ponto de vista: gabi
— Mamãe! — as crianças correram pra abraçar Laura.
— Se acalmem, ela ainda tá se recuperando. — eu os alertei, não contendo meu sorriso de alegria.
— Que saudade, meus amores. — a mãe disse após cada um depositar um beijo em sua bochecha.
Vivi e eu nos olhamos e ela está com o mesmo semblante que eu. Entrelaço nossas mãos e sinto seus dedos gelados.
— Você tá doente? — Fabiana perguntou.
— Eu tô sim. Mas vou melhorar. Ontem fiz uma cirurgia pra ficar tudo bem comigo. Não se preocupem... — Laura acariciou o rosto da filha e em seguida bateu os olhos em nós. — E vocês...eu só tenho à agradecer.
— Imagina, Laura. A gente fez o que pôde. Que bom que você acordou disposta. Sente dor? — Vivi disse, dando um passo à frente e se apoiando na cama.
— Agora não. O médico disse que o tratamento não acabou, ainda tenho bastante coisa pra fazer. Mas eu tenho esperança. E pelo jeito vocês também, né?
— Você vai sair dessa, sua chata. Pode ficar tranquila. — Vivi sorriu docilmente, e eu não consegui dizer nada.
Meus olhos se encheram de lágrimas e Laura percebeu, óbvio.
— Gabi, por que você tá chorando? Vem cá. — ela gesticulou minimamente pra eu me aproximar, e foi o que fiz. — Brigada mais uma vez. Você me ajudou muito, muito, muito.
— Você sempre foi tão legal comigo. Eu que te agradeço. — beijei a mão dela.
Ficamos conversando por mais uns minutos, até que alguém adentrou o quarto. As crianças estavam sentadas próximas à janela, desenhando e apontando seus lápis.
— O que fazem aqui? — Manu perguntou, com um copo de café em mãos.
— Já vai começar você também? — Vivi resmunga.
— Vivi, por favor. Não vou começar nada. Inclusive, eu devo um pedido de desculpas à vocês.
— Sério? — questionamos ao mesmo tempo.
— Sim. Ontem eu tava muito abalada. Ninguém tem culpa, é algo que simplesmente aconteceu...
Bem como a Samira disse.
— Que bom que percebeu. — eu disse.
— E a Júlia? — Manu inclinou a cabeça.
— Nossa, já tinha até esquecido. — Vivi comentou, mexendo no cabelo.
— Temos um problema. Ela nos proibiu de ver a Laura, e disse que seríamos expulsas da pensão se viéssemos.
— Ai, meu Deus. Ela não pode ver vocês, então. — Laura ficou preocupada.
— Quem liga? Ela não é dona da casa pra querer mandar. — Vivi deu de ombros.
— Mas ela representa a dona. Júlia tem sim o poder de tirar qualquer uma de lá. — Manu agregou.
— Bom, a gente não podia ficar parada, esperando por notícias. Tínhamos que agir de alguma forma.
— Eu sei. Admiro isso. Mas agora que já fizeram o que tanto queriam, é melhor saírem daqui logo. Ela pode chegar à qualquer momento. — Manu falou e Laura emitiu sons de concordância.
— Elas tem razão, Vivi. — me virei pra morena, e ela sentou tranquilamente no mini sofá com as crianças.
— Por mim ela pode aparecer aqui agora mesmo e tomar esse choque. Aquela turista idiota merece. — a garota disse, me dando um sorriso de provocação.
— Quer ficar sem casa? — chego perto dela, que dá de ombros novamente. — E aquele papo de você ficar onde eu estiver?
— Gabriela... — ela me fitou, já mudando de ideia.
— Viviane... — à imitei.
— Ok. Você venceu. — Vivi levanta e põe uma mão em meu ombro.
À essa altura, já tá mais que óbvio pra todo mundo que nós temos alguma coisa.
— Elas namoram! — Henrique gritou, gargalhando em seguida.
— Oi?! — Laura juntou as sobrancelhas.
— Meninas, rápido! — Manu disse enquanto mexia em seu celular. — A Júlia já tá no hospital, ela acabou de mandar mensagem dizendo que saiu do elevador.
— Eita, vamo logo, então! Tchau pra vocês. — Vivi e eu andamos com pressa até a porta.
— Tchau! — os pirralhos acenaram.
Assim que saímos do quarto e não vimos nem uma sombra sequer de Júlia no corredor, andamos tranquilamente até as escadas. Mais ou menos.
— Ei! — ouço uma voz familiar gritar e olho pra trás.
Ela acaba de nos achar.
— Corre! — Vivi grita e nós corremos o mais rápido possível.
— Voltem aqui! — Júlia vai atrás da gente, e parece que quanto mais nos distanciamos, mais ela persiste.
Fugimos dela dando gargalhadas de tensão, esbarrando nas pessoas, derrubando cadeiras e objetos, agindo como se a mulher fosse um bandido armado. A sensação de desespero foi quase a mesma.
Enfim achamos um esconderijo bom, pra pelo menos despistar nossa "superior": debaixo do balcão da recepção. Por sorte não tinha ninguém atento por perto, por enquanto.
Vivi pulou primeiro e me ajudou logo depois. Nos agachamos e esperamos, dando muita risada. Desmanchei meu riso aos poucos, ao vê-la tão incrivelmente linda na minha frente.
— Eu também te amo, Vivi. — digo com firmeza.
O medo se foi instantaneamente. Me senti livre, tranquila, sem peso nas costas e absurdamente apaixonada. Principalmente quando ela me puxou pelo queixo devagar, pra me beijar.
— Ei, o que tão fazendo aí? Saiam já. — a recepcionista retorna, assustada.
— Calma, só me responde uma coisa: tem uma mulher procurando alguém em desespero por perto? — Vivi perguntou em voz baixa.
— ...Não. — ela respondeu de forma óbvia.
A menina ao meu lado se inclinou pra ver e suspirou aliviada.
— Pronto. Agora sim. — ela segurou minha mão e nós pulamos de novo o balcão.
— Foi mal, moça! — eu gritei enquanto corríamos até a saída, e a recepcionista ainda nos olhava com uma interrogação estampada em sua testa.
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não sei se gostei desse capítulo
mas tô feliz pelas minhas meninas
e foi divertido escrever a perseguição hihihi
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borboletas [gabi cattuzzo]
Fanfictiononde viviane mora em uma pensão e a nova moradora é sua ex amiga, gabriela.
![borboletas [gabi cattuzzo]](https://img.wattpad.com/cover/322094729-64-k371763.jpg)