você ia nos entregar, ruiva. Eu tinha que fazer alguma coisa.

— Eu não ia nos entregar, eu ia inventar alguma coisa. — ela fala se fazendo de ofendida.

— E o que você ia falar pra ele acreditar na gente?

— Também não sei. Achei que minha mente ia criar alguma coisa na hora. — Gilbert ri novamente.

Eles foram até seus amigos que os esperavam impacientes e eles preferiram não contar que quase foram descobertos.
Gilbert os guiou até o local que eles fariam sua "festinha", eles pularam animados, e Anne ainda estava tensa, mas nada que um pouco de bebida daqui a pouco não a ajudasse.

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