040 - Amor

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Kiara

Acordei e nem imagino que horas são, tendo em mente que eu fui dormir as seis da manhã e ainda com a ajuda de remédios chuto que deve ser umas duas horas da tarde.

Minha cabeça ainda parece rodar as lembranças de ontem, toda aquela cena, as palavras dele, meu coração sendo despedaçado, é... é nisso que dá se apaixonar.

Me levanto e vou até o banheiro, lavo o meu rosto e então olho pro meu reflexo no espelho, eu já tive dias melhores, as olheiras embaixo dos meus olhos estão bem visíveis, fora o inchaço da minha cara.

Escovo os dentes e tomo um banho quente pra relaxar, tentar tirar todo esse peso das minhas costas, toda essa angústia e essa dor mesmo sabendo que isso é impossível de acontecer pelo menos não nesse momento e nem sei se será possível em algum momento.

Eu acho que nós nunca esquecemos uma paixão, uma amizade, um lance avassalador, nós com certeza não esquecemos, a gente só aprende a conviver com a dor e a cada dia que passa, dói um pouco menos.

Termino o banho, troco de roupa e sento na minha penteadeira pra arrumar meu cabelo, ao som de "Oração" a kat cantava essa música pra mim em noites de tempestade e isso me acalmava.

- meu amor essa última oração, pra salvar seu coração, coração não simples quanto pensa naquele cabe o que não cabe na dispensa, cabe o meu amor... 🎶

canto em um tom baixo enquanto termino de ajeitar o meu cabelo, depois de finalizar, desço as escadas e vejo que a porta da sala de discos do meu avô está aberta, vou até lá encontrando ele sentado em uma das poltronas do lugar analisando um dos seus discos do Queen.

- Quer compania? - falo escorada no batende da porta com os braços cruzados.

Ele me olha e me dá um sorriso gentil.

- A sua? Sempre... - diz sorrindo simples.

Me sento na poltrona ao lado da sua e pego uma das capas dos discos analisando as músicas que tem neles, preciso de uma distração, minha mente parece que vai me matar aos poucos me fazendo pensar em ontem.

Me fazendo pensar que nada que vivemos foi real, que na minha cabeça era uma coisa mas na dele era outra complemente diferente, não sei como ele conseguia fazer isso, fingir que gostava de mim.

E ainda mais burra por acreditar.

- Sabe - meu avô fala e eu lhe olho - as vezes nos afastamos das pessoas que gostamos - ele me olha - mas isso não quer dizer que não gostamos mais delas.

- Isso se aplica quando gostamos das pessoas, o que acho que não foi o caso dele comigo - falo e volto a olhar a capa do disco.

- Acho difícil de acreditar que ele não gostava de você.

- Era o que eu também achava, mas pode acreditar... foram palavras dele.

- As vezes kiara, nós dizemos uma coisa mas nosso coração sente outra completamente diferente - lhe olho - uma vez eu disse pra sua avó que eu queria nunca ter conhecido ela - ele nega com a cabeça - foi a pior coisa que eu poderia ter tido pro amor da minha vida.

Me aconchego mais na poltrona colocando meus pés sobre ela e abraçando meus joelhos, escutando cada palavra que ele fala.

- Eu menti, naquele segundo eu achei que eu odiava ela, mas eu respirei fundo e vi que eu a amava, e tinha dito aquilo na hora da raiva, não tem um dia em que eu não me arrependa em ter dito aquelas palavras pra sua avó, ela me perdoou depois, mas as vezes eu ainda me sinto mau por aquele dia.

- Você a ama vovô, e ela sabe disso não precisa se sentir mau.

- Aí é que está a beleza de amar alguém mocinha, você aprende a gostar da personalidade, perdoa o que tem que perdoar, mas claro tem coisas que não tem perdão, na minha opinião uma traição não tem perdão mas isso varia de pessoa pra pessoa, então... você ver como a pessoa é de verdade e é isso que faz você querer ficar com ela, é isso que faz você ama-lá.

- Por que está me contando essas coisas? - pergunto sem tirar meus olhos dele.

- Porque kiki, nós temos que viver nossa vida, uma paixão pode doer, mas é melhor chorar por amor do que nunca ter amado, você não vai querer chorar arrependido por não ter tentado.

- Amor?

- Sim - ele me olha sorrindo - Amor... eu sei que isso não foi uma simples paixão de adolescência, você o ama mesmo que não consiga admitir isso pra ele ou pra si mesma.

- Vovô... - nego com a cabeça pois não acho que ele esteja certo.

- Me escute minha filha - ele segura na minha mão - vocês podem não estar em um bom momento agora mas eu sei que vocês vão ficar juntos, pode não ser agora, pode não ser daqui a um mês, mas um dia.

- Como o senhor tem tanta certeza disso? Como tem certeza que eu o amo? Como tem certeza que vamos ficar juntos? E como tem certeza que ele gosta de mim?

Pergunto porque realmente não sei como meu avô pode ter tanta certeza das coisas quando se tá tudo um caos, um caos de sentimentos, um caos de tudo, eu confio no meu avô, sei que ele sabe das coisas, mas é realmente difícil acreditar nas palavras dele depois do que eu escutei ontem.

Ele fala com tanta convicção que o Jj gosta de mim, mas era o que eu também achava, até ele chegar aqui e jogar um monte de coisa na minha cara, e dizer que eu não significo nada pra ele.

Dizer que eu não significo acho que foi umas das coisas que mais me quebrou, por que ele tinha dito que eu era a pessoa favorita dele, e depois isso, e como se nada disso foi real, nada que aconteceu desde o começo do verão foi real.

- Os olhos kiara... - o olho confusa - os olhos não mentem, vocês podem mentir um para o outro mas seus olhos não, e o jeito que vocês se olham tem uma conexão inexplicável, por isso que eu sempre soube que vocês teriam alguma coisa. - ele para e me olho sorrindo - e sei que vocês vão achar o caminho de volta um para o outro.

Ele coloca um disco na vitrola e love of my love começa a tocar, é a nossa música, minha e do meu avô, nosso pontinho de paz juntos, encosto minha cabeça na poltrona e sorrio simples ao pensar no quão sortuda eu sou por ter esse senhorzinho na minha vida.

Sou grata pelos seus concelhos, e por senpre me emparar nas horas que eu mais preciso.

Quando a música estava quase no final escuto a porta que estava apenas escorada sendo aberta por meu mini furacão, ela vem até mim e levanta os bracinhos pra eu pegar ela no colo e assim faço fazendo ela deitar sua cabeça no meu peito.

- Tava com sodade titia, pensei que tinha ido embola - sorrio com aquilo.

- A titia tava meio mau, mas já está melhor.

- A gente ainda vai complar sorvete? é bom pra tirar as coisas mau. 

Respiro fundo eu tinha prometido que ia na sorveteria com ela mas não tô afim de trombar com o Jj, pelo menos não hoje, não agora. E eu também não quero sair de casa hoje, quero ficar aqui perdida nos meus pensamentos, mas com a compania da minha família.

- Que tal a gente pedir por delivery? Ai eles trazem o sorvete aqui em casa e a gente assiti um filme juntinhas que tal?

- Adolei a ideia. - diz sorrindo - Você vai atisti com a gente bisô?

- É claro que eu vou - ele diz sorrindo pra ela. - e o que nós vamos assistir?

- A plincesa e o sapo. - diz feliz batendo as mãozinhas.

- Então combinado vamos lá, vamos pra sala. - meu avô se levanta me fazendo levantar também com a minha sobrinha no braço.

- a gente vai atisti o filme juntinhos. - diz de um jeito fofo.

- Vamos sim.

Avisamos a minha avó que iamos assistir um filme e ela fez pipoca doce e salgada pra gente, era uma das suas especialidades, colocamos o filme da princesa e o sapo e assistimos, a Lilly não saiu do lado.

Pedimos o sorvete e trouxeram rápido, ela se lambuzou toda comendo, o que rendeu ótimas risadas minhas e dos meus avós, ainda bem que eu tenho eles, eu não sei o que eu faria sem eles na minha vida.

Nosso Verão - JiaraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora