Sírius Black

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  Música recomendada: the scientist

  A Luiza sempre me trouxe minhas memorias mais doloridas a tona. Talvez por isso eu tenha sido duro com ela. Me lembro de por muitas vezes fazer exatamente oque Bella fazia com ela, ignora-la, mesmo abominando isso, era quase como uma defesa. 
        A minha promessa a Tiago não foi quebrada, em nenhum momento, mas sinto que se tivesse prometido o mesmo a Bella eu teria a traído. Ver ela correndo de todos por achar que ninguem conseguiria a dar o carinho que merece era como me ver pequeno, me escondendo nos armários de vassouras e debaixo da cama, correndo de algo que sempre me alcançava.

      Eu não queria que ela tivesse o medo que eu tive, talvez por isso exigi dela uma força desnecessária, fiz o mesmo que fizeram comigo, mas notei isso tarde demais. Eu via os olhos dela brilhantes quando Remo a chamava de querida ou quando saiam pra andar pela neve. As bochechas vermelhas e a voz de gripada, as mãozinhas tremulas sob meu colo cobrindo a boca a cada espirro, pequena Luiza.

    Com Harry era diferente, o rapaz grande e forte que se tornou, sem medo algum, sem fraqueza, me fez enxergar na Luiza alguem frágil, e trata-la dessa forma a chateou, pois fazia ela acreditar que realmente era, mas não é. Velho Sirius, quanta bobagem você fez. Lembro da noite que ela e Harry brigaram. 

    Duas crianças teimosas nunca acabam em plena harmonia. Harry foi duro aquela noite, e também fui. Estavamos todos em minha casa, poucas as vezes que ela foi, Narcissa não imaginava oque Bella era capaz de fazer se soubesse que ela foi lá. 

   Estavamos jantando, eles mal se conheciam, foi a única vez que se viram, não acho nem mesmo que lembrem um do outro. Harry estava do meu lado, Lupin estava com Luiza, Draco já conhecia Harry na escola, e pelo que parecia, não gostavam muito um do outro, então ele não quis vir. 

  Lembro de perguntar a Harry sobre algo da escola, e Luiza pareceu curiosa sobre o assunto, ela tinha dez na época, estava esperando sua carta. Luiza querendo mostrar que também sabia um pouco sobre magia pediu a Harry a varinha pra uma demonstração. 

-Sua boba, não pode usar a varinha de outro bruxo. E você é só uma criança. -Harry disse desinteressado em ouvir.

-Logo terá uma como a de Narcissa, e fará os feitiços que lê sobre. -Remo sempre foi mais compreensivo que eu e Harry.

-Mas eu usei a do Draco uma vez. -Ela levantou os olhos brilhantes implorando.

-E lembra como a biblioteca ficou, não lembra? -Remo me olhou rindo. 

   Ela não era de desobedecer, principalmente quando Lupin dizia, mas se Harry não tivesse dito nada, talvez isso não tivesse acontecido. 

-O Draco é um metido idiota! -Luiza pareceu furiosa ao ouvir isso de Harry. 

-Não fale assim Harry. -Remo tentou acalmar uma possivel briga, e segurou Luiza que se levantou. 

-Você tem inveja dele! -Luiza disparou.

-Não tenho inveja dele, e nem de ninguem da sua familia chata! 

-Harry! -Remo gritou. 

-Eu ao menos tenho uma familia!

-Luiza! -Eu me assustei com aquela frase.

-Você quem tem inveja de mim!

-E porque eu teria inveja de alguem como você!

-Porque eu ao menos sei oque aconteceu com meu pai! Você nem sabe onde esta o seu!

    Remo tapou os ouvidos da Luiza e me olhou sem saber oque fazer, ela marejou os olhos. 

-Não vai dizer nada? -Ela me olhou, esperando que eu repreendesse Harry como fazia com ela nas vezes que dizia algo errado. Mas eu fui tão tolo.

-Harry tem uma familia Luiza. 

   Remo me olhou desacreditado, mas foi oque consegui dizer, aquele foi o momento em que parti um pequeno pedaço do coração da Luiza. Remo a levou pra casa e não fui na mansão por algumas semanas, quando fui ela me tratou normalmente, como uma criança sempre faz, mas acho que nos últimos anos, tendo Harry mais por perto ela se lembrou. 

   Narcissa diz que ela nunca sentiu falta do pai, por algum tempo achava até que não precisava de um, mas as crianças crescem e entendem como as coisas funcionam, depois daquilo não era impossivel fingir que ele não existia.

   A noite depois de ela ficar na casa dos Weasley foi falar com Lupin.

-Sirius isso é bobagem, eles são primos. -Ele parecia esconder algo, eu sabia que ela e Draco eram extremamente próximos, mas aquele outro rapaz, e a forma que olhavam pra ela. Narcissa não vai gostar disso. 

-Eu sei que não vai, mas já são crescidos, oque posso fazer? Deixar ela de castigo? -Ele odiava ter que dar qualquer lição a ela.

-Se necessario. 

-Ah por favor Sirius, não faria o mesmo se fosse com Harry. -Ele olhou cruzando os braços, como ela fazia. 

-E você, passou muito tempo com ela ultimamente. -Eu havia notado olhares estranhos entre os dois na toca. 

-Bobagem, a mesma quantidade de sempre. 

-Depois de entregar a ela a jaqueta, pra onde foi? 

-Levei ela a casa de uma amiga, e fui pra minha casa. -Não acreditei que estava fazendo aquilo. 

-Mentiroso, eu fui na sua casa, não estava lá. 

    Ele me encarou por alguns segundos, pensando em uma resposta. 

-Ta bem, fiquei com ela na pensão da cidade. 

-Levou ela lá? -Eu desprezava aquele lugar. 

-Sirius, não ia deixar ela na rua. -Ele parecia mais impaciente. 

-Dormiu no mesmo quarto? 

-Que tipo de pessoa acha que eu sou? -Ele se levantou e me olhou nos olhos por alguns segundos

    Ele saiu sem se despedir, outra vez, uma coisa que disse fiz com que estragasse minha relação com as pessoas que eu amava. Velho Sirius, quanta bobagem você fez. Julguei justamente a pessoa que mais era parecida comigo. E agora, vendo a foto dela no profeta diário, presa no lugar mais infeliz do mundo, eu tenho total certeza, que se eu tivesse deixado de falar ''Harry'' por umas cinco vezes a menos, talvez isso não tivesse acontecido, eu tenho minha parcela de culpa. Pequena Luiza, sinto a falta de ouvir da sua boca sorridente, o ''tio Sirius''.

  

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