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46. Comoção

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Kaio

Olho para o cara do outro lado da sala, eu estou triste, quebrado, sinto um grande vazio no meu peito, mas o homen sentado no chão do outro lado. Aquele cara parece completamente perdido, sem chão, se um pedaço de mim morreu ele morreu completamente.

Tem uma hora eu hora que eu cheguei e uma hora que ele não para de chorar. Dona Zélia murmura para ele dizendo que precisa comer, Gregório balança a cabeça outra vez.

Se eu achei que ele estava péssimo quando chegou a esse hospital é porque não sabia o quanto ele ficaria destruído agora.

De pensar que eu achava que o engomadinho estaria com outra mulher. Um cara que fica nesse estado não tem outra mulher, ele ama mesmo a Samara e começo a duvidar que ele tenha coragem de se arriscar em um relacionamento extraconjugal.

Me vejo fazendo uma estranha promessa...

_Estou vendo a vendo a hora que esse cara vai passar mal... - Kate murmura ao lado.

_Não queria nunca estar na pele dele. - Scott murmura baixinho - eu gosto da Samara mas, cara...

_Ele ama ela de verdade, é capaz de beijar o chão que Sam passa...

_É. - respondo ficando preocupado com o cara que eu considerei um rival.

O irmão dele ajoelha ao seu lado, fala baixinho com ele. Tem uma comoção ao redor do homem. Gregório balança a cabeça em negação, uma e outra vez.

_O que eu vou fazer? Como vou viver sozinho com um bebê? - ele pergunta ao irmão os olhos cheios de lágrimas e o rosto vermelho.

_Calma meu filho... Tente ficar calmo, sua esposa vai ficar bem, vai ficar tudo bem.

Ele volta a soluçar e eu desvio meus olhos vendo tamanha tristeza. Peço a Deus numa prece silenciosa que a Sam sobreviva, ela precisa viver porque se ela  morrer vai levar consigo um pedaço grande de cada um. O marido dela, porém, esse vai se perder completamente, vai ser difícil ele se achar.

O tempo passa de vagar, todos estamos cansados de esperar por notícias, o cara dorme sentado no chão, encostado de qualquer jeito no sofá. Eu me levanto e ajeito o corpo dele com uma das almofadas.

Babaca! - penso.

Demorou mais algum tempo até que um médico chega. Ele conversa com a mãe da Sam e a sogra, todo resto está espalhado pelo hospital ou dormindo.

Elas fazem uma pequena comemoração que trás um grande alívio e acaba acordando o Gregório. Ele se levanta, parece não ter forças para chegar até onde as mulheres e o médico estão.

_ Graças a Deus! - ele diz. - ela vai ficar no UTI?

O médico balança a cabeça positivamente e explica alguma coisa.

Parece que o pior já passou...

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