O tom calmo com que ele falava sumiu junto com a paciência.
-Como não te contaram dele? É impossível nunca ter escutado! Eles iam querer que o seguisse também. -Ele andava pela sala inquieto. -Mande chamar Remo.
-Mas senhor...
-Eu quero ele aqui e agora!
Me levantei da mesa e corri por qualquer corredor que fosse procurando ele, o encontrei não muito longe sentado ao lado de Draco. Os dois pareceram surpresos quando disse.
-Lupin, Dumbledore mandou te chamar. -Ele sabia pelo meu rosto que aquilo significava problema.
Fomos até a sala dele outra vez e quando entramos Minerva estava lá. Draco nos seguiu e insistiu em entrar, a professora acabou cedendo. As poucas vezes que vi o diretor falar alto foram as vezes em que os gêmeos faziam baderna no salão principal.
-Como não contaram pra ela? Como não disseram nada Remo? Ela nem sequer conhece o pai! -Ele disse com os olhos vidrados em Lupin.
-Senhor eu não pudia contar, isso é uma promessa dos Malfoy com a Bellatrix, eles fizeram isso pra protege-la.
-Protege-la? -Ele gritou. -Nunca se importaram com ela e de repente querem protege-la? Isso é covardia! Manter a menina no escuro! Na ignorância!
-Bella não queria que Luiza seguisse os mesmos passos, por isso escondeu dela. -Draco disse atrás de Minerva.
-Que não fosse um mal exemplo! -Não imaginava que Dumbledore se importaria tanto com isso.
-Alguém pode por favor me dizer oque estão escondendo de mim?
-Voldemort. -Os três disseram.
-Não contaram a ela? -Minerva falou tapando a boca desacreditada.
-Era melhor assim, caso um dia voltasse ele iria querer que ela o seguisse, e é muito arriscado. -Draco defendeu. -Isso foi decretado desde o dia que ela nasceu.
-Fingir que um problema não existe não o faz deixar de existir. -Dumbledore disse ainda irritado. -Ele vai voltar um dia, e vai cobrar de Bellatrix a fidelidade dela e da filha. Oque acha que ele vai fazer quando souber que esconderam isso? Dando a ele uma aliada a menos?
Draco pareceu preocupado. Pelo que entendi Voldemort era poderoso, tinha seguidores que acreditavam que bruxos que tivessem pais trouxas ou mesmo um dos dois não eram dignos de respeito, eu não concordava com isso, nunca concordei, só não sabia que existiam pessoas tão obcecadas por essa ideologia.
-Luiza deixa que resolvemos isso, vá descansar, ainda não acabou seu tempo de repouso. -Lupin disse tapando o rosto nervoso.
-Não, é de mim que estão falando, quero saber oque tenho que fazer caso ele volte. Não vou arriscar a vida da minha família por isso.
-A única forma seria...-Minerva disse com um ar preocupada, olhando pra Dumbledore.
-Ela tem que fingir. -Draco falou preocupado.
-Se ele acreditar que ela o segue, não fará mal a ela. Se receber uma ordem, terá que fazer, e não questionar nada que ele disser. -O diretor disse olhando pra baixo. Todos na sala pareciam estar preocupados em me mandar fazer isso, era só fingir não era? Que ordem tão difícil seria essa?
-Ela já entendeu, vá descansar Lu. -Lupin se levantou e me guiou a porta, antes de sair alvo terminou.
-E Luiza, não fala disso com ninguém, nem pro mais fiel dos amigos, não é do saber dos outros que Voldemort está tentando voltar, isso causaria pânico, e oque mais precisamos agora, é que tudo seja feito com cautela.
Eu assenti e sai junto de Lupin, Draco nos olhou e esperou que Remo dissese pra nos acompanhar.
~
Fui para o meu quarto tentar associar tudo aquilo e comecei a escrever pra minha mãe, não era muito provável que ela respondesse, mas tive um pouco de esperança.
Mãe,
Já é de meu conhecimento a sua promessa de me esconder a existência de Voldemort, peço que não julgue mal, foi necessário saber disso pra entender também o porquê de nunca falar de meu pai. Teremos esse segredo apenas entre Draco, Remo e o diretor. Caso Voldemort venha a exigir fidelidade de minha parte, irei convencê-lo de que concordo, e assim nos manteremos a salvo. Queria pedir pra que caso tenho notícias de meu pai, me conte um pouco sobre ele. Mande lembranças a tia Narcissa e queime a carta depois de ler.
Carinhosamente, Luiza.
Entreguei mais tarde para minha coruja no alto da torre, e fui fazer as lições das aulas que faltei.
~
Na hora do jantar as pessoas que antes só especulavam sobre como havia ficado meu rosto, agora o analisavam sem disfarçar, todas as minhas refeições naqueles dias tinham sido trazidas pela Luna no meu quarto, mas acho que depois de tanta coisa que aconteceu, a minha menor preocupação seriam os comentários.
"Ouvi dizer que ela ficou em coma", "Ela parece ter sido arranhada por um gato gigante", "Sério que foi um lobisomem? Como não morreu?", "Espere só até Lupin falar dos lobisomens de novo". Entre inúmeros cochichos, esses foram os que eu entendi.
Remo me olhava orgulhoso da mesa, por eu voltar a comer com todo mundo, olhei pra draco inúmeras vezes mas ele estava com a cabeça baixa apenas mexendo na comida e as vezes olhava pra Blaise, que não parecia se importar muito com ele.
-Lu, nós vamos pra comunal, você também vai? -Luna disse me acordando da minha distração, mas tive uma ideia melhor.
-Não, vou ir fazer umas coisas primeiro.
Ela concordou e saiu saltitando pra junto de um grupo de meninas. Eu queria ir pra torre de astronomia, tinha certeza que o Draco iria pra lá. Me esquivei do zelador com cuidado e consegui chegar lá em cima antes que madame Nora virasse o corredor.
Me sentei no chão que estava um pouco frio e fiquei observando as estrelas enquanto esperei por algum sinal do Draco. Fiquei imaginando se o tempo que Lupin passou falando com ele serviu pra ele acreditar em mim, ou talvez nem estivem conversando disso e ele ainda me odiasse.
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Novo Império
FanfictionUma Lestrange em Hogwarts, amores, problemas e muita magia. Uma linhagem lendária, um novo império, com uma nova história. Essa história contém inúmeros gatilhos. +16 Designer da capa: Anna Gabrielly Xavier Cruz
