estratagemas

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O vento gélido da tempestade entrava pela abertura da caverna, raspando ruidoso contra as estalactites, uivando pela cavidade rochosa, disfarçando os passos do grupo para o interior do local.

— Ei, homem do Norte, aqueles caras que estavam nos seguindo, acha que eles têm a ver com o que está acontecendo aqui? — questionou Matteo enquanto pegava sua arma, mantendo-a firme em sua mão boa.

— É possível que tenham.

— Então é capaz deles já saberem que estamos por perto e nos esperando — concluiu a raposa andando próximo a parede, seu braço robótico praticamente roçava contra as pedras frias do local.

— Ou talvez eles pensem que morremos congelados ou algo assim... — comentou Yatagarasu, deixando uma de suas mãos se firmar contra a bainha de sua espada, enquanto a outra segurava uma pistola, preparando-se para o que fosse preciso.

— Você consegue usar as duas ao mesmo tempo? — Quis saber o homem de fios platinados ao observar a mulher morena com as armas em mãos, posicionadas de um modo tão certeiro e preciso como se realmente soubesse manipulá-las com maestria.

— Quer testar para descobrir, homem do Norte? — respondeu com um pequeno sorriso provocativo, girando a pistola em sua mão e a segurando com firmeza.

— Quem sabe depois... — O homem de cabelo platinado parou de falar ao ouvir as batidas de ferro contra rocha se tornarem mais altas e próximas a sua audição.

Eva se adiantou e ficou mais a frente do grupo, um pouco atrás de Matteo, mas quase o ultrapassando, enquanto mantinha Íris atrás de seu corpo, evidenciando a proteção que passava a criar com a mulher de estatura mais baixa.

Gael estava andando ao lado esquerdo do homem moreno e seu olhar seguia por todos os cantos, buscando qualquer indício de que houvesse algum perigo eminente. Pouco mais a frente o caminho se dividiu e o grupo escolheu seguir pelo que parecia ecoar o som de batidas.

Em passos longos, chegaram próximos a uma abertura para uma galeria interna. Matteo parou na beirada da parede e puxou Gael para ficar consigo, escondido ali. Seu olhar seguiu silencioso pelo local, tentando ao máximo não se expor, cuidadoso, meticuloso.

Podia ver que havia muitas pessoas comuns ali, a maioria usando picaretas para quebrarem as rochas e vasculharem nos montantes qualquer coisa de valor.

Não fora difícil descobrir quais não faziam parte da classificação comum: todos aqueles que não trabalhavam, mas viam e mandavam, como chefes vigilantes.

— Dez... Quinze... — murmurou Matteo conforme contava as pessoas ali. — Estamos em uma desvantagem numérica, mas se conseguirmos derrotar a maior parte na surdina não será realmente um problema.

— Ou podemos atrai-los para um só lugar e atacar de uma só vez — pontuou Eva apontando para outro corredor que parecia vazio.

— Você quer lurar gente de verdade? Não estamos em um RPG - comentou Kitsune desviando o olhar por breves segundos para a mulher de fios azulados. — Como pretende fazer isso?

— Sei lá, o estrategista aqui é você.

Matteo ergueu brevemente a sobrancelha em sútil incredulidade e olhou ao redor, tentando usar a estrutura da caverna para os ajudar naquilo, analisando todas as possibilidades que podia, todas as consequências que viessem em sua mente.

— Vocês conseguem passar naquele ponor ali? — questionou ao encontrar uma abertura natural, porém, não tão larga assim, na lateral do corredor em que estavam.

— Deve dar... Talvez seja apertado demais para mim, mas vocês devem conseguir — respondeu o homem de fios platinados, medindo mentalmente se caberia ali naquela parte oca e razoavelmente pequena.

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