O frio estava congelante apesar do Sol brilhando alto no céu, mas estava realmente mais ameno do que na noite anterior. O grupo seguia pela neve alta e fofa, afundando vez ou outra nas partes mais profundas da branquidão.
O silêncio gélido só era quebrado pelos passos contra a neve que se estendia longos quilômetros até a região montanhesca que marcava o fim de Unova.
O vento parecia uivar a cada curto trajeto feito, como um sinal de aviso para que fossem embora e não mais voltassem. Às vezes dava a impressão de que eram gritos desesperados implorando por socorro.
Matteo estranhou o fato de que haviam partes específicas da neve em que seus pés se afundavam menos, como se a elevação da terra por baixo fosse diferente naquele ponto. Já Eva sentia uma estranha sensação percorrer seu corpo, como se houvesse algo os observando.
Tal sensação a fez se aproximar de Íris, colocando uma de suas mãos em seus ombros e a deixando um pouco atrás de si. A rosada não precisou de muito para compreender os motivos alheios, podia observar as orbes cinzentas se desviarem com certa frequência pelo deserto esbranquiçado e frio.
— Tem algo nos seguindo. — Murmurou a azulada, baixo o suficiente para que só o grupo a ouvisse.
— Não vão nos seguir por muito tempo. Ali é o fim da área relativamente segura. — Pontuou Hermodr mostrando mais a frente algumas placas de perigo e arames que supostamente serviam para impedir a passagem. — Caso tente é capaz de não sobreviver.
— Então se ele quiser nos matar, em tese, terá que fazer antes de atravessarmos aquelas placas? — O nortista fez um som afirmativo para a pergunta de Matteo, o que o fez virar para trás, encarando a imensidão branca. — E se nós quisermos matá-lo terá que ser agora.
— Deve ser impossível encontrá-lo aqui, mesclar-se com a neve é a coisa mais fácil de se conseguir fazer e... Você está me ouvindo?
Matteo ergueu brevemente o dedo indicador em sinal de silêncio e observou atentamente pela neve, puxando a arma em sua cintura e mirando mais ao longe.
Três disparos se seguiram nos instantes seguintes e a neve mais ao longe começava a ficar carmesim em três pontos diferentes. O moreno voltou a disparar as últimas três balas e retirou o cartucho, colocando outro em seguida.
— Ainda acha que tem alguém nos seguindo? — Questionou Matteo ajeitando a arma no lugar de antes.
— Não mais. Você está ficando lento, Kitsune — respondeu a azulada, dessa vez puxando Íris para ficar ao seu lado.
— Questão de prática — afirmou passando pela outra e seguindo em frente. — Você também está lenta, eles estão nos seguindo desde que deixamos a parte mais urbana e habitada.
— Se sabia por que não disse antes? — replicou a azulada, erguendo levemente a sobrancelha em provocação.
— Só queria confirmar que estavam realmente atrás da gente. — O moreno deu mais um passo, sentindo seu pé logo alcançar algo duro. — Essa área tem bastante relevo... Imaginei que seria mais plano até o início das montanhas.
— E é, mas há muitos corpos encobertos pela neve... As elevações que sente não são de terra.
— Esse tempo todo estamos pisando em pessoas mortas e congeladas? — questionou Yatagarasu, sentindo a sola de seu sapato tocar no corpo sob a neve.
— Basicamente... Está com medo ou nojo por isso?
— Claro que não, um corvo não tem medo de pisar em carcaças, senhor homem do Norte. Mas se você estiver com medo, posso te carregar — falou a morena dando um sorrisinho provocativo.
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inafetivo
FantascienzaNaquele mundo em que sobreviver era a lei, os afetos são esquecidos e abandonados desde o berço. Amar se torna um peso, algo difícil de se carregar, uma cruz a qual poucos conseguem lidar. A guerra, a morte e a violência se encontram em cada esquin...
