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44. Aflição

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Kaio Júnior

O médico se quer esperou uma reação, assim que demos entrada no hospital ele mandou a Samara para o centro cirúrgico ela estava em trabalho de parto e corria risco de vida, ela e o bebê.

Liguei para o arrombado do marido dela sem coragem para contar o que realmente estava acontecendo, tive contar de qualquer forma. O desespero dele pareceu bem real, o que certa forma me deixava aliviado, sempre pensei que ele estivesse dormindo com alguma puta quando viajava. Talvez realmente estivesse.

Os minutos pareciam horas. O telefone da Samara tocou algumas vezes, sua sogra ligou, depois minha irmã, por último o pai dela que parecia já estar sabendo do que aconteceu.

O primeiro a chegar no hospital foi um loiro de no máximo vinte anos, um moleque que eu descobri ser o cunhado da Sam, minha irmã com o marido, os sogros da Samara e os pais dela que chegaram por último.

O dia começou a amanhecer e ninguém aparecia para dar uma mísera notícia. O sogro da Samara que era um homem influente, conseguiu contactar o diretor do hospital, mesmo assim, quase uma hora depois nada de notícias.

_Alguma notícia!? - e aí está ele. O cara está bagaço, arrasta uma pequena mala preta o cabelo bagunçado e olheiras bem escuras no rosto pálido. Me pergunto o que a Sam viu nesse cara.

_Nada meu filho. - o pai dele diz.

Essa família tem dinheiro, muito dinheiro pude perceber. Samara não precisa disso e nem é o tipo interesseira, então... O que ela viu nesse cara?

_Familia da Samara...

_Eu sou marido dela! - claro que ele ia dar grito dele. - como ela está? E o bebê?

_Sua esposa está bem na medida do possível, ela teve uma parada, mas voltou rápido, perdeu bastante sangue e fizemos uma transfusão. - o médico vai falando e eu perco um pouco das forças - o bebê foi para encubadora, ela precisa ganhar peso, nasceu uma menina forte. Sua esposa vai precisar de um acompanhante, ela está no quarto. Você pode ir ficar com ela, o restante da família eu aconselho a voltar para casa amanhã ela estará mais forte e melhor, a visita será liberada.

Não vou sair daqui. Quero ver alguém me tirar!!!

As pessoas vão se despedindo e ouço o engomadinho de merda falar com a dona Zélia que faria uma ligação por vídeo para ela ver a filha e prometeu que ligaria se alguma coisa acontecesse.

_Kaio, certo!? - o futuro marido da sua mulher. - Obrigado por trazido a Sam aqui no hospital, por ter ajudado minha esposa, eu não sei como te agradecer! - deixando o caminho livre pra mim seria perfeito - Se tiver alguma coisa que eu possa fazer...

Tenho vontade de dizer que a única coisa que eu quero é que ele largue ela, que deixe o caminho livre para que consiga o meu lugar de volta mas, não faço.

_ Ela é minha amiga desde que éramos crianças, é o mínimo que eu poderia fazer. - respondo, eu não iria responder nada que pudesse comprometer a Samara, principalmente agora.

Ele ri anasalado enquanto me mede.

_E foi sua namorada também. - fico surpreso a simplicidade que ele fala, parece não ser nada - Somos amigos acima de tudo, eu a Sam. Eu confio nela, sempre confiei. Enfim, obrigado por tudo.

O cara diz me deixando para trás com uma e enorme placa de idiota estampada na cara. Em outro momento eu juro que acertava um soco bem no meio da cara esnobe desse babaca.

Ensina-meHistórias para pegar e não largar. Descubra agora