A raposa andava de um lado para o outro, encarando a parede branca que os impedia de sair, a mão deslizou pela face em um claro movimento ansioso e deixou entrever a sensação agoniante que o preenchia enquanto tentava arranjar alguma forma de fugir dali.
Os outros três também pareciam pensar no que podiam fazer para saírem, mas vez ou outra se perdiam de seus pensamentos a medida que o homem moreno soltava baixos murmúrios.
— Como sair daqui agora? — Matteo mordiscou o lábio e encarou novamente a muralha esbranquiçada, seus passos indo de um lado para o outro, voltando o olhar para a entrada fechada. — Não dá para saber quanta neve tem lá fora... Tentar sair pela frente só causaria mais deslizamentos... Tentar abrir uma outra saída também... Aquele ponor não tinha saída...
Eva suspirou baixo, incomodada com os resmungos alheios, sem contar a forma ansiosa e rápida com que o outro falava, além dos passos de um lado para o outro, em seguida andando para o outro canto, seguindo para a bifurcação que havia na caverna, pelo corredor que não tinham ido.
— Ele está levando isso bem a sério... — falou o homem de cabelo platinado mexendo em seus fios compridos. — Em algum momento ele vai explodir ou cavar um buraco no chão andando.
— Ele costuma levar as missões a sério, mas dessa vez está passando um pouco dos limites — comentou Eva encarando o local que Matteo havia seguido, ouvindo um murmúrio irritado e frustrado, seus passos voltando para onde estavam.
— Não tem outra saída — reclamou Matteo esfregando o rosto em pura frustração.
— Essa caverna só tem essa abertura mesmo... Se estivéssemos em outras era possível ter uma segunda saída — falou o nortista. — Não vai tirar alguma ideia maluca e, sei lá, explodir a entrada?
— Não... Não tem como conseguir abrir uma abertura assim... Meu braço não aguentaria o recuo de explosões consecutivas e só causaria mais avalanches... — afirmou o moreno erguendo a mão robótica, abrindo e fechando os dedos. — Droga... Tem que ter alguma forma de sair daqui...
— Podemos tentar abrir um caminho por baixo até chegarmos na terra e cavarmos para fora. — Íris deu um leve chute em alguns pedregulhos, era uma das poucas ideias que vinha a sua mente, mesmo que lhe soasse difícil não podia deixar de tentar dar a ideia.
— Demorariamos muito para conseguir fazer isso... Não temos ferramentas que possam quebrar uma quantidade indefinida de rocha até alcançarmos a terra para conseguirmos cavar...
— Temos aquelas pessoas com picaretas, se os convencermos talvez dê certo — disse Eva se aproximando do moreno e deixando sua mão repousar em seu ombro, pressionando com certa força, tentando fazê-lo parar de se mover ansiosamente pelo espaço.
— Não acho que eles queiram nos ouvir depois de tudo o que passaram... Além do mais eles parecem exaustos, estão agindo somente por causa da droga... Seria desumano pedir para que continuassem a essa altura. — O moreno respirou fundo, voltando seu olhar para os outros três, engolindo a saliva que começava a se acumular em sua boca. — Merda... Me desculpem, deveria ter pensado que algo assim pudesse ter acontecido... Eu... Falhei com vocês...
— Não é sua culpa, raposinha, não tinha como imaginar tudo o que podia acontecer...
— Não parece que foi alguém de dentro da caverna que explodiu a entrada ou teriamos visto a pessoa passar... Talvez tivesse mais alguém nos seguindo ou que chegou depois — sugeriu o platinado, tentando pensar em qualquer outra alternativa para sair enquanto conversavam.
— Mas... Agora parece tão óbvio que algo do tipo aconteceria... Eu deveria ter chego a essa conclusão... Ou ao menos ter ficado na entrada por segurança... Fui desleixado em não levar isso em consideração e...
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inafetivo
Fiksi IlmiahNaquele mundo em que sobreviver era a lei, os afetos são esquecidos e abandonados desde o berço. Amar se torna um peso, algo difícil de se carregar, uma cruz a qual poucos conseguem lidar. A guerra, a morte e a violência se encontram em cada esquin...
