Zach Siler: Então, posso ter a última dança? Laney Boggs: Não, você pode ter a primeira.
(Ela é demais)
Uma batida na porta me chamou de volta à Terra. Eu gritei que estava dentro d’água e perguntei quem era.
Ouvi duas vozes falando “nós!” que reconheci na hora: Gabi e Natália.
Eu me enrolei na toalha, abri uma frestinha na porta e perguntei o que elas estavam fazendo ali, pois eu tinha
avisado que ia passar o dia estudando. Elas falaram que sabiam perfeitamente disso, mas que estavam indo para o
Pátio (ai, que inveja!) e resolveram passar cinco minutinhos, só pra saber se eu tinha gostado da festa, já que a
gente nem tinha conversado ainda. O Alberto apareceu atrás delas.
“Fani, pode tomar seu banho sem pressa”, ele falou, abraçando as duas ao mesmo tempo. “Eu vou ficar
entretendo as meninas enquanto isso...”. E sem a menor cerimônia fechou a porta na minha cara!
Nossa, o Alberto não perdoa uma... nunca vi mais mulherengo! Além de ser cheio de namoradas na faculdade, o
telefone não para de tocar quando ele está aqui.
Finalmente entrei na banheira, que já estava quase transbordando. Mergulhei para molhar o cabelo, coloquei os
pés para cima, olhei para o teto e inspirei aquele cheirinho gostoso de gel de banho e vapor. Senti todo o meu
corpo relaxar, dei um suspiro e voltei para a noite passada.
Eu e o Leo saímos do bar e fomos andando para a varanda, sem trocar uma palavra. Chegando lá, o Leo olhou
pra mim e me perguntou de novo: “Fani, por que você falou para aquele cara que era minha namorada?”.
Eu olhei pro chão, sem saber direito o que responder. Na verdade, eu não sabia por que tinha falado aquilo, foi a
primeira coisa que eu pensei, eu imaginei que, se falasse isso, o tal Rafael iria parar de achar que o Leo estava
mexendo com a Vanessa – o que é uma ironia, já que até dez minutos antes ela era namorada do Leo e quem
supostamente estava mexendo com a mulher alheia era o Rafael.
“Porque eu não queria que você se machucasse”, eu falei, ainda olhando para baixo. “Aquele cara não estava pra
brincadeira.”
“Nem eu estava!”. O Leo começou a ficar bravo de novo. “E quero deixar bem claro que eu não queria
arrebentá-lo por causa da Vanessa, mas porque ele veio tirar satisfação comigo sem nem me conhecer, como se eu
devesse alguma coisa pra ele!”
Eu fiquei meio sem acreditar naquilo, no fundo eu achava que o Leo estava, sim, com o orgulho ferido pelo fato
da Vanessa ter arrumado outro sem nem se dar ao trabalho de terminar com ele antes. Mas eu não disse isso pra
ele.
Nesse momento, ele se encostou no alpendre, alisou o cabelo para trás com as mãos e deu um suspiro de
cansaço.
“Leo, desculpe por eu ter insistido pra você vir...”, eu aproveitei pra falar. “Acho que na sua casa devia estar bem
melhor do que aqui, né?”
Ele me olhou como se fosse a primeira vez em que me visse naquela noite e deu um sorrisinho meio tímido, mas
logo ficou sério de novo.
“Eu que tenho que pedir desculpas, Fani. Se você não tivesse me convencido a vir, eu não teria visto a Vanessa
se esfregando com aquele cara na pista de dança e ainda estaria adiando o que eu devia ter feito há um tempão!”
Meu coração deu um pulinho. Era verdade, então? Que ele queria terminar com ela há muito tempo? Ele
continuou a explicação.
“Eu comecei a ficar com a Vanessa meio por ficar. Os caras falaram que ela estava me dando mole e eu aí acabei
pagando pra ver... Sem eu nem perceber, ela já estava me chamando de namorado e acho que eu estava meio
carente, porque, mesmo sem querer ficar seriamente com ela, fui levando aquilo...”
Mais uma vez eu não sabia o que dizer. Fiquei meio aliviada e chateada ao mesmo tempo. Se esse namoro era
tão ruim assim, por que ele não tinha terminado com ela logo?
Fiquei lembrando da primeira vez em que vi os dois juntos, no colégio, a decepção que eu tive. Depois me
lembrei do dia da cantina, do desdém dela com o presente dele e a vontade que me deu de bater nela. E me
lembrei também do ciúme que eu senti do beijo deles no Sexta-Mix.
“Você não está com frio? Esse seu vestido é lindo, mas não me parece ser muito quente...”, ele falou me olhando
daquele jeito de cima a baixo, ao qual eu já estava ficando acostumada. Por um momento, eu pensei que ele fosse
me oferecer o casaco dele, mas em vez disso ele só disse: “Vamos lá pra dentro?”.
Eu concordei com a cabeça, embora sem a menor vontade, já que estava bem mais agradável ali fora com ele do
que lá dentro na multidão. Olhei no relógio e já era quase uma da manhã. As meninas não estavam em nenhum
lugar visível. A festa já estava meio vazia e as músicas agora eram todas lentas. Nós sentamos perto da pista de
dança e nenhum de nós dois falou. Ficamos só olhando as pessoas dançando, cada um entretido com seus próprios
pensamentos.
Começou a tocar outra música. Alguns casais saíram da pista, outros entraram, alguns continuaram... O Alan
veio em nossa direção, cumprimentou o Leo e em seguida se virou para mim.
“Vamos dançar, Fani?”, ele perguntou me estendendo a mão.
Eu fiquei toda sem jeito, sem graça de falar não, mas sem querer falar sim. Não que eu não goste do Alan, muito
pelo contrário, ele é muito gente boa, realmente é um dos meninos da sala de quem eu mais gosto, mas, naquela
hora da noite, o clima estava meio perigoso... todo mundo meio tontinho, aquelas músicas, fim de festa... depois ele
ia resolver começar a me mascar e a última coisa que eu queria era ter que dar um fora nele.
Eu comecei a gaguejar uma desculpa qualquer, que meu pé estava doendo, acho, quando o Leo levantou de
repente e deu um soquinho de leve no ombro dele.
“Sai fora, Alan, vai arrumar outra mulher pra você! A Fani já tinha prometido dançar essa comigo”, ele disse
rindo e em seguida me puxou.
Fomos pro meio da pista, sem falar nada. Viramos um de frente para o outro, estávamos os dois tão sem graça
que eu queria cavar um buraco no chão! Ele se aproximou, me pegou pela cintura, eu coloquei os braços ao redor
dos ombros dele, nossos rostos se encostaram e eu fechei os olhos.
Em seguida, eu não sei de mais nada direito.
Tinha outros casais na pista, mas não tenho a menor ideia de quem. A música estava alta, mas eu não sei dizer
qual era. Eu tinha acabado de olhar o relógio, mas eu não me lembrava mais das horas. Eu só sabia que eu queria
que o tempo congelasse naquele minuto. Para que aquela música não terminasse nunca mais.
O que eu senti foi uma sensação pela qual eu nunca tinha passado na vida. Um tremor dos pés à cabeça, mas um
tremor que me aquecia... e ao mesmo tempo aquele frio na barriga que não ia embora. Meu coração estava tão
disparado que eu fiquei até preocupada do Leo escutar, porque nós estávamos praticamente colados. O corpo da
gente parecia que tinha sido moldado um no outro e eu podia sentir o perfume dele misturado com o meu. Ele
estava me abraçando tão apertado e eu resolvi passar a mão de leve no cabelo dele, ele começou a mexer o rosto
bem devagarzinho, nossas respirações estavam sincronizadas e aquele sentimento em mim foi ficando mais forte.
Parecia que meus ossos estavam se descolando da pele, que eu estava leve, que ia voar.
De repente, fui sacudida do meu voo. Dois meninos da outra sala chegaram à pista e cutucaram o Leo. A gente
parou de dançar e os meninos mandaram que ele fosse depressa porque o carro do pai dele estava com o alarme
disparado na rua.
O Leo saiu correndo, eu fui atrás e quando chegamos lá fora já tinha um monte de gente em volta do carro,
falando o que tinha acontecido.
Uma pedra. Alguém tinha jogado uma pedra no vidro do carro. O vidro, claro, espatifou e o alarme disparou no
mesmo momento. O Leo ficou muito nervoso. Ficou perguntando para as pessoas quem tinha feito aquilo, mas,
pelo jeito, ninguém tinha visto, já que todo mundo estava dentro da festa. Ele ligou pro pai dele, pra seguradora e
pra polícia.
Em algum tempo, todo mundo estava lá. O pai dele ficou meio bravo no começo, mas quando viu que o Leo tinha
feito exatamente o que ele tinha dito (parar bem na frente, ligar o alarme, colocar a tranca) admitiu que isso
poderia ter acontecido com qualquer um. A polícia fez a ocorrência e a seguradora falou que o vidro poderia ser
trocado no dia seguinte.
Nessa altura, já eram três horas da manhã. O pai da Natália tinha chegado nesse meio-tempo e ficado
conversando com o pai do Leo. Eles estavam discutindo se era errado ou não deixar um filho de 16 anos dirigir, o
pai da Natália falou que ela só ia aprender a dirigir quando tivesse 18 anos completos, e o pai do Leo disse que o
Leo dirigia desde os 12 anos no sítio e que ele tinha inteira confiança nele, que ele era melhor motorista do que
muito marmanjo por aí. Depois, eles começaram a falar das leis nos outros países, que nos Estados Unidos se pode
dirigir aos 16 anos e na Inglaterra aos 17, aí eles emendaram esse assunto com outro sobre outras leis que
mudavam de um país pro outro...
A festa foi minguando. Quem ainda não tinha ido embora estava na rua acompanhando o drama. Assim que a
polícia terminou de fazer a ocorrência, o pai da Natália me chamou, já que ela e a Gabi estavam dentro do carro
havia muito tempo, dormindo. Eu fui até o Leo, que estava ainda meio nervoso conversando com os outros
meninos, e me despedi. Dei um beijinho na bochecha dele e falei: “Não fica triste, não...”.
Ele me deu um abraço apertado e falou no meu ouvido: “Fico, sim. Mas é por outro motivo...”.
O pai da Natália me chamou de novo, eu entrei no carro e dei uma última olhadinha para o Leo. Ele acenou com
a mão, e o carro arrancou.
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Fazendo meu Filme
RomanceFazendo meu filme nos apresenta o fascinante universo de uma menina cheia de expectativas, que vive a dúvida entre continuar sua rotina, com seus amigos, familiares, estudos e seu inesperado novo amor, ou se aventurar em um outro país e mergulhar nu...
