Timóteo: Afinal, o que chorar vai te trazer? Nada além dos soluços!
(Dumbo)
BOLETIM ESCOLAR – Estefânia Castelino Belluz
Disciplina Frequência
Mínimo para aprovação – 70%
Aproveitamento
Mínimo para aprovação – 60
PORTUGUÊS 78% /72
HISTÓRIA 78% /67
QUÍMICA 78% /69
INGLÊS 84% /84
MATEMÁTICA 84% /58
LITERATURA 80% /73
GEOGRAFIA 84% /74
FÍSICA 80% /60
ED. RELIGIOSA 92% /93
BIOLOGIA 98% /95
ED. FÍSICA 72% /OK
INFORMÁTICA 96% /90
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Prezado aluno,
Queira dirigir-se à secretaria para efetivar sua matrícula (caso tenha frequência acima de 70% e aproveitamento acima de 60
pontos em todas as disciplinas) trazendo duas fotos atualizadas. O boleto bancário será enviado pelo correio até o dia 15 de
dezembro. Caso não tenha obtido aproveitamento ou frequência necessários em alguma disciplina, favor inscrever-se para a
recuperação que começará na próxima segunda-feira (horário já afixado no quadro de avisos).
Obrigada por mais um ano com a gente. Boas férias!
Diretora Clarice Albuquerque da Silva Fagundes.
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Eu tinha certeza. Por mais que todo mundo falasse que eu ia passar, lá no fundo de mim eu já sabia. Mas o que
eu não sabia era que essa recuperação seria em MATEMÁTICA!! Caramba! Não entendo como isso foi acontecer!
Eu precisava de CINCO na prova! Apenas cinco pontos! E pelo visto, consegui tirar TRÊS! Tipo, eu precisava tirar
sete em Física e consegui! Eu poderia ter estudado um pouquinho mais de Matemática, que raiva de mim!
A secretaria já estava lotada quando eu e o Leo chegamos lá. Entramos numa fila, assinamos uma folha e
finalmente pegamos os boletins. O Leo abriu o dele lá dentro mesmo e começou a brigar com os funcionários, a
falar que ia pedir revisão de prova, que ele tinha certeza de que a nota estava errada, que ele já estava com
viagem marcada... aquilo só me deixou mais tensa. Deixei-o lá dentro e fui abrir meu boletim bem longe da
confusão.
Fui direto olhar a nota de Física. Quando vi que tinha passado com 60, nem acreditei! Comecei a pular de
felicidade, mas foi nesse momento que meus olhos foram sugados por uma notinha vermelha lá no meio do boletim.
Matemática. 58. Inacreditável.
Fiquei tão triste que nem esperei a Gabi e a Natália conforme o combinado. Fui correndo pra casa.
Joguei o boletim na escrivaninha, sentei no chão, olhei pro teto e, quando percebi, já estava chorando.
Eu estava lá com ódio do mundo quando notei uma caixa embrulhada em cima da minha cama. Levantei do chão
pra ver o que era e notei que tinha um cartãozinho em cima.
Para a nossa Fani ficar bem linda na reunião do SWEP e mais tarde
arrasar na festa. Mamãe e Papai
Desembrulhei o papel, abri a caixa e lá dentro estava o vestidinho mais lindo que eu já vi na vida! Pretinho,
frente única, com uma sainha meio esvoaçante. Tinha também uma echarpe combinando.
Fiquei olhando para aquilo sem saber o que pensar. Com o desespero da nota vermelha, eu nem estava mais
pensando na festa e muito menos nessa reunião de intercâmbio, na verdade não estava nem me lembrando disso!
Como eu ia falar pros meus pais que eu não merecia aquele vestido nem nada?? Não que eu nunca tivesse tomado
recuperação antes, mas acho que este ano eles não estavam esperando por isso, já que tive todas aquelas aulas
particulares. Só que as tais aulas foram de Física...
Eu estava pensando nisso quando bateram na minha porta. Meu primeiro impulso foi esconder o boletim, mas
não deu tempo. Minha mãe já estava abrindo e perguntando se podia entrar. Ela veio toda sorridente, com certeza
para ver o que eu tinha achado do presente, mas, ao ver o meu rosto inchado, ficou séria.
“O que foi, não gostou?”, ela falou preocupada. “Eu o achei tão parecido com aquele que você me mostrou na
revista outro dia...”
Como eu não disse nada, ela começou a percorrer os olhos pelo meu quarto e parou na escrivaninha.
“Física...”, ela falou com uma expressão brava, mais afirmando do que perguntando.
“Não, eu passei em Física, mãe...”, eu disse depressa, para ela ver que o dinheiro investido nas aulas
particulares tinha valido a pena.
Ela então começou a parecer preocupada de novo: “O que aconteceu então, minha filhinha? Brigou com
alguém?”.
Uma coisa que eu não resisto é quando minha mãe me chama de “minha filhinha”. Quando ela me chama de
Fani, está tudo bem. Estefânia é só quando ela está brava. Mas “minha filhinha” é o jeito que ela me chamava
quando eu era pequenininha e ela só usa agora quando realmente está preocupada comigo ou querendo me mimar
– o que atualmente é muito raro. Mas sempre que ela fala desse jeito eu me derreto.
Peguei o boletim e entreguei pra ela, já chorando de novo.
Minha mãe pegou, abriu, olhou as notas e em seguida olhou de novo pra mim: “E isso é motivo pra chorar desse
jeito? Francamente, não é, Fani? Você não tem mais dez anos, filha! Não pode ficar chorando por qualquer coisa
assim! Realmente, o ideal seria você ter passado direto, mas não é o fim do mundo! Vamos pegar pra valer agora,
pergunte pra sua professora particular se ela não dá aula também de Matemática, esqueça as amigas, as saídas e
os filmes durante essa recuperação, enfie a cara nos livros que você sabe que tira isso de letra!”.
Antigamente, quando eu era mais nova, minha mãe simplesmente brigava e me colocava de castigo quando eu
tirava alguma nota baixa. Era mais ou menos isso o que eu esperava... mas – ao contrário – ela estava me tratando
como...
“Você já é adulta o suficiente para saber as consequências que repetir um ano na escola pode causar na sua
vida”, ela falou, praticamente lendo meus pensamentos. “Em primeiro lugar, acho que o SWEP não aceitaria uma
repetente, já que os intercambistas têm que ser jovens exemplares. Além disso, você vai atrasar a sua vida inteira
um ano... vai fazer vestibular com um ano de atraso, vai formar atrasada... você vai ficar o tempo todo com a
sensação de que sempre está chegando depois! Ah, e tem também o vexame de ver todos os seus colegas na outra
série e você ficando pra trás...”
Foi a primeira vez que eu tive a sensação de que eu era a responsável pela minha vida. A primeira vez que eu
senti que minha mãe não estava me tratando mais como criança, e em vez disso me deixar feliz, me deixou ainda
mais desesperada, como se, de repente, eu tivesse caído na real de que tudo o que estava acontecendo era por
minha culpa e de mais ninguém.
Eu olhei pra minha mãe, que estava me observando, dobrei o vestido, coloquei na caixa, fechei e entreguei pra
ela: “Será que eles aceitam de volta na loja? Eu nem experimentei, não tirei a etiqueta nem nada… acho que pelo
menos dá pra trocar por alguma outra roupa, talvez você encontre alguma coisa pra você ou pro papai…”.
“Do que você está falando, Estefânia?”, ela disse me olhando como se eu tivesse ficado louca.
Eu respondi que eu achava que não merecia aquele vestido, já que tinha tomado aquela recuperação, e também
que seria um desperdício, já que eu não ia usar…
“Não vai usar? Você está querendo me dizer que vai à reunião e à festa com alguma das suas roupas velhas
sendo que eu gastei horas no shopping tentando escolher um vestido que agradasse ao mesmo tempo o meu gosto
e o seu?”
“Mãe, eu não vou a festa nenhuma! Não quero ouvir ninguém me perguntando se eu passei e eu ter que passar
vergonha dizendo que não! E nessa reunião eu não preciso ir de vestido! Qualquer uma das minhas roupas serve,
você pode até escolher se fizer muita questão!”
Ela me olhou como se eu definitivamente estivesse precisando de um tratamento psiquiátrico.
“Absolutamente!”, ela falou de repente. “Eu não quero que depois, daqui a alguns anos, você jogue na minha
cara que eu deveria ter te obrigado a ir nessa festa, porque eu sei que é exatamente isso que os filhos fazem! Olha,
Fani, eu não queria te deixar pensando nisso, mas você tem que ter em mente que essa é a sua última festinha de
colégio… ano que vem você vai fazer o terceiro ano no exterior e já vai voltar formada. Depois é vestibular direto e
outra festa de turma só na faculdade…”
Eu não tinha pensado nisso ainda. Ela percebeu, me estendeu a caixa de volta, eu peguei, mas falei: “Você não
acha que é um absurdo eu ir a uma festa sendo que eu peguei recuperação?”, porque era exatamente isso que eu
esperaria que ela pensasse…
“O melhor é você esquecer essa história de recuperação hoje, aproveitar a sua festinha, dançar tudo o que tiver
que dançar, curtir o suficiente para te suprir por uns 15 dias e aí, amanhã, você pega os livros assim que acordar e
só sai de perto deles daqui a duas semanas, quando esse martírio acabar.”
Olhei pra minha mãe como se eu nunca a tivesse visto na vida. E pensar que um tempo atrás o meu maior
problema eram as brigas constantes que a gente tinha. De repente parece que nós ficamos mais próximas, e ela,
além de não implicar mais, ainda estava resolvendo os meus problemas!
Coloquei a caixa e o boletim na cama e dei um abraço nela! Ela me abraçou também, ficamos um tempo assim, e
aí ela falou: “Marquei salão pra gente depois do almoço! Então trate de desinchar esses olhos, porque filha minha
tem que ser a mais bonita até no salão de beleza!”.
E saiu, fechando a porta e me deixando com uma sensação boa, de ter não só uma mãe, mas também uma amiga
por perto.
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Fazendo meu Filme
RomansaFazendo meu filme nos apresenta o fascinante universo de uma menina cheia de expectativas, que vive a dúvida entre continuar sua rotina, com seus amigos, familiares, estudos e seu inesperado novo amor, ou se aventurar em um outro país e mergulhar nu...
