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Safira 🦋

Safira: caralho eu preciso ir, já tá tarde.- dei um pulo da cama e fui tomar um banho.

Vesti a roupa de ontem mesmo só até chegar em casa, meus pais já devem tá surtando. Peguei meu celular e não vi nenhuma ligação perdida deles, estranho.

Mas ok né.

Lobo: eu te deixo na barreira, espera eu tomar banho.- assenti.

Quando ele terminou a gente saiu do quarto e demos de cara com a mãe dele na sala, ela tava séria, provavelmente já deve saber da Kiara.

Anna: aí meu Deus Ryan, me explica o que aconteceu com a Kiara.- ele sentou do lado dela e contou tudo e ela só ficou mais preocupada ainda.

Anna: pelo amor de Deus, não vai nessa missão, manda os vapores trazerem ela com vida, mas não vai.

Lobo: eu vou mãe, ela é minha irmã, e eu quero matar o desgraçado.

Anna: escuta, por favor não vai. A gente perdeu o Carlos naquela mesma favela numa missão pra me resgatar, eu não quero que você morra também. - engoli seco e vi o Ryan suspirar.

Lobo: o que aconteceu com o Carlos não vai acontecer comigo mãe, eu vou voltar vivo, confia em mim.

Anna: nessa vida nada é certo Ryan.- ele suspirou e deu um beijo na cabeça dela.

Lobo: já volto, vou ali levar a Safira.- ela assentiu e me olhou sorrindo fraco.

Anna: oi meu bem, como você tá?- ela me abraçou.

Safira: preocupada.

Anna: que bom que vocês ainda atém pique pra transar né.- fiquei até vermelha e o Ryan gargalhou.

Lobo: Anna sua safadinha, escutando atrás da porta.- ela olhou com deboche pra ele.

Anna: deu pra escutar do quarto amor.- ele riu e eu me despedi saindo.

Subimos na moto e ele me deixou na barreira e eu desci.

Lobo: tchau se cuida Sasa.- ele sorriu fraco e me deu um selinho.

Safira: por favor se cuida nessa, volta vivo.- ele sorriu fraco de novo.

Lobo: eu sempre volto.- dei um beijo nele.

Safira: vocês vão hoje né?- ele assentiu - me dá notícias quando acabar, por favor.- ele assentiu e eu saí atravessando pro outro lado e chamei um táxi.

Quando entrei em casa vi meus pais e o Luiz sentados no sofá e eles me olharam feio, aposto que pelo meu atraso e eu engoli seco, preparando uma desculpa.

Safira: oi gente, desculpa o atraso, é que eu perdi a hora.- sorri falso e meu pai negou com a cara feia.

Paulo: como você é baixa.- olhei sem entender o porquê disso.

Safira: do que você tá falando?- ele negou rindo.

Paulo: você é baixa, ridícula, a vergonha dessa família.- ele levantou vindo até mim e eu bufei.

Safira: da pra você ser mais claro? Não tô entendendo.- ele me deu um tapa forte na cara.

Paulo: você é uma vergonha, você me decepcionou!- ele falou alto e minha mãe levantou enquanto as lágrimas já escorriam pelos meus olhos.

Safira: por que você fez isso? Por que me bateu?- falei chorando sentindo meu rosto arder.

Paulo: você tá se envolvendo com um bandido, um favelado. Isso é uma vergonha, você é suja, baixa, ridícula, minha maior decepção.- ele gritou apertando meu braço.

Safira: tá me machucando.- ele bufou.

Paulo: é só isso que você tem pra me falar?- empurrei ele.

Safira: o que você quer que eu fale? Quer que eu peça desculpa por me apaixonar por um favelado como você disse? Isso não é vergonha, vergonha é ser rico e não amar a própria filha, amar o dinheiro acima dela, vergonha é querer usar ela como moeda de troca!- falei alto e ele bufou me dando outro tapa forte.

Paulo: o que esse marginal fez com você? Olha essas marcas no seu pescoço, tá parecendo uma prostituta. Aliás, quem se envolve com esse tipo de gente é prostituta mesmo, com quantos você transou na mesma noite?- olhei pra ele incrédula.

Safira: é sério que você tá me falando isso? Eu sou sua filha, você deveria me apoiar, isso dói. - falei chorando e olhei pra minha mãe que tava assustada com tudo aquilo, mas não tinha coragem de enfrentar ele.

Paulo: você me decepcionou tanto Safira, tenho nojo de você!- deixei as lágrimas rolarem, isso dói pra caralho, escutar isso do próprio pai.

Safira: eu não acredito que você tá falando isso.- ele negou.

Paulo: já tava desconfiado dessas suas saídas frequentes, sorrisos no rosto, mandei o Luiz te seguir ontem a noite pra ver aonde você ia, queria saber com quem você tava se envolvendo, esperava que fosse alguém da sociedade, de respeito, mas aí o Luiz tira fotos e filma você com a porra de um bandido favelado.- ele falou com raiva e eu olhei pro Luiz que tava calado olhando tudo.

Safira: vocês são ridículos. Ele faz parte da sociedade também, só não é milionário como o Thiago, mas eu amo ele, e ele me faz feliz.- senti outro tapa em forte e meu pai me puxou pelo meu braço me jogando no sofá.

Paulo: minha vontade era de te jogar na rua, mas o que as pessoas vão falar, aliás o que a sociedade que a gente frequenta vai falar se souber que você tá se envolvendo com um bandido?

Safira: eu não ligo pro que os outros acham, eu amo ele e é isso que importa!- falei alto me levantando.

Paulo:A gente ficou sabendo o que aconteceu com a Kiara, descobrimos até que ela é irmã dele, é esse o destino que você quer pra você?- olhei pra ele com deboche.

Safira: nossa, você se importa?- ele bufou.

Paulo: cala a porra da boca. Você tá proibida de pôr os pés naquela favela, de ter contato com aquela gente, com aquele traficante!- ele puxou minha bolsa e pegou meu celular.

Safira: não, você não vai fazer isso!- ele jogou meu celular com tudo no chão quebrando o mesmo e eu vi que meu computador tava na sala quebrado também.

Olhei pra aquilo tudo não acreditando que ele tava sendo capaz de fazer isso, de ter me batido, falado aquele monte de coisas.

Safira: você não vai falar nada mãe?- ela ficou calada e suspirou.

Paulo: a partir de hoje você não anda mais sozinha.

Safira: eu te odeio, você é ridículo!- gritei na cara dele e subi pro meu quarto chorando.


Maratona 1/3

COVARDIA [M]Onde histórias criam vida. Descubra agora