Eliza Travers e Thomas Stuart se odeiam.
Eliza é uma garota exemplar, dona de notas excelentes e passa longe de qualquer clichê de nerd recatada, tem uma vida social admirável, e tudo seria tranquilo e até mesmo perfeito em sua...
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DEZESSEIS minutos.
Fazia dezesseis minutos que Thomas tinha entrado em uma ala do hospital e desaparecido diante dos meus olhos, por dezesseis minutos não tive notícias ou consolo, apenas uma tensão infernal roendo minhas entranhas.
Escuto meu celular tocar e me lembro de que existem mais pessoas naquele mundo além de Thomas.
A voz do outro lado da linha é um conforto inesperado.
- Eliza? o que está acontecendo? - Bess indagou, e havia preocupação invadindo suas cordas vocais.
A sua perceptível aflição me deixou confusa, como se ela soubesse que minha situação era trágica e deprimente.
- Bem...Thomas está no hospital.
- Sei disso - ela respondeu rapidamente como se responde a alguém que pergunta se o sol é quente, a resposta vem automática - mas o que houve naquela casa?
O que houve naquela casa?
Essa resposta demora para surgir, milhões de memórias retornam me deixando tonta, cada pequeno detalhe ou grande acontecimento que se entrelaçam cuidadosamente e de forma despretensiosa ou não até que chegássemos a esse momento.
Cada erro, cada imprudência, cada sonho que culminou nesse caos.
- Ele levou um tiro - digo como se sentisse meu cérebro paralisar - como sabe onde estamos?
- O carro tem rastreador - Bess explicou, sua voz sendo abafada por outra.
- Um tiro? mas que diabos? - disse uma voz histérica, que reconheci como Evian. - isso não pode estar acontecendo.
- Fiquei quieto, deixe ela falar. - sussurrou uma voz mansa mas rígida que só pude atribuir a Lipa.
- Acho que ele irá fica bem - murmurei enquanto ordenava mentalmente para mim mesma que lágrimas não voltassem a cair - ele tem que ficar.
Um silêncio se alastrou por alguns segundos, as linhas telefônicas ficaram mudas e somente as respirações ficam evidentes.
Não posso pensar que a vida, aquilo que dá sentido a tudo e é rodeia tudo é frágil e instável, somos reduzidos a nada de forma fácil, somos nadas, se o que temos de mais valoroso é tão efêmero, somos o que? além de insignificantes .
Sinto falta de Thomas, se ousasse compartilhar meus pensamentos com ele agora, sairiam daqueles lábios perfeitos palavras poéticas e positivas, ele diria coisa bonitas e me daria esperanças, e quem sabe, me beijaria para no final me dar certeza de que é impossível que algo tão especial seja insignificante.
Mas ele não está aqui, não consigo não pensar que talvez ele nunca mais esteja.